Manoel Soares: "Shakespeare das favelas" - Notícias

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Papo Reto16/04/2022 | 05h00Atualizada em 16/04/2022 | 05h00

Manoel Soares: "Shakespeare das favelas"

Colunista escreve para o Diário Gaúcho aos sábados

Manoel Soares: "Shakespeare das favelas" Manoel Soares / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Manoel Soares fala sobre a obra de William Shakespeare Foto: Manoel Soares / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Não sou especialista em literatura, mas ganhei de presente uma versão capa dura do livro Romeu e Julieta, de William Shakespeare. A história do casal é muito interessante, porém minha mente está presa em dois outros personagens que talvez alguns dos leitores jamais tenham ouvido falar seu nome. Tebaldo e Mercúcio são dois dos primeiros personagens a morrerem por conta do amor clandestino entre Romeu e Julieta. 

Tebaldo me lembra os jovens que temos nas periferias gaúchas que, por conta das relações de afeto criadas em um ambiente de ausências familiares, desenvolvem uma lógica de proteção que coloca em risco a própria vida. Para defender a família de Julieta, ele vai até Romeu e acaba sendo assassinado, assim como muitos jovens de nossas quebradas que invadem a boca do rival e terminam com as mães chorando sobre o seu caixão. 

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No caso de Mercúcio, é um homem que, por conta dos preconceitos da época, precisa esconder o amor que sente por Romeu, assim como muitos homoafetivos dentro das periferias e fora delas que precisam se trancar em armários e, muitas vezes, morrer dentro deles para não sofrerem com os tapas na cara da ignorância coletiva. 

Sei que posso parecer metido à besta pedindo a você que, se possível, leia Shakespeare, mas posso te garantir: muitos dos personagens que ele criou você tem dentro da sua casa.

 
 
 
 
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