Com falta de medicamentos, hospitais de Porto Alegre adiam exames em pacientes com câncer para novembro - Notícias

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Escassez21/10/2021 | 07h56Atualizada em 21/10/2021 | 07h56

Com falta de medicamentos, hospitais de Porto Alegre adiam exames em pacientes com câncer para novembro

Instituto responsável por fornecer os insumos já retomou produção, mas distribuição deve ocorrer apenas daqui duas semanas

Com falta de medicamentos, hospitais de Porto Alegre adiam exames em pacientes com câncer para novembro Félix Zucco/Agencia RBS
Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Hospitais gaúchos especializados no tratamento contra o câncer e demais doenças ligadas à medicina nuclear estão tendo de adiar exames em razão de uma nova escassez de alguns radiofármacos. O problema já havia sido registrado no final de setembro, em razão da falta de verba do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. O órgão, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC), é responsável por 85% do fornecimento nacional de insumos químicos radioativos usados na medicina nuclear.

O governo federal chegou a autorizar uma redistribuição no orçamento garantindo duas semanas de distribuição. No entanto, os recursos novamente se esgotaram. Na última sexta-feira (15) o presidente Jair Bolsonaro sancionou projeto que garante um novo aporte de R$ 690 milhões para a produção dos insumos, valor que seria suficiente para abastecer os estoques até o final do ano. Porém, para retomar os serviços é necessário um prazo de duas a três semanas. Por isso, a expectativa é que novos produtos cheguem aos estabelecimentos apenas a partir de 1º de novembro.  

Enquanto isso, as instituições buscam reaproveitar o material que restou das semanas anteriores. No Hospital Conceição o principal produto em falta é o gerador de tecnécio, substância utilizada para exames de cintilografia, necessários para a detecção de câncer, risco de infarto, tromboembolismo pulmonar, entre outras doenças. O setor de medicina nuclear atende em média 500 pacientes por mês. Atualmente é possível atender 30% deles. Sem a reposição, a estimativa é que apenas 10% possa ser beneficiado a partir da próxima segunda-feira (25).

— Estamos priorizando as pessoas que necessitam do exame com mais urgência. Os demais estão em lista de espera e serão chamados apenas no próximo mês — explica o coordenador de medicina nuclear do Conceição, Eduardo Rosito de Vilas.

Situação similar está sendo observada no complexo hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Nesta semana estão sendo realizados 75 dos 250 exames previstos. Para os próximos dias a previsão é que não haja nenhum procedimento. A partir do próximo mês a instituição espera realizar um restabelecimento das agendas, com ampliação de horários para suprir a demanda represada. 

O hospital Moinhos de Vento informa que também vem buscando alternativas para não precisar restringir os atendimentos, mas preferiu não entrar em detalhes.

No Hospital de Clínicas, além da baixa quantidade de tecnécio, há ausência de iodo, substância utilizada na iodoterapia. Os procedimentos estão suspensos, assim como no Hospital São Lucas da PUCRS, em que todos os exames previstos para o fim do mês foram reagendados.

A reportagem de GZH buscou novo contato com o MCTIC, que ainda não se pronunciou sobre o assunto. 

 
 
 
 
 
 
 
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