Michele Pradella: "Tempo, um senhor tão bonito e incerto" - Notícias

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Direto da Redação22/09/2021 | 09h00Atualizada em 22/09/2021 | 09h00

Michele Pradella: "Tempo, um senhor tão bonito e incerto"

Todas as quartas-feiras, jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano

Michele Pradella: "Tempo, um senhor tão bonito e incerto" Agência RBS / Agência RBS/Agência RBS
Direto da Redação Foto: Agência RBS / Agência RBS / Agência RBS

Você é uma pessoa que se preocupa muito com o futuro ou vive relembrando o passado? Não importa a sua resposta, aposto que sua relação com o tempo mudou – pelo menos um pouco – desde o início da pandemia. Desde março de 2020, fazer planos a longo prazo ficou inviável, afinal, tudo poderia mudar conforme a “vontade” de um organismo invisível a olho nu. O coronavírus chegou chegando, bagunçando a zorra toda, como canta Ludmilla. Nem o mais poderoso dos videntes conseguiu prever a chegada dessa ameaça global, tampouco sabe dizer por quanto tempo seremos reféns dela.

Lembro de uma aula de Filosofia na faculdade, na qual o professor tentava explicar que o tempo é uma ilusão. “O agora não existe, porque quando eu digo ‘agora’, já passou”. Parece complexo, mas é a mais pura verdade. O tempo escorre pelas mãos, nos prega peças, inspira poetas e compositores desde sempre. O tempo não para, é a única certeza que nós – e o saudoso Cazuza – temos nessa vida.

Naquele longínquo março de 2020, peguei minhas coisas na Redação Integrada, na esperança de voltar logo. Assim como o “agora” do professor de Filosofia, o “logo” também deixou de existir. E aqui seguimos, cada um na sua casa. Aquele “logo” se transformou em “algum dia”, depois em um futuro incerto e, esperamos, nem tão distante.

O melhor presente

Ainda que o “agora” não exista, é o que nos resta em tempos pandêmicos. O presente é nosso maior presente, com o perdão do clichê. Sem garantias sobre o que virá, e com a saudade doída do que passou, se há um grande aprendizado nestes 18 meses é que o importante é valorizar o que temos, sem lamentar o que não conquistamos ou nos angustiar com o que virá. É a velha máxima de viver um dia de cada vez, celebrando a vida e o tempo (olha ele aqui de novo) que passamos ao lado das pessoas que amamos. Desculpe, professor, mas o “agora” existe sim, e é todo nosso, enquanto durar. Mesmo que já tenha passado.


 
 
 
 
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