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Direto da Redação03/08/2022 | 09h11Atualizada em 03/08/2022 | 09h11

Lúcio Charão: "De Santa Maria a Torres"

Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano

Lúcio Charão: "De Santa Maria a Torres" Agência RBS / Agência RBS/Agência RBS
Direto da Redação Foto: Agência RBS / Agência RBS / Agência RBS

Dia desses estava num aniversário de uma pequena de três anos. E lá me peguei pensando como as crianças que cresceram nesse mundo pandêmico quase não conviveram com outros de sua idade até então: estamos desde março de 2020 com restrições de mobilidade. No mesmo evento, tinha uma piazada feliz para mais de metro como quem nunca (sim, eles têm três anos!) tinha brincado com tantos amigos assim.

Ainda na mesma festa, das coincidências desse mundo, encontrei uma amiga de infância. Quase três décadas atrás, nossos pais levaram ela e suas irmãs, e eu e meu irmão à praia de Torres. Morávamos em Santa Maria. Imagine uma criançada quase oito horas dentro um carro a fuzarca que não foi? Àquela época, claro, não existia obrigatoriedade da cadeirinha.

Claro que não tenho grandes recordações da praia nem da viagem. Meu ponto é dizer que a infância hoje em dia, nesse mundo violento, está muito mais tecnológica e menos presencial, por assim dizer.

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Lá no meu tempo de guri, eu e meus amigos vivíamos na rua brincando de esconde-esconde, jogando futebol, apertando campainhas e correndo, e por aí vai. Estripulias de guri. Hoje, a meninada, em sua grande maioria, vive no computador, no tablet, no celular, na smarTV. Pudera. E isso não é uma crítica. Não há mais “segurança” de anos atrás. Eu “vivia” na rua brincando, e meus pais não se preocupavam, pois não estávamos em meio à guerra de facções, aos usuários de droga que roubam para sustentar o vício, às intolerâncias armadas do dia a dia.

Ontem, à luz do dia, um assaltante tentou roubar o carro de um homem e foi morto por PMs. Quase no mesmo horário, dois homens foram executados, também na zona norte de Porto Alegre. Imagine se o seu filho está por ali, na rua, brincando e vira vítima de bala perdida. São outros tempos, óbvio, e os pais têm de ser mais zelosos. Mas tenho saudade de idas a Torres desde Santa Maria num carro amontoado de gente, de horas brincando na rua, e de menos violência.


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