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Coluna da Maga23/07/2021 | 09h00Atualizada em 23/07/2021 | 09h00

Magali Moraes: filhos no fogão

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: filhos no fogão Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Chega um dia em que os filhos alimentam os pais. Vão pra cozinha por livre e espontânea vontade. E nos surpreendem com uma jantinha deliciosa, bem temperada, a carne no ponto certo, tudo no maior capricho. Ah, que alegria! Ou então se tornam pizzaiolos: preparam a massa, deixam descansar (você e a massa), antes planejam os diferentes sabores, vão comprar os ingredientes e lembram até do fermento. Ah, que felicidade! Depois a gente ajuda a limpar a cozinha, como um sincero agradecimento. 

É aquela virada de jogo que a vida sabe fazer tão bem. Anos e anos esmagando a papinha, cortando o bifinho, fazendo aviãozinho com o feijãozinho, enfiando cada colherada na boquinha dos anjinhos, insistindo no tomatinho, camuflando a cenourinha, negociando a batatinha frita, usando o último restinho de paciência pra fazer as crianças rasparem o prato (tudo bem colorido, como manda o guia da alimentação saudável). E comendo o que sobra pra não desperdiçar jogando comida no lixo.

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Curiosos

Voltando ao momento presente, que tá bem mais divertido: eu só agradeço. O engraçado é que não lembro de ensinar meus filhos a cozinhar. Devem ter aprendido de curiosos, testando alguma gororoba que viram um youtuber preparar. Outra fonte de aprendizado é o TikTok, com seus vídeos de receitas que viralizam e todo mundo quer copiar. Também não lembro de cozinhar para os meus pais no passado, muito menos meus irmãos. Ainda bem que as novas gerações são mais evoluídas.

É muito bom ver que os filhos se viram na cozinha, e fome não passam. Nesse mundo de telentregas, onde toda comida está ao alcance de poucos toques no celular, querer cortar a própria cebola é louvável. E ninguém precisa ser como o Rodrigo Hilbert, que faz até a panela e o forno. Pena que os filhos de hoje talvez não conheçam o prazer de folhear um caderno antigo de receitas cheio de pingos, recortes e anotações soltas, onde reconhecer a letra da avó é um verdadeiro alimento pra alma.    


 
 
 
 
 
 
 
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