Alta ocupação do Litoral Norte já anima comerciantes e setor hoteleiro; boom de movimento é esperado para o Réveillon  - Notícias

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Otimismo27/12/2021 | 10h47Atualizada em 27/12/2021 | 10h50

Alta ocupação do Litoral Norte já anima comerciantes e setor hoteleiro; boom de movimento é esperado para o Réveillon 

Profissionais alegam que perdas de períodos de restrições não serão recuperadas, mas comemoram a possibilidade de retomar patamares semelhantes aos de antes da pandemia

Alta ocupação do Litoral Norte já anima comerciantes e setor hoteleiro; boom de movimento é esperado para o Réveillon  André Ávila / Agencia RBS/Agencia RBS
Movimento já existe, mas "boom" é esperado para o Réveillon Foto: André Ávila / Agencia RBS / Agencia RBS

No primeiro verão do Litoral Norte com ao menos parte da população vacinada contra o coronavírus, comerciantes e empresários do setor hoteleiro e de alimentação recebem com otimismo a temporada 2021/2022 nas praias do Rio Grande do Sul. Se, por um lado, alegam que não serão recuperadas as perdas do período em que hotéis ficaram quase vazios e estabelecimentos operaram com restrição de horário, de outro, comemoram a possibilidade de voltar a patamares de atividade e de lucro semelhantes aos de antes de a covid-19 aparecer. 

 — Sabemos que os hotéis do Litoral Norte que não estão com 100% de lotação para este Réveillon estão com pelo menos 90% de ocupação. Eu mesma tenho dois hotéis que estão  lotados. Restaurantes, mercados, farmácias e as praias em si já estão com movimento expressivo. Acredito que teremos um boom mesmo a partir da segunda-feira (27) mas já estamos bastante contentes com o movimento  —  afirma a presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Ivone Ferraz. 

Percorrendo o Litoral Norte desde quinta-feira (23), a reportagem de GZH percebeu aumento expressivo no número de banhistas nas praias neste domingo (26) após o Natal. Pela areia, há milhares de pessoas pegando sol, jogando futebol, bebendo chimarrão e caipirinha. De acordo com Marcelo Ramos, secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Capão da Canoa, pesquisas feitas pela prefeitura apontam que não há mais reservas disponíveis na rede hoteleira para o Ano Novo, e o município se prepara para receber cerca de 700 mil pessoas na virada.  

Em funcionamento desde 1928, o Hotel Bassani, um dos mais tradicionais de Capão da Canoa, trabalha para deixar para trás a fase em que as reservas não ultrapassaram 50% de ocupação - o hotel tem 118 apartamentos - e em que o quadro de funcionários foi reduzido a um terço do habitual. O hotel é sazonal, funciona de outubro a março, e teve de fazer um esforço grande para se manter no último veraneio. Atualmente está lotado para o Réveillon e espera permanecer assim em janeiro, época em que chegam seus clientes mais fieis:  

 —  O hotel sempre trabalhou com 70% de ocupação de argentinos, vindos em grupos de turismo. Tem gente que se hospeda conosco há 50 anos. Com a pandemia, mudou toda a configuração. Os argentinos não vieram e nós trabalhamos só com 50% de ocupação geral. Agora, continuamos na expectativa de recebê-los, mas como a fronteira abriu tardiamente, eles são esperados para a primeira semana de janeiro, em número reduzido. A esperança é de que seja um verão legal pra nós — afirma a gerente Lissandra Emerin Bassani, neta do fundador e primeiro membro da terceira geração da família a gerir o estabelecimento. 

Economia na areia começa a engrenar 

Os últimos anos não tem sido fáceis para o quiosque da Família Silva, na praia de Capão da Canoa. Karina da Silva Petry, que é nora da proprietária, dona Eronilda da Silva, relata que, além da queda no movimento no último verão, por conta da pandemia, também houve o infortúnio da ressaca do mar, em fevereiro deste ano, ter danificado o quiosque. As escadas e o depósito foram arrancados da estrutura e levados pela água. Para esta temporada, o quiosque foi recuperado e as vendas já estão a todo vapor desde o início de novembro.  

 — O movimento está melhorando, nós não temos do que reclamar. Estamos vendendo muita porção de peixe, batatinha, milho, caipira, capeta. Só vamos fechar depois do Carnaval  — afirma a quiosqueira Karina.  

Os motores estão recém começando a esquentar para o casal que administra há 12 anos a sorveteria Gelfs de Atlântida, uma filial do famoso estabelecimento do centrinho de Capão. Abertos desde o dia 21 de dezembro, Rodrigo Zanoni e Elisete Pereira ainda esperam ver a sorveteria, que fica em uma localização menos central do que a sede, ficar lotada. Os empresários apostam suas fichas na virada do ano e no mês de janeiro para conseguir um bom rendimento.  

 —  Como o Natal deste ano caiu em um fim de semana, muitos não tiveram feriadão e ainda não conseguiram vir para a praia. Agora no Ano novo vamos ter uma noção maior de como vai ser o movimento, mas já estamos contratando um funcionário a mais para darmos conta da virada, que deverá ser o melhor momento pra nós  —  afirma Rodrigo. 

Este domingo (26) foi o primeiro dia de trabalho da temporada do vendedor de picolés Brendon Oliveira Rocha. Desde 2017, o trabalhador, hoje com 22 anos, percorre as praias gaúchas, conduzindo o carrinho e acionando a buzina verde para chamar atenção dos banhistas. As vendas estão animadoras, mas ele ainda encara o cenário com apreensão e expectativa.   

 —  O verão de 2019/2020 foi o meu melhor ano, mas confesso que não estou esperando grandes coisas desta temporada por causa do novo vírus  —  diz Brendon, referindo-se à variante Ômicron.  

Novo comportamento 

A temporada começou há pouco, mas já se pode observar mudanças no comportamento dos viajantes. De acordo com o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral Norte do RS, um dos fenômenos registrados é de que os hóspedes estão optando por permanecer na cidade por períodos mais extensos, o que beneficia comerciantes e locais de hospedagem.   

 —  Antes, as pessoas vinham na sexta-feira e voltavam domingo. Atualmente, estamos vendo um fluxo bem diferente. Elas vêm e ficam cerca de sete a 10 dias  —  afirma Ivone Ferraz. 

A dirigente atribui a mudança ao fato de as viagens ao Exterior estarem sendo menos frequentes para os brasileiros, pela alta do dólar e pelas regras para o controle da pandemia impostas a quem deseja entrar ou sair de diferentes países. Para ela, o tempo que não está sendo gasto fora do país parece estar sendo empregado em destinos locais. 

A administradora do Hotel Bassani corrobora com as percepções de Ivone e acrescenta uma outra mudança: os brasileiros estão se antecipando mais nas reservas. No Bassani, por exemplo, não há apartamentos disponíveis para o Revéillon desde outubro, algo que não costumava ocorrer. Ao que tudo indica, uma nova fase da economia no Litoral Norte se avizinha, alimentada por quem é daqui. 

 — No turismo, um serviço que tu deixou de prestar, tu não vende amanhã. Não vamos recuperar o que perdemos nos últimos anos, mas acredito que teremos, sim, um bom verão. Pra janeiro e fevereiro a expectativa é excelente, de muita movimentação no litoral e de ocupação dos hotéis em torno de 90%  —  afirma Lissandra. 

 
 
 
 
 
 
 
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