Hospitais de Porto Alegre têm mais de 400 profissionais afastados por covid-19 - Notícias

Versão mobile

 
 

Levantamento07/01/2022 | 08h56Atualizada em 07/01/2022 | 08h57

Hospitais de Porto Alegre têm mais de 400 profissionais afastados por covid-19

Primeiros dias de 2022 registram crescimento de empregados da saúde sem trabalhar pela infecção, mas ainda em números inferiores aos picos da pandemia de 2020 e 2021

Hospitais de Porto Alegre têm mais de 400 profissionais afastados por covid-19 Félix Zucco / Agencia RBS/Agencia RBS
Grupo Hospitalar Conceição registrou 20 casos positivos para covid-19 em um dia de janeiro entre seus funcionários Foto: Félix Zucco / Agencia RBS / Agencia RBS

O avanço da variante Ômicron está causando aumento no número de profissionais afastados do trabalho nos principais hospitais de Porto Alegre. Dados dos dias 4 e 5 de janeiro, fornecidos pelas instituições de saúde, mostram que pelo menos 408 profissionais estão em isolamento e afastados das atividades, após testarem positivo ou serem classificados como casos suspeitos para a covid-19. O número inclui empregados de todos os setores hospitalares de sete das principais instituições do ramo, que responderam ao questionamento da reportagem.

O levantamento de GZH indica que, sobretudo no Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), os dois de referência para a pandemia na Capital, os primeiros dias de janeiro de 2022 foram de crescimento de trabalhadores fora de combate em comparação com dezembro do ano passado. Contudo, os números são inferiores aos registrados nos picos da pandemia em 2020 e 2021. Por isso, o quadro é considerado merecedor de atenção, um sinal amarelo aceso, mas ainda não é grave a ponto de comprometer o atendimento aos pacientes, garantem as instituições.

O caso do GHC é ilustrativo. O grupo está com 75 profissionais afastados pela covid-19, o que ainda fica abaixo dos 300 que estiveram nessa condição em março de 2021, e dos cerca de 600 de março de 2020. A questão que preocupa é a aceleração em janeiro: somente no dia 3, pós-festas de final de ano, o GHC testou 19 dos seus funcionários positivamente e os mandou para o isolamento. Em todo o mês de dezembro de 2021, a instituição havia detectado 20 trabalhadores positivos. Ou seja, um dia equivaleu a um mês inteiro, o que acendeu o alerta. 

— O aumento é considerável e o quadro inspira cuidados. Ainda é cedo para fecharmos uma análise se é por causa da Ômicron, se é uma nova onda e ou foram as festas de final de ano. Hoje não há risco de desassistência (ao paciente), mas, na semana que vem, se prosseguir nesse ritmo, com média de 20 afastamentos ao dia, poderemos começar a ter problemas — diz Cláudio Oliveira, diretor-presidente do GHC. 

No HCPA, são 54 afastados no momento, número inferior ao já registrado em outros períodos, comunica a instituição. Os sintomas dos profissionais isolados nesse momento são mais leves do que nos anteriores, informa o HCPA. No entanto, o patamar numérico é superior ao de dezembro, quando a média foi de 10 afastamentos simultâneos entre os colaboradores. 

— Felizmente, os casos têm sido leves, sem crescimento nas hospitalizações e óbitos. O que chama a atenção é a aceleração de casos, que está sendo grande. A preocupação é que ocorra falta de mão de obra nos hospitais. Mesmo que seja na forma leve, o positivo precisa do isolamento e deixa seu posto de trabalho vago — comenta Eduardo Trindade, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).

Ele chama a atenção para o fato de que eventual carência profissional não afetaria somente os setores de atendimento covid-19, mas também as emergências, cirurgias gerais e outros.  

Trindade avalia que, para conter o eventual risco de desassistência, o ideal seria brecar a alta de contaminações e ampliar os programas de testagem, para retirar, o quanto antes, de circulação os positivados.  

A vacinação é apontada como responsável por manter em baixa as hospitalizações e óbitos em tempos de variante Ômicron. Antes da imunização em massa, havia afastamentos do trabalho por períodos longos porque infectados desenvolviam formas graves da doença, necessitavam de internação e recuperação. Agora, com sintomas leves, o isolamento é de poucos dias — de cinco a sete no HCPA e de cinco no GHC a partir desta sexta-feira (7).  

— A vacinação evitou as formas graves da doença que acarretariam maior tempo de afastamento — afirma Trindade.

Nas instituições privadas, a situação é mais estável. O Hospital Moinhos de Vento está com 56 empregados afastados. Entre junho de 2020 e março de 2021, a entidade registrou a média de 65 novos casos de covid-19 entre funcionários por quinzena. Nesta primeira semana de 2022, foram 13 novos casos. “Estamos trabalhando com números inferiores a outros períodos da pandemia”, registrou, em nota, a instituição.

O quadro do Hospital Mãe de Deus é indicativo da alta de afastamentos — são 54 profissionais inativos simultaneamente no dia 6 de janeiro. Em todo dezembro de 2021, foram 140 afastados. 

Consultada sobre a situação nas redes de postos e hospitais municipais, a Secretaria da Saúde de Porto Alegre informou que ainda não dispõe de dados de afastamentos de janeiro.

