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Posso Entrar?17/12/2021 | 11h23Atualizada em 17/12/2021 | 11h23

Cris Silva: "Tinha a vontade e o conhecimento"

Colunista traz histórias inspiradoras de vida e trabalho todas as sextas-feiras

Cris Silva: "Tinha a vontade e o conhecimento" Agência RBS/Agência RBS
Cris Silva Foto: Agência RBS / Agência RBS

Sempre digo que a vida pode ser vista como um jogo de xadrez. Muitas vezes, por mais que a gente queira realizar algo, precisa ter estratégia. A história de hoje pode ser vista como uma partida de xadrez. Teve vontade de começar o jogo, estratégia para avançar no tabuleiro da vida e, claro, o xeque-mate deu um gostinho especial. 

Com vocês, Jaqueline de Souza Fraga, 39 anos, moradora do bairro Restinga, extremo sul da Capital, psicóloga e proprietária da clínica de saúde mental Espaço Vida.

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FOI ASSIM

“Foram oito anos na área de RH. Comecei como estagiária e fui crescendo. Trabalhava selecionando profissionais para grandes empresas. Mas sempre tive vontade de cursar Psicologia. Minha graduação foi paga parte com o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), parte com meu trabalho em RH. Eu já tinha certo que, após formada, queria trabalhar na área clinica no bairro onde nasci, Restinga.”

FOI DIFÍCIL

“Morava na Restinga, trabalhava na Zona Norte e estudava na Ulbra de Gravataí. Ganhava carona de todo mundo pra voltar pra casa. Minha mãe esperava na parada à meia-noite. No inverno, chegava chorando, com fome, e ela esperava com uma água quentinha pra eu colocar meus pés, que doíam de frio. Foi muito sofrido, muitas pessoas me ajudaram. Meu pai morreu de câncer em 4 de janeiro de 2013, e eu me formei no dia 19 de janeiro de 2013.”

Sempre digo para as minhas amigas que a vida pode ser vista como um jogo de xadrez. Muitas vezes, por maior que seja a ansiedade para realizar algo, a gente precisa ter uma estratégia. Parar, respirar e pensar antes de dar o próximo passo. A história de hoje pode ser vista como uma partida de xadrez. Teve vontade de começar o jogo, teve estratégia para conseguir avançar no tabuleiro da vida e, claro, o xeque-mate deu um gostinho todo especial. Com vocês, Jaqueline de Souza Fraga, 39 anos, moradora do bairro Restinga, extremo sul da Capital, psicóloga e proprietária da clínica de saúde mental Espaço Vida.<!-- NICAID(14970022) -->
Sonho realizadoFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

ANJOS QUE APARECEM

“Quando conclui a graduação, pensei: ‘Agora deu de RH, vou para a clínica’. Mas tinha vontade e conhecimento. Tentei com uma pessoa que já atendia na Restinga, mas ela não topou. Aí lembrei da Rozeli, da ONG Renascer da Esperança, fui lá e me apresentei. Contei que queria atender crianças. Ela abriu a porta de uma sala e disse: ‘Pode entrar e começar a trabalhar’.”

EU COMECEI

“Corri, comprei materiais e comecei na área clínica tão sonhada, atendendo as crianças da ONG de forma voluntária. Aprendi mais com elas do que elas comigo. Atendimentos que vinham de fora, fazia um valor simbólico para poder me manter. Por um ano, realizei um bom trabalho. E precisava de mais horários e de um espaço maior. Então, a Rozeli disse ‘Vai que o mundo é teu’. Chorei e fui, com o coração na mão e uma eterna gratidão.”

XEQUE-MATE

“Aluguei uma sala em um prédio da Restinga, onde eu poderia trabalhar aos sábados, atendendo quem não podia durante a semana. Sempre entendi que, sozinha, não fazemos nada. Queria uma equipe interdisciplinar. Procurei primeiro uma fonoaudióloga e ganhei a Bianca, um presente da vida, que está comigo há oito anos. Junto com ela vieram mais 11 mulheres.”

CAMINHO

“Quero seguir trabalhando com crianças, para que se tornem adultos melhores. Mesmo em um bairro periférico como o que cresci, se tivermos bom valores, amor, educação e objetivos claros, podemos ter um futuro digno e com sucesso. Hoje, mostro para eles, mesmo os mais desacreditados, que podemos ser o que a gente quiser. Estudei em escola pública sempre.”

Quem quiser saber mais sobre o Espaço Vida pode acessar o Instagram @espacovidamulti.


Recado da Cris

“Para vencer na vida, não adianta ter a faca e o queijo na mão. É preciso ter fome!”


 
 
 
 
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