Prefeitura aguarda resultado de laudo técnico sobre Esqueletão, mas tendência é de que prédio seja demolido, e não implodido - Notícias

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Centro Histórico05/05/2022 | 08h37

Prefeitura aguarda resultado de laudo técnico sobre Esqueletão, mas tendência é de que prédio seja demolido, e não implodido

Representantes de empresa responsável pela implosão da sede da Secretaria da Segurança Pública visitaram o prédio

O destino do Esqueletão, como é conhecido o Edifício Galeria XV de Novembro, localizado em uma região de intensa movimentação de pedestres no Centro Histórico de Porto Alegre, provavelmente será a demolição. O prefeito Sebastião Melo só vai responder sobre o tema quando estiver com o laudo técnico que está sendo elaborado por técnicos do Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (Leme) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— Nós acreditamos que isso (demolição) vai acabar sendo o resultado do estudo. Nossa percepção pessoal é de que chegarão à conclusão de que temos de demolir, mas não implodir, porque há questões que afetariam os outros prédios — explica o secretário municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores. 

A prefeitura de Porto Alegre aguarda pelo laudo técnico sobre as condições do imóvel para definir o que fazer. Os engenheiros entregarão ao chefe do Executivo municipal o resultado das avaliações até o fim deste mês. Conforme o colunista de GZH Jocimar Farina antecipou em sua coluna, se nada for feito, a edificação de 19 andares pode desabar

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— Para termos uma posição definitiva, precisamos do resultado do laudo. Mas acredito que a opção mais viável economicamente seja derrubar o prédio andar por andar — acrescenta o secretário, dizendo que a ideia é fazer a remoção do edifício o quanto antes depois de o laudo estar em posse da prefeitura. — É uma coisa que atrapalha inclusive o desenvolvimento daquela região — acredita.

Representantes da FBI Demolidora, fundada em 1986 e com sede no município de Cotia, em São Paulo, visitaram o Esqueletão por solicitação da UFRGS. Trata-se da mesma empresa contratada pelo governo do Estado para executar, em 6 de março, a implosão da antiga sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), situada na Rua Voluntários da Pátria, 358, nos arredores da Estação Rodoviária da capital gaúcha.

— O contato que mantivemos foi com o pessoal da UFRGS, que fez uma consulta conosco logo após a implosão do prédio da Secretaria da Segurança. Tratativas diretas com a prefeitura, ainda não tivemos — esclarece o engenheiro Manoel Jorge Diniz Dias, conhecido como Manezinho da Implosão, que foi o responsável técnico pelo projeto de derrubada da sede da SSP.

O engenheiro mostrou estar bem informado sobre a situação do Esqueletão, local que ele visitou pessoalmente. O profissional detalha o que percebeu na oportunidade:

Nossa percepção pessoal é de que chegarão à conclusão de que temos de demolir, mas não implodir, porque há questões que afetariam os outros prédios

ANDRÉ FLORES

Secretário de Obras e Infraestrutura

— As condições de contorno do edifício são bem peculiares e distintas em relação ao prédio da Secretaria da Segurança. No caso do Esqueletão, em que pese o fato de estar lá há muitos anos, não tem essa condição favorável de não ter nada perto. Pelo contrário, você tem vizinhança em três quadrantes, pelo menos. A única fase livre é a praça à frente, e, depois, nos lados esquerdo e direito de quem olha para o prédio, há lojas comerciais. Ao fundo, há outras estruturas que representam preocupação. A abordagem, em termos de implosão, é muito delicada e complexa. Por outro lado, a demolição convencional é passível de uma série de cuidados, como telas de proteção e bandejas para resguardar o risco de queda de material. Enfim, é um trabalho difícil e complexo. Mas perfeitamente viável.

Os integrantes da equipe do laboratório da UFRGS responsável pelo laudo estrutural não responderão a questionamentos da imprensa antes da entrega do documento à prefeitura.

Comerciantes receosos

Os comerciantes do entorno do Esqueletão estão apreensivos sobre o futuro do prédio. Nesta quarta-feira (4), era possível ver entulhos de lixo e restos de material no corredor de acesso do andar térreo do imóvel. Ambulantes ofereciam guarda-chuvas em frente ao local.

— Tinha boatos de que o prédio seria implodido. Ao mesmo tempo, falavam que não podia e que a prefeitura não autorizou porque havia muitos prédios colados. Preferimos que façam os reparos, pois estamos parede com parede aqui — diz o segurança Paulo Henrique, que trabalha em uma loja encostada no Esqueletão.

Porto Alegre, RS, Brasil, 04/04/2022 - *EM BAIXA* Prédio Esqueletão aguarda futuro no Centro - Foto: André Malinoski/Agência RBS<!-- NICAID(15086652) -->
Corredor central do imóvel está abandonado e havia entulho no local nesta quarta-feiraFoto: André Malinoski / Agencia RBS

A gerente Delma Oliveira, que possui um bazar de roupas localizado a poucos metros do Esqueletão, convive com as polêmicas em torno da edificação há 40 anos, tempo em que trabalha com comércio na região.

— O restauro seria o melhor — opina.

A abordagem, em termos de implosão, é muito delicada e complexa. Por outro lado, a demolição convencional é passível de uma série de cuidados, como telas de proteção e bandejas para resguardar o risco de queda de material. Enfim, é um trabalho difícil e complexo. Mas perfeitamente viável

MANOEL JORGE DINIZ DIAS

Engenheiro da FBI Demolidora

Na tabacaria que fica do outro lado da rua e praticamente de frente para o Esqueletão, há temor de que o local acabe sendo implodido.

— Temos receio, o melhor seria que fosse restaurado — observa a gerente Viviane Bitencourt.

Na óptica ao lado da tabacaria, a funcionária Giordana Dorneles comenta que não sabe o que a prefeitura pretende fazer com o Esqueletão. Questionada se implodir toda a estrutura seria o melhor, a profissional afirma que a situação não é tão simples de ser avaliada:

— Isso é bem complicado. Precisamos de mais informações sobre o futuro do prédio.

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O comerciante Fernando Silveira Ferreira, proprietário de uma loja situada na mesma calçada do Esqueletão, acredita que a demolição impactaria significativamente até na vida dos clientes.

— Acho que é prudente uma análise bem criteriosa desses riscos não apenas pela segurança da população, mas também em relação aos comerciantes que passaram por um momento de baixas nas vendas durante a covid-19. Isso vai impactar significativamente nas vendas da região porque as pessoas não passarão por aqui — pondera.

Saiba mais

O Esqueletão, situado na Rua Marechal Floriano Peixoto, esquina com a Otávio Rocha, foi desocupado em definitivo no final de setembro do ano passado. Com sinais de abandono e muita sujeira, os três primeiros andares abrigavam moradias nos últimos anos. Treze estabelecimentos comerciais tinham espaço no térreo.

Assim que foi efetivada a reintegração de posse determinada pela 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, que atendeu a uma solicitação da Procuradoria-Geral do Município (PGM) em ação ajuizada contra os proprietários do prédio, o Esqueletão passou por processo de limpeza, coordenado pela prefeitura. As janelas dos primeiros andares foram lacradas para evitar invasões. Desde então, o imóvel aguarda seu destino.

 
 
 
 
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