Sérgio Reis se declara para a gauchada: "O Rio Grande do Sul é minha vida" - Entretenimento

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Retratos da Fama24/10/2015 | 10h01

Sérgio Reis se declara para a gauchada: "O Rio Grande do Sul é minha vida"

Cantor, em entrevista exclusiva, fala um pouco de tudo, desde a sua paixão pelo Estado, critica a Lei da Meia-Entrada, critica a polêmica nudez do amigo Stênio Garcia e garante que está bem de saúde

Sérgio Reis se declara para a gauchada: "O Rio Grande do Sul é minha vida" Eduardo Galeno/Divulgação
Foto: Eduardo Galeno / Divulgação

Aos 55 anos de carreira, Sérgio Reis, 75, poderia muito bem não dar mais entrevistas, mas está acima de estrelismos. Serjão, como costuma ser chamado por amigos, é um dos mais queridos nomes da música brasileira e, entrevistando-o por 40 minutos, na Festa Nacional da Música, em Canela, dá para entender por quê.

O sertanejo não foge de nenhuma pergunta e, mesmo sendo um grande artista, revela toda a sua simplicidade  - generoso com os amigos, bem-humorado e contador de histórias. Divirta-se com essa figuraça!




Retratos da Fama — Chama a atenção o jeito cordial com que trata todos. Esse é um dos segredos para o sucesso?

Sérgio Reis
 — Certamente. Se o artista começa a não atender (às solicitações) rádio, jornal, televisão, tem que apanhar ou trocar de secretário. Não tem coisa pior do que assessor que acha que manda no artista.

E o cara tem que saber: respeite e receba com carinho e educação a imprensa. São eles que tocam a nossa profissão para a frente. Se não é a mídia, amigo, como é que vamos tomar conta do Brasil deste tamanho?

Retratos — Você deve receber milhares de composições de gente anônima, mas também de quem já é conhecido. Alguma história curiosa?

Sérgio
 — Uma vez, eu recebi a canção Vida Boa. O Victor me mandou em um CD, mas não escreveu que era o Victor, da dupla com o Leo, apenas colocou um telefone. Liguei para o número, não era mais aquele, e eu não gravei.

Tempos depois, eles foram no meu programa de rádio (na Sulamérica, o Siga Bem Caminhoneiro, transmitido para mais de 180 emissoras no país), já com a música gravada.

O Victor chegou falando: "Serjão, olha a música que você não quis gravar, eu gravei." Eu disse: "Como assim, Victor, Vida Boa é sua?". Xinguei (risos), dei uns tapas nele e disse: "Não faça mais isso, rapaz! Você não disse quem era. Se eu soubesse, tinha colocado a Cia atrás de você para gravar. Mas você é o autor, merece o sucesso." Não foi culpa dele, foi inocência. Hoje, não faz mais isso.

Com participação de astros, João Bosco & Vinícius lançam CD com clássicos do sertanejo

Retratos — Quais são as suas referências musicais?

Sérgio —
Quando eu era pequeno, ouvia Tonico & Tinoco. Mas, depois de conhecer Osvaldir & Carlos Magrão (foto abaixo), a minha vida virou uma gauchesca só (risos)! 

Crédito: Divulgação

Gravei muitos clássicos, como Guri (de César Passarinho), e também gravei com Os Serranos (várias canções). O Rio Grande do Sul é a minha vida. 

Retratos — Como um dos representantes da categoria dos músicos no Congresso Nacional, como deputado federal (PRB-SP) em primeiro mandato, qual é o principal problema que enxerga?

Sérgio —
Essa invenção de que o estudante e os velhos têm que pagar meia (lei da Meia-entrada). Quem perde é o povo. Se o ingresso custa R$ 100, o cara aumenta para R$ 200, e o que paga meia-entrada paga os mesmos R$ 100. No fim, era o que a gente ia cobrar mesmo.

E eu não abaixo o valor do cachê dos meus shows. Se é para fazer isso, eu faço show em bar, fico bêbado com os caras, com mulher bonita na minha volta (está no segundo casamento, com a cantora Ângela Márcia, 56 anos). E não é isso que eu quero.

Retratos —  Você é um cara que transita bem em várias áreas da música. Na Festa da Música, entregou troféu para João Bosco & Vinícius. Conhece e admira o som deles?

Sérgio —
Ah, gosto deles todos. E acredito que João Bosco & Vinícius têm um trabalho diferenciado, são muito bons. E tem que respeitar cada artista. Cada um tem um jeito de cantar, cada um tem uma categoria para cantar, cada um tem a sua extensão de voz. Tem uns que cantam forte, lá em cima, na boa. Tem outros que cantam mais suave e é mais gostoso de ouvir.

Retratos — Sua paixão pela gauchada surgiu quando?

Sérgio —
O Rio Grande do Sul é a minha vida. Fiz muita coisa aqui, já. Participei da gravação do DVD de Os Serranos, em 2008, e tinha uma grande amizade com o Rui Biriva (falecido em 2011. Nesse momento, Sérgio dá uma pausa). Esse faz falta, era um grande cara.



E tem o Edson Dutra (de Os Serranos), que é um gentleman e um grande amigo. Meu filho mais novo, Paulo, esteve em um churrasco na casa dele e disse: "Pai, agora entendo por que você gosta tanto dos gaúchos. Que educação, que cordialidade!".

