Porto Alegre às escuras: espaços públicos sofrem com furtos de cabos e falta de iluminação - Notícias

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Transtornos e medo15/06/2022 | 09h18Atualizada em 15/06/2022 | 09h18

Porto Alegre às escuras: espaços públicos sofrem com furtos de cabos e falta de iluminação

Parques, avenidas e ruas seguem constantemente com problemas àqueles que querem ou precisam frequentar os locais à noite; veja o que diz a prefeitura 

Além das quadras esportivas, monumentos históricos e extensas áreas verdes, alguns dos principais parques de Porto Alegre têm outro elemento em comum: a falta de iluminação à noite. É o caso do Parque Marinha do Brasil, da Redenção, e do Parque Moinhos de Vento, o Parcão, em que consequentes furtos de cabos e luminárias vêm causando transtornos e medo aos frequentadores. 

Na noite desta terça-feira (14), a reportagem de GZH percorreu alguns dos principais pontos onde há registros de escuridão. No parque Marinha do Brasil, o trecho próximo à Avenida Ipiranga segue com iluminação apenas até a pracinha. As estruturas metálicas que costeiam os acessos ao centro do parque seguem sem as lâmpadas, que foram furtadas já em 2021.  

Na calçada rente à Avenida Borges de Medeiros, luminárias foram furtadas e grande parte das que restaram foram depredadas. As quadras esportivas seguem ocultadas pela escuridão. Na Praça Itália, ao lado do Shopping Praia de Belas, o cenário é o mesmo. 

O auxiliar administrativo João Paulo Barbosa, 27 anos, pratica esportes semanalmente na orla do Guaíba e para acessar o local precisa atravessar o Marinha. Morador do bairro Menino Deus, ele diz que só faz a travessia pelo trecho de esplanada rente ao Viaduto Dom Pedro I, onde há iluminação. 

 — Ali na parte da pista está bem ruim. Marcamos jogos de futebol semanais na Orla e se alguém passa por ali geralmente é assaltado. É um trecho escuro, a única área com iluminação é aqui, o resto do Marinha está à mercê. Se não for nessa parte, eu não arrisco passar — comenta.   

Conforme a prefeitura, a segunda etapa da revitalização do parque, iniciada em 18 de abril e prevista para seguir até o final de junho deve contemplar a área sul do Marinha, ao lado do Gigantinho. Devem ser instaladas cerca de 250 lâmpadas de LED, além de 78 novos postes de quatro metros e dois postes de 12 metros de altura. 

Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos (SMSUrb), as novas instalações já contam com dispositivos para dificultar a ação de criminosos que tiverem pretensão de remover os cabos da iluminação. Além disso, a concessionária prevê o reforço dos postes para evitar que sejam depredados e derrubados. Ao todo. Ao todo, a obra contempla 244 luminárias (maioria de 20W e 30W), 80 postes, 1.700 metros de rede subterrânea. 

Furtos na Redenção 

No Parque Farroupilha ou da Redenção, em Porto Alegre, a instalação do Refúgio do Lago melhorou a iluminação em uma das laterais do local. No lado oposto, onde ficam os recantos alpino, europeu e oriental, a falta das luminárias furtadas segue causando insegurança para quem circula pelo local. 

O comerciante aposentado Ademir de Paoli, 61 anos, e o seu filho Bruno de Paoli, 36, escolheram o trecho próximo ao arco, onde a iluminação foi revitalizada, para descansarem após caminharem na noite desta terça-feira.  

— Com certeza está melhor do que há alguns anos atrás, quando não seria possível vir aqui neste horário, entre 18h30min e 20h. Mas só ficamos neste trecho aqui onde tem iluminação — diz Ademir. 

Em nota, a prefeitura aponta que “ainda existem alguns pontos apagados devido a furto e vandalismo (recentemente foi vandalizado o monumento Roseiral)”. Segundo a SMSUrb, uma visita deve ocorrer nesta quarta-feira (15), para verificar a situação.  

