Magali Moraes e o berçário de passarinhos - Notícias

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Coluna da Maga07/01/2022 | 09h01Atualizada em 07/01/2022 | 09h01

Magali Moraes e o berçário de passarinhos

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e o berçário de passarinhos Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Sou guria da cidade, me criei nesse mundaréu de concreto e de barulhos nada agradáveis como sirenes de ambulância, buzinas e britadeiras. Mesmo morando em um bairro bem servido de passarinhos (e caturritas), nem sempre eu escuto suas cantorias. Parece que o ouvido da gente fica mais treinado pra identificar o som das constantes notificações do celular do que o dos pássaros. Consigo ouvir à distância a musiquinha que a lava-roupas toca quando termina o ciclo da lavagem.

Mas nada como passar bastante tempo na praia pra prestar atenção em outros ruídos bem mais gostosos de ouvir. Me acostumei com o farfalhar das folhas de bananeira (elas são grandes e criam toda uma melodia em dias de vento). O barulho do mar é o meu preferido. Quando você estiver na beira-mar, faça o exercício de isolar todos os outros sons ao redor (inclusive a corneta do sorveteiro e as caixas de som berrando) pra se concentrar na trilha sonora que as ondas criam ao se movimentarem. 

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Pulmões

Acho que na praia os passarinhos cantam com mais vontade, sei lá. Entra ar mais puro nos seus pulmões. Ou somos nós que recuperamos habilidades perdidas. A cantoria dura o dia inteiro pra quem se dispuser a ouvir. Baixa o volume da TV, que na mãe natureza tá sempre rolando um The Voice com inúmeros cantores que ainda voam! A minha rua é quase um berçário de novos talentos: as vizinhas literalmente alimentam essa gurizada de asas, garantindo a cantoria futura e a sensação de paz.

Diversos montinhos de alpiste são colocados nas frentes das casas, e os passarinhos chegam de bando. Alguns minúsculos e desajeitados, que rapidamente aprendem o caminho do banquete. Quando penso que vai ficar sujeira na rua, eles já devoraram tudo. E assim vão ganhando corpo e reforçando suas cordas vocais. Do alto dos telhados e árvores, ouvimos a cantoria. Parece um coral, às vezes um trinado se destaca. Praia e alpiste, o combo perfeito pra recuperar a audição.


 
 
 
 
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