Mesmo vacinado com duas doses, Tarcísio Meira foi vítima da covid-19; entenda por que isso pode ocorrer - Notícias

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Pandemia13/08/2021 | 09h15Atualizada em 13/08/2021 | 09h15

Mesmo vacinado com duas doses, Tarcísio Meira foi vítima da covid-19; entenda por que isso pode ocorrer

Capacidade de induzir imunidade dependerá de muitas variáveis, como idade, doenças, problemas no funcionamento do sistema imunológico, entre outras

Mesmo vacinado com duas doses, Tarcísio Meira foi vítima da covid-19; entenda por que isso pode ocorrer Adriana Franciosi / Agencia RBS/Agencia RBS
Morte do ator de 85 anos foi confirmada nesta quinta-feira (12) Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS / Agencia RBS

Infectado pelo coronavírus, o ator Tarcísio Meira, que já havia recebido as duas doses da vacina contra a covid-19, morreu em decorrência da doença. O óbito do ator de 85 anos, ocorrido nesta quinta-feira (12), reacendeu o debate sobre a existência de situações em que o vírus é capaz de vitimar mesmo indivíduos que completaram seu esquema vacinal. A reportagem conversou com Fabiano Ramos, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital São Lucas, e com Paulo Gewehr Filho, infectologista do Hospital Moinhos de Vento, a respeito das variáveis que podem fazer com que uma pessoa imunizada morra devido ao vírus e da importância da vacinação da população.

Depois que são aplicadas, as vacinas induzem a produção de anticorpos ou a imunidade celular. No entanto, essa indução dependerá muito da capacidade que o indivíduo que está recebendo o imunizante tem de desenvolver imunidade. Uso de medicações imunossupressoras, presença de doenças associadas e idade avançada — já que a partir dos 60 anos o sistema imunológico entra em um processo natural de declínio ao longo do tempo — são alguns dos elementos que dificultam o processo de imunização. Ao analisar as mortes de pessoas que receberam imunizante contra a covid-19, é necessário levar em conta características individuais.

— Nem todas as pessoas vacinadas vão desenvolver a proteção, e isso está associado a vários fatores, como idade, doenças, problemas no funcionamento do sistema imunológico, assim como em pacientes que fazem quimioterapia, radioterapia, usando medicações que baixam o sistema de defesa, e condições autoimunes. Essas situações todas podem diminuir a eficácia das vacinas, fazendo com que a pessoa não fique protegida contra a doença — afirma Grewer.

Assim como Tarcísio, sua esposa Glória Menezes, 86 anos, também havia sido vacinada no início de 2021. Diferentemente do marido, após contrair o vírus, Glória desenvolveu uma forma menos grave da doença. De acordo com boletim divulgado pelo Hospital Albert Einstein na tarde desta quinta-feira, a atriz segue internada, mas está em recuperação e retirada progressiva do oxigênio.

Outro ponto que explica a ocorrência de óbitos mesmo após as aplicação das doses necessárias contra o coronavírus é o fato de que, embora seguras, eficazes e essenciais para o controle da pandemia, nenhuma vacina disponível até o momento oferece 100% de proteção contra a evolução da covid-19 para a sua forma mais grave. Há um pequeno percentual de pessoas que, mesmo com a vacinação completa, poderá adoecer e morrer, principalmente quando fatores mencionados anteriormente — idade, comorbidades etc. — estiverem associados ao quadro da doença viral.

— Sabemos que a proteção contra o desenvolvimento de doença grave vai ser, dependendo da vacina, em torno de 80% a 90%. Logo, temos que lembrar que pelo menos cerca de 10% das pessoas vacinadas, se adquirirem o vírus, poderão evoluir para um caso mais grave e vir a falecer. É natural que tenhamos mortes, estamos numa pandemia que ainda não está controlada — explica Fabiano Ramos.

Os especialistas explicam ainda que a gravidade da doença depende também da quantidade de vírus que é transferida para o indivíduo. Estudos preliminares têm demonstrado que a variante Delta, detectada originalmente na Índia, possui uma carga viral muito mais alta do que outras cepas do coronavírus, o que pode culminar em casos mais graves, especialmente entre pessoas não vacinadas ou que estão com o esquema vacinal incompleto.

— O que temos visto na Delta é que é uma variante com capacidade de disseminação maior entre as pessoas e que leva uma quantidade de vírus maior. Isso pode diminuir a proteção oferecida pela vacina e influenciar na gravidade da doença que a pessoa vai ter, ainda mais quando se trata de pessoas idosas e com doenças crônicas — afirma Ramos.

Diante do cenário de aumento de casos relacionados à variante Delta no país e no Rio Grande do Sul, a recomendação é de que cuidados básicos, como o uso de máscara, álcool gel e a prática do distanciamento social, adotados desde o ano passado, não sejam deixados de lado.

— Especialmente neste momento, mesmo as pessoas vacinadas com duas doses têm que manter a proteção individual, dar preferência a atividades ao ar livre, evitar aglomerações. A Delta é a variante mais transmissível de todas, portanto, relaxar e confiar somente na vacina é um passo muito arriscado — conclui Paulo Grewer.

 
 
 
 
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