Adolescentes continuam sendo vacinados contra covid? Esclareça as principais dúvidas após a mudança de orientação do Ministério da Saúde - Notícias

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Imunização17/09/2021 | 09h20Atualizada em 17/09/2021 | 09h20

Adolescentes continuam sendo vacinados contra covid? Esclareça as principais dúvidas após a mudança de orientação do Ministério da Saúde

Ministro alegou eventuais efeitos colaterais para interromper vacinação; Anvisa e especialistas contestam e recomendam aplicação das doses de Pfizer

Adolescentes continuam sendo vacinados contra covid? Esclareça as principais dúvidas após a mudança de orientação do Ministério da Saúde Mateus Bruxel / Agencia RBS/Agencia RBS
Ao voltar atrás, pasta justificou que maioria dos adolescentes com covid-19 tem sintomas leves ou são assintomáticos Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS / Agencia RBS

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (16), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, orientou a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades contra a covid-19. Ele afirmou que 3,53 milhões de adolescentes já foram imunizados no Brasil. Porém, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, representando 0,042% do total. Desses, 95% teriam recebido vacinas não liberadas para a faixa etária, o que é considerado erro de aplicação.

Mas, à noite, durante live com Jair Bolsonaro, o ministro afirmou que partiu do presidente a orientação para rever a vacinação de adolescentes no país.

Nota publicada pelo ministério no início de setembro previa vacinação desse grupo a partir da última quarta-feira (15). Ao voltar atrás, pasta alegou que maioria dos adolescentes com covid-19 tem sintomas leves ou são assintomáticos. A vacinação deve ficar restrita a três perfis específicos: adolescentes com deficiência permanente, adolescentes com comorbidades e adolescentes que estejam privados de liberdade.

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Qual o argumento do Ministério da Saúde para mudar orientação?

O problema, segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é que muitos adolescentes teriam sido vacinados com imunizantes não autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — no Brasil, o único imunizante usado nessa faixa etária é o da Pfizer. 

Outra questão apontada por ele é que a nota publicada pelo ministério no início de setembro previa vacinação nesse grupo a partir do dia 15, mas alguns Estados iniciaram semanas antes. 

Agora, a vacinação, de acordo com a orientação do ministério, deve ficar restrita a três perfis específicos: adolescentes com deficiência permanente, adolescentes com comorbidades e adolescentes que estejam privados de liberdade.


Se a orientação for desobedecida, há previsão de punição?

O ministro Marcelo Queiroga não falou durante a coletiva. Porém, questionado por um repórter sobre ter punição para Mato Grosso, que iniciou ainda em agosto a vacinação para adolescentes, respondeu que há Ministério Público, Tribunal de Contas da União e Judiciário, e que ele não pertence a nenhuma destas instâncias.


Quais são os eventos adversos apontados pelo ministro da Saúde?

Uma das tabelas apresentadas pelo ministro da Saúde, durante a coletiva desta quinta-feira, dizia que dos adolescentes vacinados que apresentaram sintomas, 13 foram com CoronaVac, 48 com AstraZeneca e 53 com Pfizer. Entre os adolescentes que receberam doses de imunizantes errados, 650 tomaram CoronaVac, 434 AstraZeneca, 22 da Janssen e 272 da Pfizer (que pode ter sido aplicação de meia dose ou inserção da dose de forma equivocada). 

A tabela ainda indicou 53 erros de imunização com evento adverso (sintomas que acompanham a vacina). Desses, 12 ocorreram com CoronaVac, 32 com AstraZeneca e nove com Pfizer.

Já a Anvisa, em nota, especificou que "vem monitorando e avaliando os eventos adversos cardiogênicos pós-vacinais no Brasil e no mundo, desde a notificação dos primeiros casos em outros países. Até o dia 15 de setembro, foram 32 notificações de eventos adversos após vacinação de adolescentes com a vacina Pfizer, e nenhum óbito foi relacionado à vacina".

A Anvisa ainda ressaltou que "o risco de alterações cardiológicas é baixíssimo, mas o cidadão deve estar atento aos possíveis sintomas associados para que procure atendimento médico imediato. A maioria dos efeitos colaterais que ocorrem com o uso da vacina é de natureza leve e transitória. Os eventos adversos mais comuns após a vacinação são dor no sítio de aplicação, fadiga, cefaleia, dor muscular, calafrios, dor nas articulações e febre. 

O risco de ocorrência de miocardite e pericardite é baixo, mas o profissional de saúde deve estar atento para perguntar sobre vacinação prévia aos sintomas, em especial com vacina Wyeth/Pfizer contra a covid-19. Falta de ar, dor torácica e palpitações não são sintomas comuns em jovens. A realização de alguns exames como eletrocardiograma, dosagem de troponina e marcadores inflamatórios, como proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação pode auxiliar no diagnóstico. 

É relevante que esses resultados sejam registrados na notificação à Anvisa de casos suspeitos. Para esses casos, considere encaminhar para um cardiologista para obter assistência na avaliação e tratamento cardíaco. Não há evidências científicas disponíveis que indiquem riscos aumentados de eventos cardíacos, além dos eventos leves reportados. Os vacinados devem ficar atentos aos sinais e sintomas e procurar orientação médica, caso apresente alguma alteração".


E sobre o caso do adolescente de 16 anos que morreu depois de receber vacina da Pfizer?

A Anvisa afirma que investiga o caso. Segundo o órgão, a agência foi informada na quarta-feira (15) que no dia 2 deste mês ocorreu uma reação adversa grave em uma adolescente após uso da vacina contra a covid-19. No momento, afirma a Anvisa, não há uma relação causal definida entre esse caso e a administração da vacina. Os dados recebidos ainda são preliminares e necessitam de aprofundamento para confirmar ou descartar a relação causal com a vacina.

Em nota, a Anvisa ressaltou que "já iniciou avaliação e a comunicação com outras autoridades públicas e adotará todas as ações necessárias para a rápida conclusão da investigação. Entretanto, com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina".


Quem tem autoridade pra liberar ou proibir a vacinação?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a responsável por liberar ou proibir qualquer vacinação.


É seguro vacinar adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades com a Pfizer?

Segundo a Anvisa, sim.


Como a decisão do Ministério da Saúde foi recebida em Estados e municípios?

A decisão do Ministério da Saúde de voltar atrás na vacinação contra a covid-19 de adolescentes sem comorbidades não foi bem recebida pelos representantes de Estados e municípios. Tanto o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) quanto o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conassems) não participaram da discussão. Os dois órgãos enviaram um ofício à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedindo mais informações sobre a imunização desse público.


Qual a orientação do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems/RS)?

O presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems/RS), Maicon de Barros Lemos, também secretário de Saúde de Canoas, informou que a vacinação dos adolescentes de 17 anos sem comorbidades será concluída no Rio Grande do Sul. Mas, a partir dos próximos lotes da vacina da Pfizer que chegarem ao Rio Grande do Sul, o Estado não dará continuidade à vacinação dos adolescentes sem comorbidades, considerando a mais recente orientação do ministério. O Estado aguardará as novas orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) quanto o seguimento ou não desta vacinação.

Em Porto Alegre, a vacina sendo aplicada a pessoas com 15 anos ou mais nesta sexta-feira.


Quem já se vacinou, o que faz?

O ministro Marcelo Queiroga orientou que adolescentes de 17 anos sem comorbidades que já fizeram a primeira dose não devem fazer a segunda dose.

Porém, em nota publicada à noite, a Anvisa manteve a orientação de continuar vacinando os adolescentes. De acordo com a nota, "com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações da bula aprovada, destacadamente, quanto à indicação de uso da vacina da Pfizer na população entre 12 e 17 anos. A administração da vacina Comirnaty em adolescentes de 12 anos ou mais está autorizada e vem ocorrendo em diversos países".

 
 
 
 
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