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Empreendedorismo20/09/2021 | 20h22Atualizada em 20/09/2021 | 20h22

 Em Esteio, artesã cria serviço gratuito e apoia colegas

Moradora da Região Metropolitana une mulheres de todo o país para exibirem seus trabalhos online e conquistarem mais clientes

 Em Esteio, artesã cria serviço gratuito e apoia colegas Felix Zucco / Agencia RBS/Agencia RBS
Sabrina aprimorou seus conhecimentos e conseguiu reinventar Foto: Felix Zucco / Agencia RBS / Agencia RBS

De uma trajetória de superação nasceu uma atividade que une e faz prosperar artesãs de todo o Brasil, conectadas pela internet. A ideia da Lobélia Azul Eco Arte Criativa é mais uma das iniciativas da artesã Sabrina Machado, de Esteio.  

Em agosto de 2013, uma grande enchente atingiu a cidade de Sabrina, deixando em torno de 8 mil desabrigados, segundo a Defesa Civil do município. Dentro desse levantamento, estava a artesã e sua família.

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Na época, Sabrina trabalhava na produção de patchwork (técnica que une retalhos de diferentes estampas e/ou tamanhos) com o tecido tricoline. Com a enchente, acabou perdendo grande parte de seu material de trabalho.

Em visitas aos centros de distribuição de doações que havia no município, a artesã enxergou uma nova oportunidade de trabalho. Felizmente, ela não teve de mudar de área e seguiu trabalhando com o que ama. Ela precisou somente mudar a matéria-prima de seu artesanato. 

– Sobraram muitas calças jeans das doações, que mais ninguém pegaria para usar. Olhei e vi uma oportunidade. Sabia o que fazer com elas – afirmou Sabrina.


Elo frágil

A partir disso, ela começou a produzir peças com jeans, como bolsas, bonecas, aventais, chapéus e mochilas, entre outros. Para vender estes produtos, Sabrina participava de feiras de rua, vendia em escolas e salões de beleza, além de contar com encomendas.

Com a pandemia imposta pelo avanço do coronavírus, a artesã viu-se de mãos atadas. Não havia mais feiras e estabelecimentos abertos para que ela pudesse vender seu artesanato e ganhar dinheiro. 

– Passei todo o ano de 2020 mal. Não vendi praticamente nada – lamenta.

Segundo a Cooperativa dos Artesãos do Rio Grande do Sul, mais de 50 mil artesãos gaúchos foram afetados pela pandemia. Para o presidente da entidade, Sérgio de Freitas Silva, o setor artesanal é o elo mais frágil dentro da rede de produção e escoação de produtos. 

– Quando a economia vai mal no Brasil, somos os primeiros a serem atingidos, pois não somos produtores de primeira necessidade, não conseguimos competir com a indústria – comenta.


Como foi o surgimento da Lobélia Azul

Não tendo mais como vender seu artesanato presencialmente, a internet se tornou uma aliada. A partir de um curso, ofertado pela Associação dos Artesãos de Esteio (Artesul), Sabrina aprendeu a utilizar as redes sociais, fazer fotos bonitas e elaborar textos para as publicações.

Com o curso, a artesã decidiu expandir suas vendas e fazer negócios na internet. Criou uma página no Facebook, intitulada Lobélia Azul Eco Arte Criativa (facebook.com/lobelia azuleco artecriativa), e começou a postar seus produtos naquela plataforma. A página conta, atualmente, com mais de 1.700 curtidas.

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Não satisfeita em ter suprido sua necessidade de vendas, ela decidiu ajudar suas colegas de profissão – que também passaram por um período ruim de comercialização. Para isso, foi criada a Vitrine Aberta, que tem, segundo Sabrina, o objetivo de “conectar redes, abrir portas, mentes e fronteiras”.

O projeto começou no dia 5 de maio e já contou com a participação de 

24 artesãs gaúchas, paulistas e sergipanas. Inicialmente, Sabrina publicava o projeto somente nas quartas-feiras, porém, a demanda aumentou, e ela passou a postar também aos sábados.

A iniciativa funciona a partir da demonstração de interesse em participar da Vitrine Aberta. Assim, Sabrina recolhe fotos, dados sobre o produto (como dimensões, valores) e o contato da profissional. Então, publica este artesanato na página Lobélia Azul de forma gratuita.

– Com essa postagem, eu espero que as meninas consigam vender e ganhar dinheiro. Além disso, peço para que elas compartilhem nas suas redes, para que possam ter mais visualização e alcance – comenta Sabrina.


Exibição na Vitrine Aberta

Fotos da artesã Simone Bender, para pauta das artesãs afetadas pela pandemia, do DG<!-- NICAID(14877295) -->
Simone encontrou um novo hobbyFoto: arquivo pessoal / acervo de Simone Bender

Alessandra Gomes de Oliveira, de Esteio, foi a primeira artesã a participar do projeto Vitrine Aberta. Ela produz peças pedagógicas para crianças de oito meses a cinco anos de idade, como livros sensoriais e jogos. Professora há 20 anos e artesã há 11, ela conta que começou a fazer este tipo de artesanato a partir de demanda.

Desde o ano passado, criou um Facebook e um Instagram para expor seu catálogo de produtos. Depois de sua publicação na Vitrine Aberta, ela afirma que ganhou seguidores e novos clientes. 

– Achei espetacular o projeto, porque é uma oportunidade de expor o trabalho de uma forma diferenciada – comenta Alessandra.

Uma das postagens que mais alcançaram pessoas, com mais de 3 mil usuários, foi a da artesã e manicure Simone Bender. Com a pandemia, seu trabalho também foi afetado e, a partir disso, ela passou a produzir artesanato. 

– Estava voltando do mercado quando vi uma garrafa de vidro no lixo e decidi pegar para pintar. Meus materiais de unha estavam vencendo. Eles servem para esse tipo de pintura também, e eu precisava usá-los – contou.

Ela levou a garrafa vazia para casa e a pintou. A partir dessa atitude, descobriu um passatempo que faz bem para o meio ambiente e à sua saúde mental. Atualmente, Simone possui 1.500 garrafas em sua casa, prontas para ganhar as ruas e colorir algum espaço. 

– Agora eu faço as garrafas pela manhã e, depois, trabalho com as unhas. Caso uma cliente desmarque, tenho mais tempo para o artesanato – conta Simone sobre sua rotina com as duas profissões.


 
 
 
 
 
 
 
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