Novo ataque ao Parcão 

A situação mais dramática identificada entre os parques da Capital está no Parque Moinhos de Vento, o Parcão, onde o breu toma conta de quase todo o espaço. Conforme a prefeitura e a concessionária IPSul, um novo furto de cabos foi registrado nesta terça-feira (14). 

Uma nova vistoria técnica deve ser realizada nesta quarta-feira (15) para verificar a dimensão dos danos e programar o conserto que deverá ser feito nos próximos dias.  

Avenidas sem luz 

Além dos parques, pelo menos três movimentadas avenidas da Capital vêm apresentando oscilações e pontos completamente sem iluminação. Quem transitou pelas avenidas Mauá e Sertório nos últimos dias pôde observar que em alguns trechos há lâmpadas que piscam constantemente e, em outros, há lâmpadas apagadas. 

A IPSul informa que vem trabalhando em parceria com a CEEE Equatorial para resolver o problema de alimentação do circuito na Avenida Mauá. Segundo a concessionária, um cabo subterrâneo está rompido o que torna mais complexo de descobrir e realizar a manutenção. Segundo a IPSul, a iluminação deve ser restabelecida nos próximos dias. 

Já na Avenida Sertório, a IPSul diz que não foi possível concluir uma manutenção que era realizada na segunda-feira (13) à noite. A concessionária explica que a equipe passou boa parte do período envolvida em manutenção na Avenida Farrapos devido a furto de cabos que causou o desligamento de vários postes. Na noite desta terça-feira (14), a equipe deveria retornar para resolver o problema. 

Outro ponto que está completamente às escuras é o trecho da Avenida Loureiro da Silva, entre o terminal do T1 e a sede do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os passageiros que precisam de transporte público durante a noite precisam esperar no mais completo breu. É o caso do servidor público federal Hector Gijsen, 50 anos, que mora no bairro São Sebastião, na zona norte da Capital, e precisa esperar pelo T1 no escuro todas as noites.  

— Faz pelo menos um mês que está tudo escuro aqui. Do outro lado, está um pouco mais iluminado. Até pensei em ligar para a prefeitura para questionar, porque é muito perigoso — pontua. 

De acordo com a SMSUrb, o problema está em um poste de 20 metros e a concessionária deve providenciar um caminhão para conserto nos próximos dias. 

Floristas sem luz e sem água 

Os trabalhadores das 10 bancas de flores que ficavam na Avenida Otávio Rocha e foram provisoriamente realocadas no Largo Glênio Peres e na Praça Parobé seguem sem energia elétrica nem fornecimento de água. As obras de revitalização iniciaram na segunda-feira passada (6), e desde então, os trabalhadores seguem nesta situação.  

— Não podemos carregar a máquina de cartão de crédito, nem nossos celulares. Estou com 50% de bateria. Quando precisa, nós pedimos para o pessoal das lancherias. Água o pessoal busca no banheiro ali na frente (no terminal Parobé) — conta o florista Alexandre Fontoura Alves, 50 anos. 

Conforme a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), responsável pela obra e pela realocação dos ambulantes, “a luz já está sendo providenciada e será resolvida essa semana ainda”. Sobre a falta de água, o secretário André Flores diz que está empenhado para resolver o problema mais breve possível, e já teria alternativas para isso. Segundo a pasta, até o final desta semana, o problema será resolvido. 

Reforço na fiscalização

 A Guarda Municipal tem reforçado as patrulhas em pontos estratégicos, praças e parques da cidade visando combater os furtos e roubos de fios elétricos. A prefeitura informa que as equipes estão atuando de forma integrada com as forças policiais do Estado para coibir as depredações e desarticular a cadeia de receptação. Na semana passada, foi realizada a maior operação conjunta que resultou na prisão de onze pessoas, interdições de ferros-velhos e recolhimento de materiais furtados da rede de iluminação pública. 

A prefeitura reforça o alerta para que, em caso de luzes apagadas, os contribuintes solicitem o conserto pelo aplicativo 156+POA ou pelo telefone 156. Todas as equipes que fazem a manutenção estão devidamente uniformizadas e identificadas. Caso presencie alguma situação suspeita de furto de fiação ou poste, a Guarda Municipal pode ser acionada pelo telefone 153. 

 
 
 
 
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