Réveillon, cruzeiros e Carnaval: como especialistas veem a flexibilização das atividades para o verão 2022 - Notícias

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Já é hora?06/10/2021 | 09h16Atualizada em 06/10/2021 | 09h16

Réveillon, cruzeiros e Carnaval: como especialistas veem a flexibilização das atividades para o verão 2022

Apesar do momento de mais tranquilidade, os rumos da crise sanitária ainda são incertos

Réveillon, cruzeiros e Carnaval: como especialistas veem a flexibilização das atividades para o verão 2022 Marcelo Casagrande / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS / Agencia RBS

Mesmo com a pandemia ainda em andamento, cidades turísticas, como o Rio de Janeiro, já falam em festa de Réveillon e Carnaval para a temporada 2022. Recentemente, o Ministério do Turismo também confirmou a retomada dos cruzeiros ainda em 2021. As decisões ocorrem em paralelo ao avanço da vacinação contra a covid-19  no Brasil que, nesta terça-feira (5), atingiu a marca de 45% da população com as duas doses conforme o Ministério da Saúde. Ainda assim, especialistas veem com cautela a possibilidade de flexibilizações.  

Para a infectologista Andréa Dal Bó, da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), ainda é cedo para se discutir liberações mais amplas como abandono do uso de máscaras e aglomerações. Ela lembra que a covid-19 é uma doença nova, cujo desfecho de flexibilizações desse porte ainda é incerto. 

E em um cenário onde a circulação da variante Delta predomina, os cuidados com os protocolos sanitários ganham mais força. Na semana passada, um novo sequenciamento genômico feito pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, mostrou o avanço da variante indiana no Rio Grande do Sul. Entre 74 amostras analisadas, a Delta representou 75% dos casos, diante de 25% da Gama, também conhecida como P.1, primeiramente identificada em Manaus. 

— Os Estados Unidos optaram por retirar a máscara e, mesmo com um percentual da população vacinada, houve circulação da Delta, aumento das hospitalizações e óbitos. Já na Alemanha, com índice de vacinados semelhante, foi decidido manter o equipamento e vimos que essa variante não teve impacto — ilustra a médica.  

Além disso, as aglomerações favorecem uma maior circulação do vírus que, consequentemente, pode acarretar surgimento de outras variantes. Isso porque essas novas cepas são uma "seleção natural dos vírus", explica a médica da SRGI:  

— Quanto mais circula, maior a multiplicação. Assim, a cepa mais forte, que seria a com maior transmissibilidade ou escape à imunização, fica.  


Cenário imprevisível  

A infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca que é difícil prever o desenrolar da pandemia. No entanto, o momento atual é melhor na comparação com os anteriores.  

— Acho que é impossível se pensar nas coisas antes que elas aconteçam. A pandemia tem mostrado isso: que tudo é a questão do próprio tempo da ciência. Estamos em um momento melhor? Com certeza. O mundo vê algumas facilidades de convívio e socialização, o que é excelente. Mas precisamos ver pouco a pouco como as coisas vão ficar — observa.  

Na opinião da especialista, não dá para afirmar que já atingimos a hora ideal para retomar grandes eventos e, inclusive, confinar pessoas, como é o caso dos cruzeiros. Contudo, ela reforça a importância da vacinação com duas doses ou o reforço, para aqueles elegíveis, e também dos eventos teste.  

— Tem que ir testando e fazendo a vacinação. É preciso manter as medidas restritivas no que puder e viver. A pandemia trouxe a sensação de que o amanhã é hoje, então, vamos viver o hoje dentro daquilo que temos. O tempo da ciência da covid ainda tem muito a nos mostrar.  


O que cuidar  

Com 45% da população completamente vacinada no país – e 51,6% no Rio Grande do Sul –, ainda há um caminho relativamente grande para o atingimento dos 70% a 80% da população brasileira com o esquema completo. Além disso, grupos específicos, como idosos e imunossuprimidos, por exemplo, recém começaram a receber a dose de reforço. Diante disso, Andréa é enfática ao recomendar a manutenção do uso de máscaras e do distanciamento interpessoal. Segundo ela, a discussão sobre o uso de máscaras só poderá ser feita quando esses percentuais forem atingidos e houver uma deliberação do governo sobre o tema.  Portanto, as recomendações seguem as mesmas. Confira: 

  • Opte por máscaras com maior poder de filtragem, como a PFF2, especialmente em viagens de avião; 
  • Não retire o equipamento durante o trajeto; 
  • Mantenha o distanciamento interpessoal; 
  • Em ambientes fechados, atente para a ventilação natural; 
  • Evite fazer refeições em lugares fechados; 
  • Procure andar com grupos pequenos, preferencialmente, que tenham convívio familiar; 
  • A máscara também precisa ser usada na beira da praia. Nesses casos, leve mais de uma para trocar conforme elas forem ficando úmidas. 
 
 
 
 
 
 
 
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