Caroline Tidra: "Já olhou à sua volta hoje?" - Notícias

Versão mobile

 
 

Direto da Redação06/10/2021 | 09h00Atualizada em 06/10/2021 | 09h00

Caroline Tidra: "Já olhou à sua volta hoje?"

Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano

Caroline Tidra: "Já olhou à sua volta hoje?" Agência RBS / Agência RBS/Agência RBS
Direto da Redação Foto: Agência RBS / Agência RBS / Agência RBS

Como está o dia onde você está? Já olhou para o lado e viu o que tem ao redor? Já percebeu os sons do ambiente sem o volume alto da televisão ou do fone de ouvido? Já olhou para o rosto da pessoa que pode estar aí na sua frente? Para os prédios ao redor? Ou para o verde à sua janela? São essas as coisas que eu mais senti falta nesses 18 meses de teletrabalho. Ainda atuo de casa, mas aos poucos a rotina está voltando ao normal, só que com cuidados.

Antes de março de 2020, eu saia de casa e fazia um trecho caminhando até a parada. Depois pegava um ônibus até a estação da Trensurb, ia de trem até o centro e dali mais um ônibus até a redação. Era um trajeto cansativo, mas era o momento que eu mais exercia a observação. Eu podia ler, ouvir um podcast ou até fazer compras online. Mas nada me prendia a atenção muito tempo enquanto estava em movimento.

Leia mais sobre colunistas do DG

Desacelerar

Esses dias, perguntei para um casal de amigos o que eles pensavam sobre o futuro do prédio Esqueletão, no Centro Histórico. Ambos moram na Capital e nunca o observaram. Eu fiquei incrédula! Mas tudo bem não conhecê-lo, eu que sou do tipo de pessoa que olha para todos os lados, incluindo para cima. Em casa, no ápice da pandemia, minha observação explorou as fotos do jornal e as ruas no Google Maps. Quando não era assim, a minha mente imaginava lugares por meio da narrativa de livros.

Na prática da observação na vida real, fico menos ansiosa e até consigo perceber a beleza nas pequenas coisas. E, quando não há beleza, posso refletir na diferença. Tenho ideias, vejo dilemas e também avanços.

Os problemas pessoais e afazeres vão continuar existindo, mas a mente não precisa focar só nas coisas pesadas – muito menos só na tela do celular. Por isso, volto a perguntar: como está o dia onde você está? O céu está azul ou cinza? Consegue ouvir os pássaros ou somente as máquinas? Consegue ver pessoas ou está isolado? Está tudo bem em desacelerar um pouco, respirar fundo e olhar para os lados.


>

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros