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Vidas secas04/01/2022 | 08h39Atualizada em 04/01/2022 | 08h40

Estiagem deixa 5,4 mil famílias sem acesso à água no RS

Governo do Estado faz reunião para discutir ações e prioriza abastecimento de comunidades mais castigadas pela escassez de chuva

Estiagem deixa 5,4 mil famílias sem acesso à água no RS Francieli Nava / Divulgação/Divulgação
Açude seco no interior de Espumoso retrata de uma das mais severas estiagens que assola o Rio Grande do Sul desde 2005 Foto: Francieli Nava / Divulgação / Divulgação

Com 5.475 famílias sem acesso a qualquer fonte de água por causa da estiagem que castiga propriedades rurais no Rio Grande do Sul, autoridades discutiram nesta segunda-feira (3) a adoção de um plano de emergência. No primeiro momento, 80 reservatórios estão sendo distribuídos aos municípios em situação mais severa. Outros tanques semelhantes, cada um com capacidade para armazenar 4,2 mil litros, devem ser adquiridos nos próximos dias.  

A prioridade é atender à necessidade de água para consumo humano e animal. Essa foi a principal definição de um encontro que reuniu, no Palácio Piratini, técnicos da Defesa Civil, da Emater/RS e das secretarias de Obras, da Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde.  

— São pessoas que não têm água potável para beber. Precisamos socorrê-las o mais rápido possível — afirma o coordenador da Defesa Civil, coronel Júlio César Rocha Lopes.  

Durante a reunião, ficou claro para os participantes que o Estado está enfrentando a pior seca dos últimos 17 anos. Em 2005, 9,5 milhões de gaúchos sofreram com a escassez de chuvas. O campo perdeu 6,3 milhões de toneladas nas safras de soja, milho, arroz e feijão, levando 447 municípios – de um total de 497 – a decretar situação de emergência. 

Agora, 110 municípios decretaram emergência até a tarde desta segunda-feira. Conforme dados apresentados na reunião pela Emater, a seca já atingiu 6.340 localidades, disseminando prejuízos em 138.854 propriedades rurais, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.  

Por enquanto, as culturas de milho e soja são as mais atingidas, com 101,4 mil produtores relatando perdas. Além da falta de água, os animais são castigados pela fome, uma vez que as pastagens estão morrendo por causa das altas temperaturas.

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Leito do Arroio Tamanduá, em Segredo, secou por causa da seca, se transformando num caminho estreito de terra e pedrasFoto: Lisandra Merguen / Divulgação

— Depois de 2005, este é o ano mais complexo. Lá, uma estiagem emendou na outra, algo que está se repetindo agora. Os dados que apresentamos expressam o tamanho do buraco da seca e não há perspectiva de um volume uniforme de chuva no curto prazo — alerta o diretor-técnico da Emater, Alencar Rugeri.  

Na tentativa de mitigar os efeitos da seca, a Secretaria da Agricultura deslocou para as regiões mais críticas quatro máquinas de perfuração de poços. Segundo a secretária Silvana Covatti, a partir da próxima semana, começam a ser liberados parte dos R$ 201 milhões do programa Avançar destinados à irrigação. Outras ações devem ser discutidas nesta terça-feira (4) com o governador Eduardo Leite.   

Silvana deixou mais cedo a reunião com os técnicos do governo para conversar com o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Guilherme Bastos Filho. 

— Não para de chegar pedido. Agora que viramos o ano e já temos à disposição o orçamento de 2022, vamos dar início às licitações para contratar empresas de perfuração de poço, construção de açudes e cisternas. A principal preocupação é levar água às pessoas e aos animais. Ao ministério, pedi ampliação do prazo para o plantio de soja, alongamento e renegociação dos financiamentos de custeio e investimento. Na quarta-feira (5), converso com a ministra Tereza Cristina e quem sabe já tenho alguma resposta — diz Silvana.

 
 
 
 
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