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Direto da Redação06/07/2022 | 15h11Atualizada em 06/07/2022 | 15h11

Letícia Mendes: "Um desabafo em uma viagem"

Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano

Letícia Mendes: "Um desabafo em uma viagem" Agência RBS / Agência RBS/Agência RBS
Direto da Redação Foto: Agência RBS / Agência RBS / Agência RBS
Leticia Mendes

Nesta semana, voltamos a acompanhar o caso do assassinato do adolescente Ronei Júnior,  morto aos 17 anos em Charqueadas. Mais um júri, de três réus pelo crime que aconteceu há sete anos. Há duas semanas, acompanhamos o primeiro da série de julgamentos previstos.

Naquela semana, numa quarta-feira à noite, retornei de Charqueadas para Porto Alegre de táxi. No caminho, no banco de trás do veículo, terminava de fazer as gravações para a Rádio Gaúcha sobre o julgamento. Era ainda o primeiro dia de júri e um dos relatos que mais tinha chamado atenção era o do pai do garoto. O engenheiro Ronei Faleiro, de 55 anos, havia detalhado aos prantos a perda.

No áudio, citei que os pais do adolescente até hoje mantêm o quarto do filho intacto, como uma espécie de santuário. Mesmo depois de se mudarem para Porto Alegre, replicaram num cômodo a mesma disposição das roupas e dos objetos favoritos do Junico, como era chamado Ronei Júnior.

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Assim que terminei a gravação, o motorista puxou conversa. Indagou se os pais mantinham mesmo o quarto do filho sete anos depois da perda. Confirmei. E ele confidenciou que se perguntava quanto tempo leva para alguém superar a perda de um filho. Se é que isso é possível.

Então, me contou uma história triste sobre a companheira dele, que havia perdido a filha, também adolescente, há pouco mais de um ano. Detalhou o quanto isso havia devastado a mulher que amava. E como ele tentava aprender a lidar com a dor dela. Por mais difícil que seja alcançar esse sofrimento.

Fui o caminho ouvindo aquela história, um desabafo, e pensando sobre como não sabemos a dor que atravessa os outros na nossa volta. E muito menos quando podemos ser nós os atingidos por uma tragédia, como no caso dos Roneis, pai e filho, ou daquele motorista. Por fim, conversamos sobre como isso deve nos fazer ver que a vida passa depressa demais, que só nos resta viver o melhor dela, e com aqueles que amamos.




 
 
 
 
 
 
 
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