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Espaço de solidariedade01/12/2021 | 05h00Atualizada em 01/12/2021 | 05h00

ONG de incentivo a doações de órgãos e tecidos conquista novo prédio para pousada

Entidade oferece casa de hospedagem gratuita em Porto Alegre a pessoas de baixa renda pré e pós-transplante e a seus acompanhantes; o próximo passo é a reforma

ONG de incentivo a doações de órgãos e tecidos conquista novo prédio para pousada Mateus Bruxel / Agencia RBS/Agencia RBS
Com novo espaço, a ONG Via Vida poderá realizar mais atendimentos, destaca a presidente Lucia Elbern Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS / Agencia RBS

É buscando diminuir a lista de espera por transplantes que a ONG Via Vida, de Porto Alegre, tem atuado desde 2000 e, recentemente, conquistou um espaço onde poderá ampliar seu trabalho. No último dia 11, uma cerimônia marcou a entrega das chaves de um imóvel da prefeitura à entidade. No local, será possível expandir a iniciativa da pousada Solidariedade — uma casa de hospedagem gratuita que recebe pessoas de baixa renda de todo o país, em situação de pré e pós-transplante, e acompanhantes.

Das áreas de trabalho da Via Vida, é no braço assistencial que o novo espaço irá impactar. Atualmente, a ONG tem a pousada em uma casa alugada na Rua São Mateus, no bairro Jardim do Salso. O local cedido, por tempo indeterminado, pela prefeitura fica na Avenida Taquara, no bairro Petrópolis. Como relata a presidente da Via Vida, Lucia Elbern, a mobilização se deu a partir da primeira-dama Valéria Leopoldino, que conheceu a ONG e buscou uma forma de ajudar. 

Porto Alegre, RS, Brasil, 25-11-2021: Prédio cedido pela prefeitura à ONG Via Vida, no bairro Petrópolis, para expandir a iniciativa da pousada Solidariedade, que oferece hospedagem gratuita a pessoas de baixa renda de todo o país, em situação de pré e pós-transplante, e a acompanhantes. Na foto, Lúcia Elbern, diretora da ONG Via Vida.  (Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS)Indexador: Mateus Bruxel<!-- NICAID(14950522) -->
Obra deve incluir colocação de divisórias entre quartosFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

— Nós vamos poder receber mais pessoas e não vai ser necessário pagar aluguel, então isso já dá uma ajuda bem significativa — explica Lucia.

Reformas

No espaço utilizado hoje, segundo ela, é possível receber até 20 pessoas, mas por conta da pandemia a ocupação teve de ser reduzida.

Para começar a usar o imóvel cedido pela prefeitura, são necessárias reformas. Uma empresa está encarregada de fazer o projeto inicial. Na sequência, a ONG partirá em busca de parceiros para custear a obra. Como descreve Lucia, a colocação de divisórias para os quartos é uma das mudanças a serem feitas. A expectativa da presidente da entidade é de que a pousada no novo endereço esteja pronta até o final de 2022. 

Do interior da Paraíba

Vindos de São José da Lagoa Tapada, município do interior da Paraíba, Simone dos Santos Ramos e seu filho, Gustavo Ramos Batista, 13 anos, conhecem a pousada desde 2016. Na ocasião, o menino foi a uma consulta em Porto Alegre e, devido à gravidade do seu quadro clínico, ficou internado. Ainda naquele ano, Gustavo recebeu um transplante de rins e, desde então, junto à mãe, ele volta à capital gaúcha de meses em meses para exames de revisão. Na maior parte das vezes, os dois se hospedam na pousada Solidariedade.

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL,  24/11/2021- É buscando diminuir a lista de espera por transplantes que a ONG Via Vida tem atuado desde 1999 e, recentemente, conquistou um espaço onde poderá ampliar o trabalho que já vem realizando. No último dia 11, uma cerimônia marcou a entrega das chaves de um imóvel da prefeitura à entidade, onde será possível expandir a iniciativa da pousada Solidariedade, uma casa de hospedagem gratuita a pessoas de baixa renda de todo o país, em situação de pré e pós-transplante, e a acompanhantes. Na foto, (mãe)Simone, 35 anos ao lado de Gustavo, 13 anos(filho).  Foto: Lauro Alves  / Agencia RBS<!-- NICAID(14949483) -->
Atualmente, Simone e Gustavo (na foto, na pousada Solidariedade) voltam a cada três meses para Porto AlegreFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

— Tem gente de vários lugares, então um vai se apoiando no outro, porque, como a gente está em casa de apoio, vem tudo na mesma situação e vai tendo aquele laço de família — percebe Simone.

Gustavo conta que o que mais gosta de fazer no local é jogar futebol: seja no videogame, seja com a bola no pátio.

Assim como estadia e alimentação, na pousada, a ONG oferece gratuitamente oficinas e apoio pedagógico e psicológico. Os hóspedes são indicados por assistentes sociais de hospitais transplantadores da Capital, que fazem uma análise socioeconômica das pessoas na lista de transplante, em revisão ou no pós-operatório. Aquelas que não têm condições financeiras de se manter em Porto Alegre são encaminhadas à casa de hospedagem.

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Incentivo à doação

Quando um de seus filhos entrou na fila de espera para transplante, em 1999, Lucia percebeu o quão complicado era estar nessa lista e decidiu se mobilizar. Junto a familiares e outras famílias, passou a divulgar materiais sobre o tema em locais como sinaleiras e shoppings. 

Hoje, a ONG segue com o trabalho educacional e também realiza distribuição de cestas básicas mensalmente a famílias de baixa renda de Porto Alegre que tenham pessoas com transplante. De 25 a 30 famílias são atendidas. Além do aspecto assistencial, Lucia resume o propósito da Via Vida em dois enfoques:

— Para que mais pessoas se coloquem positivamente frente à doação de órgãos e mais pessoas cuidem dos seus diversos órgãos.

A entidade é mantida por doações e a maior parte do trabalho é feita por voluntários. Para colaborar, é possível entrar em contato pelo telefone (51) 3333-4519, pelas redes sociais ou pelo site viavida.org.br. Entre os dias 6 e 10 de dezembro, das 10h às 18h, a equipe também estará fazendo um brechó na Avenida Ipiranga, nº 40, no bairro Praia de Belas, para arrecadar fundos.

Como funciona a lista de espera?

/// Segundo dados da Secretaria da Saúde, 2.370 pessoas aguardavam por transplante de algum órgão ou tecido no Rio Grande do Sul em outubro.

/// Coordenador da Central Estadual de Transplantes, o médico Rafael Rosa explica que a fila de espera é dinâmica: para cada doação que surge, é gerada uma lista de receptores com base em critérios como tipagem sanguínea, tamanho do órgão, compatibilidade, tempo de espera e gravidade do caso.

/// No caso de órgãos, a doação é possível quando há morte cerebral, em que a pessoa falece, mas seus órgãos são mantidos por aparelhos, esclarece o especialista.

/// Para ser doador, não é preciso deixar nada por escrito; basta ter uma conversa com a família.

Produção: Isadora Garcia

 
 
 
 
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