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Coluna da Maga31/01/2022 | 09h00Atualizada em 31/01/2022 | 09h00

Magali Moraes: novo velho português

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: novo velho português Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Não posso deixar esse janeiro terminar sem antes lembrar você como era o nosso português antes do novo acordo ortográfico. A gente escrevia lingüiça, pingüim, cinqüenta, tranqüilo, freqüência. Alguém com saudade da trema? Eu não, quase não achei no teclado do computador os dois pontinhos pra colocar em cima do “u”. Esse acordo foi criado em 2009 pra unificar a grafia das palavras nos países de língua portuguesa, mas só passou a valer oficialmente pra nós em janeiro de 2016. 

Há sete anos virou lei, sem falar que estamos praticando a nova ortografia há mais de uma década. Ou seja, tivemos tempo suficiente pra nos acostumar com as mudanças e decorar as novas regras. Então por que a língua portuguesa continua sendo sacrificada com tantos erros por aí? Mesmo com a facilidade do corretor automático pra quem escreve no computador, se lê cada barbaridade. Tem preguiça e má vontade. Se surgir alguma dúvida, pesquisar não vai tirar pedaço de ninguém. 

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Pegadinhas

Eu pesquiso sempre, e não estou livre de erros. Especialmente com o hífen, que adora fazer pegadinhas. Era microondas, agora é micro-ondas (e a comida esfria se a gente questionar). Vai fazer ultra-som ou ultrassom? Melhor confiar no resultado do segundo. Caso o médico indique anti-inflamatório, que seja assim com hífen (por mais que pareça um exagero de “is”). Todo mundo gosta de fazer selfie, né? E se fosse autorretrato (o certo), teria o mesmo sucesso que a versão americanizada? 

O acordo nem é mais novo, mas seguimos aprendendo como se fosse. É um eterno reeducar (sem hífen). Fora os acentos que caíram fora. A língua precisa mesmo evoluir de tempos em tempos pra simplificar e acompanhar as mudanças de comportamento. Senão ainda estaríamos escrevendo pharmacia, theatro, telephone e philosofia. Dôr de cabeça (assim com circunflexo) hoje em dia dá uma dor na gente. Idem escrever voçê com cedilha.


 
 
 
 
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