Crédito: Cristiano Estrela


Retratos — E a sua ligação com Santa Catarina?

Sérgio —
Tenho uma ótima relação, me dou muito bem com o pessoal de lá. A cultura alemã deles é fantástica, a Oktoberfest é maravilhosa!

Retratos — Você tem uma grande amizade com Renato Teixeira e Almir Sater, né?

Sérgio —
Sim, de muitos anos. Somos vizinhos em um condomínio da Serra da Cantareira (em São Paulo). Eu tenho um terreno de uns 5 mil metros quadrados, o Renato tem um de uns 7 mil metros e o Almir de uns 25 mil. É o meu refúgio. O Chrystian (da dupla com Ralf, também é nosso vizinho.

Retratos — Você rodou o país com o show Amizade Sincera 2 com o Renato Teixeira. Segue na estrada?

Sérgio —
É um show leve, muito bom de fazer. E vou te revelar: em 2016, eu, o Renato e o Almir faremos uma turnê pelo país. Mas é uma pena que o Almir não faça DVD, não tem nenhum até hoje. Ele diz: "Grandão, o cara compra o DVD, me leva pra casa, fica me vendo e não vem no meu show. Se o cara quiser, vem no meu show, onde eu estou e compra o meu CD."



Retratos — Como é a sua relação com as redes sociais?

Sérgio —
A minha equipe atualiza as minhas redes. E não gosto de ficar postando a minha vida. Não vou tirar uma fotografia nu para ir parar na internet. Não sou contra, só não sou a favor para mim. Acho até uma falta de respeito mostrar a minha intimidade para alguém. O Stênio Garcia apareceu pelado, de frente, com a esposa. Para quê?

Acabou expondo a esposa, que é uma mulher bonita, decente e ele também. O Stênio é um grande ator, um grande amigo, um cara legal demais. Pensei: "Stênio, pra que isso?". Ele não precisa desse tipo de mídia, tem uma baita história na tevê e no teatro. O artista precisa ter esse cuidado.

Retratos — Aos 55 anos de carreira, a que atribui tanto sucesso?

Sérgio
 — Ser do jeito que sou, muito educado, e tenho uma paciência de Jó. Não ando em sala vip nem com segurança. Atendo a todos, não uso a minha carteira de deputado para ter prioridade nos aeroportos, por exemplo. Espero todo mundo entrar no avião, tiro foto com comandante, comissários... Não me escondo, essa é a verdade. Sou feliz assim.

Retratos — Que lembranças traz do começo de carreira?

Sérgio —
Foi duro, gravei Coração de Papel em 1966. Mas vou te contar uma história: na época, o meu produtor foi levar o disco que tinha esta música a um dos principais radialistas da época. O cara estava almoçando, nem viu o disco e disse: "Não vou tocar, não. Igual a essa, toco 10". E seguiu almoçando. O tempo passou, e eu fiquei famoso.

Um dia, há uns 20 anos, ele era jurado no programa do Raul Gil, e eu fui participar. Pedi para tirá-lo do programa, ele saiu, mas falou que era meu fã, que não queria confusão, e pediu para conversar comigo, entender o que tinha me feito. Eu contei a história, ele quase chorou, pediu desculpas, disse que todos da sua família eram meus fãs. Abracei o cara, dei um beijo nele e fui jantar com ele e a sua família. Ele teve que tomar uma raquetada para aprender. Amigo, respeite quem está começando, você nunca sabe o que vai acontecer com essa pessoa depois.

Retratos — Quando sentiu que tinha estourado no Brasil todo?

Sérgio —
Quando fiz novelas (duas versões de Paraíso, em 1982 e 2009, Pantanal, em 1990, e A História de Ana Raio e Zé Trovão, 1990, ambas na Manchete, O Rei do Gado, em 1996, na Globo, Canavial de Paixões, no SBT, em 2003, e Bicho do Mato, em 2006, na Record.) Pantanal foi muito forte, e O Rei do Gado (foto abaixo, com Almir Sater)também. A novela das oito da Globo foi impactante demais. Mas não pretendo mais fazer.  

 


Retratos — Como está de saúde (em 2014, ficou internado, após sofrer uma taquicardia e, em 2009, colocou um stent)?

Sérgio —
Bem! Fiz a última cirurgia para catarata e estou muito bem!

Colecionador de sucessos 

— Começou sua carreira com sucessos da Jovem Guarda, como a autoral Coração de Papel, em 1966. 

— Depois, engatou sucessos como Menino da Gaita, Menino da Porteira, Panela Velha e Pinga ni Mim. 

— Em 2003, gravou o primeiro DVD, Sérgio Reis e Filhos - Violas e Violeiros, com seus herdeiros, Marco, 44 anos e Paulo, 39. 

— Em 2010, gravou a primeira edição do CD e DVD Amizade Sincera, com Renato Teixeira. Amizade Sincera 2 (R$ 40, o DVD e R$ 30, o CD) saiu no ano passado. 

Crédito: Erica Mani/Divulgação


— Atualmente, Sérgio é deputado federal em primeiro mandato por São Paulo, pelo PRB e

— Faturou o Grammy Latino 2014 na categoria melhor álbum de música sertaneja, com o álbum Questão de Tempo, pela terceira vez - ele já havia vencido em 2000 e 2009.

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