Cansativa, de alta qualidade, mas incompleta: como professores avaliam a primeira parte da prova do Enem - Notícias

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Exame do Ensino Médio22/11/2021 | 09h32Atualizada em 22/11/2021 | 09h32

Cansativa, de alta qualidade, mas incompleta: como professores avaliam a primeira parte da prova do Enem

Teste não abordou pautas como a ditadura militar, mas trouxe questões sobre temas sociais

Cansativa, de alta qualidade, mas incompleta: como professores avaliam a primeira parte da prova do Enem Anselmo Cunha / Agencia RBS/Agencia RBS
Provas de redação, linguagens e ciências humanas foram aplicadas neste domingo na Capital Foto: Anselmo Cunha / Agencia RBS / Agencia RBS
Jéssica Rebeca Weber
Jéssica Rebeca Weber

jessica.weber@zerohora.com.br

A primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se mostrou, mais uma vez, um teste de resistência física e mental. Segundo os professores ouvidos por GZH, as provas de redação, linguagens e ciências humanas, aplicadas neste domingo (21) em todo o Brasil, foram, no geral, bem cansativas.

O tema da Redação já foi bem exigente: pedia um texto dissertativo-argumentativo com até 30 linhas sobre "invisibilidade e registro civil, garantia de acesso à cidadania no Brasil". E os enunciados das questões de Linguagens não aliviaram para o estudante. 

— Estava um pouco mais tensa do que as anteriores, com muitas questões com texto longo e, mesmo aquelas que demandavam interpretação mais visual, com tirinhas ou charges, não estavam tão simples — avalia Francis Madeira,  professor e coordenador pedagógico do pré-vestibular Fleming Medicina. 

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Diante de uma preocupação dos educadores com a suposta intervenção do governo na elaboração da prova — o presidente chegou a falar, na última semana, que a prova estaria “mais a cara do governo” —, Madeira opina que a equipe do Inep foi “bem inteligente nas escolas das questões” e acrescenta:

— Talvez o governo não goste de algumas questões que estão lá. 

Ele destaca a canção Admirável Gado Novo, do cantor Zé Ramalho, citada em uma das questões, fazendo relação com a passividade social. O uso da letra da música que diz, no refrão, “ê, oô, vida de gado; povo marcado; povo feliz” já gerou memes nas redes sociais, fazendo referência ao apelido que críticos do governo colocaram nos seguidores de Bolsonaro. 

Madeira também cita uma questão sobre a utilização de um instrumento chamado matraca, peça de madeira com uma plaqueta ou argola que se agita de forma barulhenta em torno de um eixo, que era usada para chamar atenção e divulgar informações não fidedignas em lugares em que não havia imprensa. Essa, segundo ele, abordava o assunto das fake news. 

O professor também destaca um bom número de questões atreladas ao racismo e questões relacionadas a feminismo. 

— Mesmo sem citar essa palavra, dava para entender que as pautas em torno da igualdade de gênero e racial estavam presentes. 

Mas para Mauricio Borsa, professor de História do Método Medicina, ainda houve temas importantes que não apareceram. Ele lamenta que não houve menção nenhuma à ditadura militar no Brasil e que tenham faltado referências a problemas na relação entre o estado e o cidadão desde a Constituição de 88 e a críticas à sociedade patriarcal, por exemplo. 

— Veio no padrão das últimas duas. Temas sensíveis da História do Brasil não apareceram, mas isso não mexe no equilíbrio da prova. Ela vem dentro dos padrões do edital — acrescenta. 

No próximo domingo (28), os candidatos terão cinco horas para responder as questões das provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e Matemática e suas Tecnologias. 

 
 
 
 
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