Manoel Soares: "Abraço de Comadres" - Notícias

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Papo Reto30/04/2022 | 05h00Atualizada em 30/04/2022 | 05h00

Manoel Soares: "Abraço de Comadres"

Colunista escreve para o Diário Gaúcho aos sábados

Manoel Soares: "Abraço de Comadres" Arquivo Pessoal / Manoel Soares/Manoel Soares
Carinho com Jessi, Natália e Linn da Quebrada Foto: Arquivo Pessoal / Manoel Soares / Manoel Soares

Minha foto com este trio não tem a ver com o BBB, mas com a mensagem que elas levaram para o Brasil nestes três meses. Uma professora que, entre uma treta e outra, explicava como as aulas exigiam que visse em cada aluno uma criança de sua família. Ela ensinou ao país que os professores são mais humanos que os humanos comuns, e por isso dão aula. 

A outra ousou ignorar as manchas que ninguém ignora e fez com que sua voz fosse além da estética. Ela se entregou como quem não teria amanhã, arrancou de cada mancha do corpo a coragem de amar que às vezes nos falta. Cada lágrima, cada incompreensão e baldada na cabeça dizia para as mulheres negras que assistiam: você não está só, eu também sofro por ser como você. 

A terceira comadre exigiu ser comadre e contrariou o olhar viciado que naturaliza o preconceito. Enfiar o seu ELA garganta abaixo de quem já fez da palavra travesti xingamento, fez o olho brasileiro avançar alguns anos na capacidade de entender o afeto próprio de uma trans. Nos braços delas, eu me senti protegido entre os meus. Com elas, o abraço virou verbo, o verbo amar.

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