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Extremo-sul da Capital24/09/2021 | 13h53Atualizada em 24/09/2021 | 13h54

Agentes de saúde fazem caminhada para incentivar vacinação na Restinga

Bairro concentra o maior número de pessoas aptas a serem imunizadas na Capital mas que ainda não tomaram nenhuma dose de vacina contra a covid-19

Agentes de saúde fazem caminhada para incentivar vacinação na Restinga Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Ação foi organizada pela Secretaria Municipal da Saúde e por voluntários do Centro da Juventude Restinga Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS

Uma caminhada realizada na manhã desta sexta-feira (24) pelas ruas da Restinga, no extremo-sul de Porto Alegre, busca a população que não completou o esquema de imunização contra o coronavírus. A ação foi organizada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e por voluntários do Centro da Juventude Restinga, entidade ligada ao governo do Estado e que oferece cursos de preparação ao mercado de trabalho.

Divulgado em redes sociais e no boca a boca, o ato começou com uma concentração em frente à instituição de ensino, às 10h. O destino era a Unidade de Saúde Álvaro Difini, cerca de quatro quarteirões à frente.

— Eu soube que iriam vacinar e trouxe ele pra tomar a segunda dose — disse Édson Vargas, 52 anos, ao lado do filho, Udson, 26.

A dupla se uniu a outros estudantes e a agentes de saúde da região. No caminho, pedestres, trabalhadores em paradas de ônibus e atendentes do comércio foram abordados, e o grupo cresceu. Entre as perguntas, o motivo pelo qual muitos ainda não haviam se vacinado.

— Tomei uma só, falta a segunda — afirmou o vendedor Eleazar Campos, 40 anos.

A esposa dele, Giane Santos da Rosa, 44, preencheu a carteirinha quando o Estado incluiu os professores nos grupos prioritários. A docente elogiou a ação desta sexta-feira.

— Isso é maravilhoso, tem que conscientizar esse povo — disse.

Máscaras também foram entregues pelos servidores, já que a falta do acessório é facilmente identificada por quem circula pela Avenida Economista Nilo Wulff, uma das mais movimentadas da região. Parte dos pedestres carrega o item de proteção pendurado sob o queixo ou nas mãos, usando-o apenas para entrar em algum estabelecimento.

PORTO ALEGRE,RS,BRASIL.2021,09,24.Caminhada de agentes da sáude para convecimento, para pessoas se vacinarem, pois no Bairro Restinga muitas pessoas não se vacinação,Regina Martins (de azul), e Rosana Neibert fizeram a caminhada.(RONALDO BERNARDI/AGENCIA RBS).<!-- NICAID(14897883) -->
Agente aborda moradora dentro de supermercado do bairroFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Ranking

Na Restinga vivem 9% dos porto-alegrenses aptos à imunização mas que não buscaram os postos nem para a primeira aplicação. No total, são 57 mil moradores da Capital sem qualquer dose de vacina contra a covid, segundo levantamento divulgado na última semana pela prefeitura

A maioria dos não vacinados alegou falta de tempo e desinformação. Houve também quem tenha demonstrado influência de outros fatores para a decisão:

— O presidente (Jair Bolsonaro) disse que não é obrigatório — alertou uma comerciante, contrária à vacinação mesmo tendo perdido um familiar para a doença.

Para a gerente distrital de saúde da Restinga e do Extremo-Sul, Rosana Meyer Neibert, fatores sociais contam para a falta de consciência dessa parcela da população.

— Lutamos contra isso: as notícias falsas e a desinformação. Mas tem também aquele trabalhador que sai de casa às 7h, pega ônibus lotado e volta só à noite. Por isso temos sempre algum ponto de vacinação à noite ou aos finais de semana — argumentou.

O exemplo contrário a quem recusa a vacina veio de uma dupla de adolescentes: os irmãos Thierry Emanuel Calleja, 12 anos, e Pâmela Cabral, 13, que tomaram a primeira dose nesta sexta.

— Mas ainda preciso continuar me cuidando — reforçou o garoto, quando perguntado se agora poderia rever os amigos.

Próximo dos jovens, no corredor de um supermercado do bairro, a pensionista Raquel Nascimento de Oliveira, 71 anos, se emocionou.

— Eu perdi minha filha mais nova, minha nenê, para o coronavírus, em março desse ano. Tinha 40 anos e a vacina ainda não tinha chegado para ela. Demorou muito. Por isso eu peço, vacinem, vacinem, vacinem — reiterou a idosa, já protegida com as três doses a que tem direito.

 
 
 
 
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