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Coluna da Maga08/11/2021 | 15h07Atualizada em 08/11/2021 | 15h07

Magali Moraes e os balões pós aniversário

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e os balões pós aniversário Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Encerraram-se os aniversários aqui em casa, agora só em abril do ano que vem recomeça o ciclo de encher balões, assoprar velinhas e o que mais inventarmos. Haja pulmão e cordão pra pendurar. Temos o hábito de decorar a sala pra que o dia seja mais alegre. Cantamos parabéns pro aniversariante, uma janta diferente é programada. Pequena comemoração onde só os balões aglomeram. Acordar na manhã seguinte e ainda encontrar a casa decorada dá uma esticadinha no clima festivo. 

Mas chega uma hora em que os balões precisam sair de cena. De repente, eles perdem o prazo de validade. Ficam deslocados na rotina. Sempre penso em pegar tudo e doar pra uma creche ou asilo. Geralmente falta tempo pra fazer isso. E tem mais. Alguns balões já estouraram sozinhos, outros murcharam e o cheiro de borracha se torna enjoativo. Ainda valeria a pena doar ou seria presente de grego? Meu fim de festa vai fazer a alegria de alguém que mereceria balões bem cheios e bonitos?

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Faca

Então vem o momento triste: bancar a serial-killer e matar um a um. Golpear os balões com a ponta da faca de um jeito rápido e o menos barulhento possível, pra não assustar ninguém. Acho uma injustiça, sabe? Os mesmos balões que participaram da festa agora são tratados como inúteis, só ocupam espaço. Me sinto uma traidora por querer me livrar deles. Recolho seus restos mortais de cordão e borracha retorcida. Todo aquele colorido se desfaz. Nem dentro do lixo os balões conseguem mais alegrar.

Balões pós aniversário só permanecem faceiros, redondos e pomposos na nossa memória e no rolo de fotos do celular. Tenho dó especialmente dos balões de números, que marcam a idade do aniversariante. Eles inauguram um novo ciclo cheio de expectativas, deveriam ser tratados com mais respeito. Às vezes, duram semanas intactos. Depois furam e murcham. As velinhas também têm vida curta. São cúmplices dos desejos dos aniversariantes, e só ganham uma lambida antes de irem pro lixo. 


 
 
 
 
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