Feijão e carne estão entre os alimentos com maior variação no ano na inflação da Grande Porto Alegre - Notícias

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Pressão nos preços19/10/2021 | 09h02Atualizada em 19/10/2021 | 09h02

Feijão e carne estão entre os alimentos com maior variação no ano na inflação da Grande Porto Alegre

Veja dicas para tentar substituir esses itens, que estão entre os mais tradicionais na mesa dos brasileiros

Feijão e carne estão entre os alimentos com maior variação no ano na inflação da Grande Porto Alegre André Ávila / Agencia RBS/Agencia RBS
Carne subiu 13,98% no ano, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) Foto: André Ávila / Agencia RBS / Agencia RBS

Com a inflação em aceleração nos últimos meses, além da alta nos custos de habitação e de transporte, as famílias também enfrentam a pressão no preço dos alimentos. As carnes, incluindo cortes bovinos e a de porco, e o feijão estão entre os 10 alimentos com maior variação na inflação na região metropolitana de Porto Alegre no acumulado do ano. Os dois itens ocupam lugar tradicional na mesa dos brasileiros. A carne subiu 13,98% no ano e o feijão preto, 14,87%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro.  Ambos estão acima do índice geral do IPCA no acumulado do ano na Grande Porto Alegre. No âmbito das carnes, os cortes bovinos apresentam as maiores elevações.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), afirma que a crise hídrica, o câmbio e o volume de exportações ajudam a explicar a alta de preço nesses itens. No caso da carne, o economista afirma que o período mais seco do clima no país afeta a pastagem do gado, o que encarece os custos de produção. Isso é repassado para o consumidor. A desvalorização do real também tem participação nesse cenário de carne mais cara, segundo o economista. 

— Isso estimula mais embarques, mais exportação e acaba desabastecendo o mercado brasileiro, provocando também aumento de preços — pontua Braz. 

Em relação ao feijão preto, o especialista afirma que o país geralmente não importa esse item e consome o que produz. Como a demanda pelo produto é próxima da oferta, qualquer quebra em uma das três safras acaba impactando no preço. Nesse sentido, a crise hídrica também tem efeito no valor do grão. Braz afirma que o consumidor pode encarar nova alta no preço do feijão nos próximos meses: 

— Esse baixo volume de chuva nas áreas produtoras pode impor um desafio à oferta por vir. Então, ainda que o feijão já tenha subido de preço, o consumidor, a depender das condições do clima com a chegada do verão, ainda pode ser surpreendido por novos aumentos se essa primeira safra, que começa em agosto, não for bem-sucedida. 

Olhando a ordem da lista, o açúcar refinado ocupa o topo na variação acumulada do ano na Região Metropolitana. Braz afirma que, assim como o milho, o açúcar também foi muito prejudicado pela seca no país. 

— O setor sucroalcooleiro foi muito afetado e todos os derivados, tanto aqueles que a gente consome quanto o que a gente usa no carro, subiram muito de preço — afirma o economista do FGV Ibre.

Para os próximos meses, Braz estima que os grupos de habitação e de transportes, puxados pelos itens energéticos, seguirão sendo os principais vilões da inflação. No entanto, os alimentos continuarão pressionando o orçamento das famílias, segundo o especialista.

Dicas para substituir alimentos mais caros

Como são itens tradicionais nas refeições dos brasileiros no dia a dia, substituir o feijão e a carne não é uma tarefa fácil. Mas com a escalada dos preços, os consumidores acabam priorizando outros itens para compor o cardápio em tempos de inflação elevada. 

No caso do feijão, a professora Wendy Haddad Carraro, do Curso de Ciências Contábeis da UFRGS e coordenadora de programa de extensão em educação financeira na universidade, afirma que o produto pode ser substituído por alguns itens, como lentilha, vagem e ervilha

— São opções que têm nutrientes semelhantes aos do feijão. O ferro do feijão pode ser encontrado nas seguintes leguminosas: cereais, grãos, oleaginosas, espinafre e vegetais verdes e beterraba — afirma  Wendy.

No caso das carnes, a professora da UFRGS cita a proteína de soja e o ovo como boas opções para enfrentar o preço mais elevado, principalmente dos cortes bovinos, que são os mais caros. 

Dicas para economizar nas refeições

Abaixo algumas dicas elaboradas com ajuda da professora Wendy Haddad Carraro, do Curso de Ciências Contábeis da UFRGS e coordenadora de programa de extensão em educação financeira na universidade:

  • Planejar cardápios
  • Pesquisar preços em locais diferentes
  • Organizar compra em grupos em atacarejos
  • Deixar o feijão de molho (gasta menos gás também)
  • Fazer combinação de carnes com legumes da época. Isso faz render os alimentos
  • Combinar o arroz com leguminosas, como ervilha, ervilha, grão de bico, e outros legumes, como cenoura e abobrinha


 
 
 
 
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