Moradores de rua têm sessão de cinema no Capitólio, em Porto Alegre - Notícias

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Inclusão 17/11/2021 | 21h49Atualizada em 17/11/2021 | 21h49

Moradores de rua têm sessão de cinema no Capitólio, em Porto Alegre

Os espectadores acompanharam uma série de cinco curta-metragens dirigidos e protagonizados por artistas negros, em alusão à Semana da Consciência Negra

A Cinemateca Capitólio recebeu, nesta quarta-feira (17), um público que, em sua maioria, não  frequentava qualquer sala de projeção há muitos anos. A sessão especial realizada no prédio do Centro Histórico da Capital reuniu cerca de 50 pessoas em situação de rua do município.

Os espectadores acompanharam uma série de cinco curta-metragens dirigidos e protagonizados por artistas negros, em celebração à Semana da Consciência Negra. O anúncio da temática, antes do início da sessão, foi festejado por parte dos frequentadores, que ergueram os braços em sinal de orgulho.

— Esse era o nosso objetivo, trazer para a tela a representatividade. Eles se enxergam — afirma Maria Angélica dos Santos, coordenadora do programa de alfabetização audiovisual do Capitólio.

Paulo Forlan, 47 anos, emendou uma pergunta retórica:

— Quando um pessoal de rua ia poder ir no cinema? É maravilhoso.

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Forlan vaga por Porto Alegre há mais de duas décadas, desde que deixou sua família pela dependência química. Questionado pela reportagem sobre a última vez em que acessou uma sala de cinema, ficou pensativo. Após alguns segundos de silêncio, soltou um “bah!”, e calculou ter tido experiência semelhante há quase 30 anos. 

— Meu filho tem 30, foi com ele, pra ver o Batman — estima. 

Inaugurada em 1928, a Cinemateca Capitólio ficou fechada durante a pandemia, reabrindo em julho, com capacidade limitada. Hoje, conta com 80 lugares intercalados, entre poltronas livres e bloqueadas.

Assim como o público pagante dos dias regulares, as pessoas em situação de rua tiveram de permanecer com a máscara de proteção tapando nariz e boca enquanto assistiam aos filmes. Alguns pareciam adormecidos, no conforto momentâneo.

Adriana Beatriz, 47 anos, se manteve de olhos atentos, cintilantes ao final do primeiro curta, celebrado por uma salva de palmas.

— Estou muito feliz  — garante.

A temperatura foi aferida no acesso. Todos estavam vacinados contra covid-19, com carteirinha apresentada à organização. Foram levadas até o cinema em um microônibus da prefeitura, a partir dos Centros Pop, onde puderam tomar banho e receberam um café da manhã. 

A Presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), Cátia Lara Martins acompanhou o grupo no cinema.

— Essas pessoas podem transpor a questão da rua, através do fortalecimento das ações e do pertencimento dos espaços públicos, que são de toda a cidade, nesses 250 anos de Porto Alegre.

A Administração do Capitólio e os Centros Pop participaram da organização.

 
 
 
 
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