Magali Moraes: boa e má notícia - Notícias

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Coluna da Maga17/12/2021 | 09h00Atualizada em 17/12/2021 | 09h00

Magali Moraes: boa e má notícia

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: boa e má notícia Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Já que é final de ano, bem que a gente podia combinar de tirar pra sempre do nosso vocabulário uma expressão que não ajuda em nada. Essa aí do título da coluna. Pra começar 2022 com mais positividade, sabe assim? Olha quanta evolução aconteceu desde que nos apontaram várias palavras racistas e preconceituosas que repetíamos sem saber seu real significado, como criado-mudo, denegrir, feito nas coxas, da cor do pecado (tudo remete à escravidão, dá um Google pra ver). 

Essa não é tão grave, mas incomoda. Sempre que alguém chega e diz "Tenho uma boa e uma má notícia…", eu fico tensa. A criatura passa pra gente a decisão de sofrer antes ou depois, como se adiantasse alguma coisa. Se escolhemos primeiro a boa notícia, quem consegue comemorar direito? A cabeça já tá se preparando pra receber a bomba que vem logo a seguir. Por outro lado, ao escolher primeiro a má notícia, se for muito ruim lá se foi o nosso ânimo pra curtir a parte boa depois.  

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Intermediário

É polarizar demais, você não acha? Ou é boa ou é má. Por que não algo intermediário? Duas notícias razoáveis? Agora o que eu adoraria ouvir: "Tenho uma notícia boa e uma melhor ainda, ótima, maravilhosa, incrível!". Ou então nem cria expectativas, diz que são duas notícias (deixa a gente avaliar se é boa, complicadinha, ruim ou meia-boca). Quer fazer o papel de mensageiro? Decide tu mesmo o que vai falar, bota na ordem menos traumática e se coloca no lugar do outro.

É por tudo isso que te convido a repensar o uso dessa expressão (torcendo pra que ela caia no esquecimento). Tenho um exemplo super bom de como reverter um termo negativo. Algumas madrastas preferem uma versão mais positiva de si mesmas e criaram o termo boadrasta. Elas se consideram próximas dos seus enteados, mesmo não sendo suas mães também se dedicam e participam de suas vidas. É a prova de como a humanidade evolui, enquanto algumas palavras perdem o prazo de validade.


 
 
 
 
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