Confira a situação de cada hospital

Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)

  • 54 funcionários afastados por covid-19 atualmente, dentre um total de cerca de 6,9 mil servidores. Os afastados representam 0,78% do quadro
  • HCPA diz, via assessoria de imprensa, que os empregados afastados simultaneamente estão em menor número agora se comparados com as ondas da pandemia em 2020 e em 2021
  • UBS Santa Cecília, vinculada ao HCPA, não há registro de profissionais afastados pela covid-19
  • Embora os números sejam menores em comparação a outros picos da pandemia, eles também mostram aumento dos casos no curto prazo. Em dezembro passado, o HCPA anotou uma média de 10 afastamentos simultâneos entre seus colaboradores. Agora, na primeira semana de 2022, o quantitativo de afastados pulou para 54  

Grupo Hospitalar Conceição (GHC)

  • 75 empregados afastados por covid-19 atualmente, dentre um total de cerca de 9,6 mil servidores. Os afastados representam 0,78% do quadro
  • O indicador de 75 empregados afastados é menor do que o registrado pelo GHC em outros períodos críticos da pandemia. Em março de 2021, a instituição chegou a registrar o afastamento de 250 a 300 funcionários por testarem positivo para covid-19. A partir de abril, diz Cláudio Oliveira, diretor-presidente do GHC, os afastamentos “diminuíram consideravelmente” com o avanço da vacinação
  • Em março de 2020, o GHC alcançou cerca de 600 empregados afastados. Isso ocorreu porque, naquela época, o protocolo era diferente. Não era necessário testar positivo. Sintomas gripais causavam o afastamento automático por cinco dias, o que levou o número de empregados sem trabalhar para a marca dos 600. Depois, o protocolo foi modificado: o afastamento passou a ocorrer após o teste positivo
  • Embora os números sejam menores em comparação a outros picos da pandemia, eles também mostram aumento dos casos no curto prazo. Em todo o mês de dezembro de 2020, o GHC contabilizou 20 casos positivos de covid-19 entre os seus funcionários. Somente na segunda-feira, dia 3 de janeiro de 2022, a instituição registrou 19 empregados com teste positivo para o coronavírus

Hospital Moinhos de Vento (HMV)

  • 56 empregados afastados. Deste total, 13 testaram positivo para covid-19 e estão em isolamento. Outros 35 estão aguardando o resultado de exames e oito receberam teste negativo para o vírus, mas estão com sintomas persistentes
  • A média de novos casos entre colaboradores é menor neste momento em comparação com períodos anteriores da pandemia, o que a direção do hospital atribui à imunização. De junho de 2020 a março de 2021, o HMV manteve média de 65 novos casos de covid-19 entre funcionários por quinzena. Na primeira semana de 2022, foram registrados 13 novos casos. “Estamos trabalhando com números inferiores a outros períodos da pandemia”, registrou, em nota, o HMV
  • O hospital diz que os afastamentos geram necessidade de remanejo e ajustes de carga de trabalho, mas assegura estar preparado para manter atendimento “com alta qualidade”

Hospital Mãe de Deus

  • 54 profissionais afastados no momento. Deste total, 47 testaram positivo
  • Em todo mês de dezembro de 2021, o Mãe de Deus registrou 140 afastamentos de empregados pela covid-19. Agora, na primeira semana de janeiro de 2022, o número já chega a 88
  • Na primeira semana de janeiro de 2022, somou-se mais da metade dos casos positivos de todo o mês anterior entre os trabalhadores

Hospital Ernesto Dornelles

  • 43 profissionais afastados atualmente. Dados do dia 5 de janeiro indicam que, do quadro total de isolados, dois empregados testaram positivo para a covid-19 e os outros 41 são casos suspeitos
  • Coordenador do Departamento de Recursos Humanos do hospital, Eduardo Franceschi diz que o atual volume de afastamentos do trabalho não causa impacto na rotina e prejuízo ao paciente
  • Franceschi informa que o número de profissionais em isolamento no Hospital Ernesto Dornelles se mantém estável desde os últimos dois trimestres de 2021

Hospital São Lucas da PUCRS

  • 51 profissionais afastados no momento. Do número total, 24 testaram positivo para a covid-19 e 27 estão isolados preventivamente
  • Em nota, o hospital informou que, “por se tratarem de profissionais de diversos setores e cargos, não há comprometimento na rotina de atendimentos”
  • O Hospital São Lucas ainda afirmou que o volume de afastamentos de janeiro por covid-19 "é muito maior do que nos últimos dois meses, porém, ainda abaixo do pico de casos de março e abril de 2021"

Santa Casa de Misericórdia

  • 75 profissionais afastados no momento. Do número total, 33 testaram positivo e outros 42 foram dispensados das atividades após apresentarem sintomas
  • A instituição informou, em nota, que o volume atual de afastamentos, se comparado com o registrado em 2021, "mostra uma equivalência nos números, refletindo a consequência das comemorações de final de ano"

Secretaria Municipal da Saúde (SMS)

  • No momento, por questões de abastecimento de sistemas de informação, a pasta dispõe apenas dos dados de dezembro de 2021
  • Em dezembro de 2021, foram três casos de covid-19 na SMS, informa a assessoria de imprensa da pasta. Dois deles foram de médicos do Hospital Municipal Instituto Presidente Vargas (HMIPV) e uma técnica de enfermagem em UBS
  • Ainda durante o mês de dezembro de 2021, 41 servidores da SMS foram afastados por suspeita de covid-19, mas tiveram resultado negativo para os testes  
  • Os dados de janeiro de 2021 devem estar disponíveis somente no mês de fevereiro

*Colaborou Francine Silva


/p>
 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros