RS tem recorde de casos em janeiro, mas número de óbitos é 22 vezes menor do que no auge da pandemia - Notícias

Versão mobile

 
 

Covid-1902/02/2022 | 09h00Atualizada em 02/02/2022 | 09h01

RS tem recorde de casos em janeiro, mas número de óbitos é 22 vezes menor do que no auge da pandemia

Menor letalidade da Ômicron e alta cobertura vacinal, superior à do Reino Unido e próxima à da Alemanha, evitaram escalada de óbitos

RS tem recorde de casos em janeiro, mas número de óbitos é 22 vezes menor do que no auge da pandemia Jonatan Sarmento / Arte GZH/Arte GZH
Foto: Jonatan Sarmento / Arte GZH / Arte GZH

O mês de janeiro terminou com recorde de casos acumulados de covid-19 no Rio Grande do Sul, mas número de vítimas muito abaixo do registrado em outras ondas, mostram estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) analisadas por GZH.

Ao longo do primeiro mês do ano, foram registrados 310.169 casos de coronavírus entre gaúchos, quase 60% acima do pior momento da epidemia do Rio Grande do Sul, em março, quando hospitais colapsaram

Ainda assim, o número de mortos pelo Sars-Cov-2 em janeiro é um dos menores desde a metade de 2020: 352 pessoas perderam a vida para o coronavírus no mês, 61% mais do que em dezembro do ano passado, mas 22 vezes menos do que em março de 2021, quando 7,7 mil gaúchos morreram pela doença, como mostra o infográfico a seguir:

Dados parciais, ainda afetados pelos ataques hackers ao Ministério da Saúde, mostram que 73% de todos os gaúchos tomaram duas doses e 24% tomaram a dose de reforço da vacina contra a covid-19 – cobertura superior à do Reino Unido e quase idêntica à da Alemanha. 

A taxa de mortalidade (proporção de vítimas entre todos os infectados) ficou em 0,15% em janeiro, enquanto que, em março do ano passado, estava em cerca de 4%, segundo cálculo do matemático Sebastião Gomes, professor da Universidade Federal de Rio Grande (Furg) e coordenador SimCovid, projeto de desenvolvimento de simulações para acompanhamento da covid-19.

— Há duas explicações para a diferença na taxa de mortalidade: uma é a vacinação, que avançou bastante, e a segunda é que a Ômicron seguiu a tendência evolutiva de ganhar desempenho na velocidade de contaminação, mas perder desempenho em progredir para casos graves — diz o pesquisador. 

A maior parte dos contaminados tem entre 20 a 39 anos – juntos, representam quase metade dos infectados no Estado em janeiro. 

Todavia, cerca de 40% das vítimas de janeiro tinham 80 anos ou mais e 25% tinham entre 70 e 79 anos, de acordo com estatísticas do governo do Estado. Especialistas explicam que as vacinas reduzem os riscos de mortalidade (basta comparar o recorde de casos com o menor número de vítimas), mas imunizantes não têm 100% de proteção, assim como qualquer outra medicação – por isso a importância de manter cuidados. 

Dados analisados a nível estadual e em Porto Alegre mostram que vacinados têm menor risco de hospitalizar e de perder a vida. Além disso, médicos relatam que pacientes imunizados, quando hospitalizados, tendem a ficar menos tempo internados, precisam menos de oxigênio e necessitam menos de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) – o que aponta para uma recuperação mais favorável. 

Expectativa para fevereiro

O pico de casos de covid-19 gerados pela variante Ômicron deve ser atingido em fevereiro, caso siga o movimento de outros países, como França, Reino Unido e Austrália. Nos últimos cinco dias, a média é de 17 mil novos casos diários em solo gaúcho. 

Mas o total de mortes em fevereiro deve superar janeiro, como resultado do aumento de casos ao longo das últimas semanas. Apenas nesta terça-feira (1º), início de novo mês, o Rio Grande do Sul registrou 70 vítimas, maior número desde julho

De acordo com o modelo preditivo de Sebastião Gomes, da Furg, o ápice da curva de Ômicron no Rio Grande do Sul deve ocorrer por volta de 20 de fevereiro, com margem para cinco dias antes ou depois. Ele ressalva, contudo, que a curva pode se estender se houver aglomerações no Carnaval.

— O pico está previsto para 20 de fevereiro se as condições continuarem como estão. Mas, se descuidarmos no Carnaval, podemos ter uma quantidade de infectados simultâneos muito alta, e isso pode aumentar muito a demanda por leitos de internação — diz. 

As aglomerações de Carnaval também preocupam o médico infectologista Gilberto da Luz Barbosa, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF) e integrante do comitê covid da Região de Passo Fundo.

— As pessoas vão se reunir como no fim de ano. Com a Ômicron, foi em encontros familiares que houve grande repique de casos. Possivelmente, teremos, até o final de fevereiro, casos bem acima da média de dezembro. Depois de fevereiro, vai depender do que acontecer no Carnaval. Temos visto as pessoas dizerem que agora é uma doença mais leve, mas 70% da população está com duas doses — diz Barbosa.

A preocupação de especialistas é, sobretudo, com quem está sem o primeiro ciclo vacinal completo – cerca de 30% dos gaúchos não se vacinaram ou tomaram apenas a primeira dose. Além disso, indivíduos mais idosos e com graves comorbidades, apesar de terem menos risco de morte, podem ter complicações da doença. 

— A França está com 60 dias (de onda de Ômicron), baixou, mas está na metade do nível, não terminou. O Reino Unido levou 45 dias para ter queda importante e ainda não chegou à base, onde se considera que está resolvido — destaca Gilberto da Luz Barbosa, professor da UPF.

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros