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SUS02/09/2021 | 21h18Atualizada em 02/09/2021 | 21h18

Com mais de 7 mil consultas represadas, RS planeja zerar fila da oncologia em seis meses

Hospitais farão mutirões para recuperar atendimentos que não foram realizados por causa da pandemia

Com mais de 7 mil consultas represadas, RS planeja zerar fila da oncologia em seis meses Gilmar de Souza / Agencia RBS/Agencia RBS
Pandemia atrasou diagnósticos e tratamentos de câncer Foto: Gilmar de Souza / Agencia RBS / Agencia RBS

De olho nos reflexos causados pela pandemia em outros atendimentos, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) traçou uma meta para recuperar a oferta de serviços a pacientes com câncer. Em seis meses, o objetivo é zerar a fila de espera por primeira consulta em oncologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul.

O assunto foi discutido em reunião na última terça-feira (31) que envolveu, além da SES, gestores hospitalares, entidades representativas do setor e Ministério Público Estadual.

Conforme o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade, a estratégia definida é que os hospitais realizem mutirões de atendimentos. A SES já definiu o número de consultas que cada instituição precisa recuperar, oferecendo um percentual a mais em cada mês — número relativo ao que deixou de ser realizado por conta da pandemia. Em breve, eles organizarão a agenda e chamarão os pacientes.

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— Estamos disparando hoje esses quantitativos para os hospitais e em breve eles já começam a colocar na agenda. Esta é uma proposta que a gente já queria colocar em prática no primeiro semestre deste ano, mas a pandemia nos atrapalhou, e os hospitais tiveram que destinar praticamente toda a sua capacidade de atendimento para a covid-19. Agora que acalmou, não dá para ficar sempre esperando a próxima variante, porque as outras doenças continuam — explica.

A proposta foi pensada juntamente a hospitais porque são essas instituições as habilitadas em alta complexidade para atender casos de oncologia. A partir da realização da primeira consulta, os pacientes são encaminhados para exames, procedimentos e, se necessário, cirurgias.

De março de 2020 a junho de 2021, hospitais do Rio Grande do Sul disponibilizaram 7.124 consultas de oncologia a menos em relação ao que deveria ter sido ofertado. Em Porto Alegre, são 3.667, e, no Interior, 3.457. São essas consultas represadas que serão recuperadas em mutirão.

Entre os motivos para o alto número de atendimentos não realizados estão a falta de capacidade dos hospitais nos meses de maior gravidade da pandemia e o receio de parte dos pacientes, que deixou de comparecer a instituições de saúde. Elsade pede que as pessoas que forem contatadas para o mutirão procurem não faltar às consultas:

— É importante que as pessoas não faltem às consultas agendadas porque a postergação do tratamento do câncer é trágica. Temos visto casos muito avançados chegando. Agora que estamos em uma situação melhor, queremos fazer o esforço de recuperar o que ficou para trás e atender todo mundo.

Presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Estado, Luciney Bohrer afirma que as instituições buscarão recuperar os atendimentos em oncologia dentro de cada realidade:

— A orientação é que, de acordo com as condições de cada hospital e região, as instituições consigam realizar os atendimentos oncológicos, dando prioridade para os mais graves. Nós temos várias realidades dentro do mesmo segmento. Temos hospitais operando com bom volume e hospitais começando a se organizar. Então os hospitais estão trabalhando para atender a pleno, mas cuidando a movimentação da variante Delta.

Alerta para manter consultas e exames

Desde o início da pandemia, especialistas alertam para a necessidade de os pacientes manterem consultas e exames, já que, caso contrário, há o risco de doenças, como o câncer, avançarem. O médico Rafael Vargas, oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), relata que esta já é a sensação percebida nos atendimentos:

— Não existem dados, mas há uma sensação, uma impressão geral de que os pacientes estão chegando em maior número e com uma apresentação (de câncer) mais avançada. Quanto mais o paciente esperar, pior pode ser o prognóstico. Ele pode estar com uma doença "curável", mas, se esperar muito, a situação pode mudar. No câncer, o tempo é fundamental porque impacta na mortalidade e na qualidade de vida — alerta.

Conforme o especialista, há uma demanda reprimida grande em relação a consultas oncológicas, o que exige uma organização das filas por prioridade. Vargas também acredita que os hospitais precisarão de investimento:

— Talvez a gente vá precisar de mais recursos financeiros, humanos e de estrutura, porque senão o tempo para iniciar os tratamentos será muito grande. Existem outras doenças que precisam ser atendidas também, além do câncer. Os processos de diagnósticos e solicitação de exames terão que ter mais eficiência.

 
 
 
 
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