Cinco artistas mostram por que as mulheres dominaram a música sertaneja - Entretenimento

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Só dá elas20/08/2016 | 12h00Atualizada em 21/08/2016 | 16h59

Cinco artistas mostram por que as mulheres dominaram a música sertaneja

Marília Mendonça, Maiara e Maraisa, Simone e Simaria e Bruna Viola mostram a força da ala feminina no gênero, com clipes de mais de 100 milhões de visualizações, cachês polpudos e letras que não devem nada aos hits masculinos.

Cinco artistas mostram por que as mulheres dominaram a música sertaneja AgNews/AgNews
Foto: AgNews / AgNews

No sertanejo, um gênero de botas, fivelas e violas, histórica e predominantemente masculino, as mulheres sempre tiveram um espaço reduzido. Ao longo dos anos, cada vez que uma despontava, era um movimento individual que não representava, necessariamente, a força delas como um todo na sociedade.

Ainda que tenham sagrado-se ícones como As Galvão, Inezita Barroso e Roberta Miranda, nas décadas de 60, 70 e 80, respectivamente, ou Paula Fernandes, nos anos 2000, nunca, na história do gênero mais típico do Brasil, tantas fizeram sucesso ao mesmo tempo, como acontece atualmente, escancarando uma porta, até então, entreaberta. Esse novo cenário emerge no momento em que o empoderamento feminino e a igualdade entre homens e mulheres ganha força e espaço de discussão na sociedade. 

O movimento, encabeçado pelo sucesso estrondoso de nomes como Maiara & Maraísa, Simone & Simaria, Marília Mendonça, Paula Mattos e Bruna Viola, começa a disputar espaço com nomes consagrados como Marcos & Bellutti, Jorge & Mateus, Henrique & Juliano, entre outros astros. Em suas letras, elas cantam o amor, a traição, a sofrência, a farra e a bebedeira, temas que, antes, pareciam exclusivos dos homens. Conheça a história dessas gurias que estão alterando os rumos de um mercado em plena transformação.

"O que o povo quer ouvir"

Beleza do forró para o sertanejo Foto: Reprodução / Facebook

Consideradas musas dessa geração, as irmãs baianas Simone & Simaria (a pronúncia é Simária) já foram backing vocal do cantor Frank Aguiar e estrearam como dupla em 2012. Antes de migrar para o sertanejo - um sonho do pai, já falecido -, faziam show de forró, mas já ousavam ao colocar nas apresentações um bloco de 20 minutos com música sertaneja. Rapidamente, caíram no gosto do público.

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Em 2015, gravaram o DVD Bar das Coleguinhas (é assim que elas são conhecidas entre os fãs), com um misto de canções românticas e de sofrência, como os hits Meu Violão e Nosso Cachorro, e Não Vou Mais Atrás de Você - com participação de Wesley Safadão. Neste ano, lançaram dois sucessos: Duvido Você Não Tomar Uma e Amor Mal Resolvido, com Jorge & Mateus.

Foto: Reprodução / Facebook

Os louros da fama

As irmãs, que no começo da carreira ganhavam R$ 200 por mês, deixaram os tempos difíceis para trás. Hoje, moram em Fortaleza - Simaria, num apartamento em condomínio de luxo, e Simone numa mansão - e já são chamadas de Safadão de saias, tamanho sucesso e lucro envolvidos.

Quem são
— Simone, 31 anos, e Simaria, 33 anos, ambas casadas
— Agenda de shows: média de 25 por mês.
— Média de cachê: R$ 200 mil por show

A mansão de Simone: tempos mudaram Foto: Reprodução / TV Globo/Divulgação
Bruna: sangue gaúcho Foto: Possato Photography / Divulgação

Bruna Viola é um nome que começa a despontar com força no sertanejo. A mato-grossense, filha de um gaúcho de Carazinho, canta e toca viola caipira desde os 11 anos. Neste ano, lançou o primeiro DVD, Melodias do Sertão, que traz sua principal canção, Você Não Sabe (Quero Ver). A loirinha comemora a chegada da mulherada ao topo do sertanejo.

— As portas estão se abrindo cada vez mais, o público está querendo ouvir nossas músicas — analisa, em entrevista ao Diário Gaúcho, por telefone.

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Bruna comenta que cada cantor, seja homem ou mulher, tem o seu estilo, mas admite que elas imprimiram delicadeza ao gênero. 

— Demos um toque feminino. A mulherada quer ouvir canções sobre o que ela faz no dia a dia. E mulher vai no boteco, faz festa, bebe cerveja — diz a loira. 

Quem é:

— Bruna Viola, 23 anos, solteira
— Agenda de shows: seis em agosto
— Média de cachê: R$ 40 mil

De igual para igual

Maiara e Maraísa: discurso forte Foto: Maurício Antonio / Divulgação

As gêmeas Maiara e Maraísa, de São José dos Quatro Marcos, em Mato Grosso, cantam desde os cinco anos. Porém, foram as suas composições que as fizeram serem notadas por nomes como Jorge & Mateus e Cristiano Araújo (morto em 2015), que gravaram, respectivamente, Prisão Sem Grade e Caso Indefinido. Há poucos meses, antes de estourarem, comemoravam quando a agenda previa seis shows no mês. Hoje, não conseguem mais do que seis dias de folga.

— Sonhamos tanto com isso, só falta reclamar. Nós, lá, somos doidas? — brinca Maiara, em entrevista por e-mail.

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Com um discurso forte, Maraísa fala sobre a união da mulherada no meio sertanejo:

— Não adianta uma só tentar fazer sucesso. Quanto mais mulheres vierem nesta leva, mais forte ficaremos e mais espaço conquistaremos.

Quem são:

— Maiara e Maraísa, gêmeas, 28 anos. Maiara é noiva. Maraisa, solteira.

—  Agenda de shows: 25 em agosto

—Média de cachê: R$ 120 mil 

Do coral da igreja para uma multidão fiel 

Marília: vozeirão e discurso afinado Foto: Divulgação / Divulgação

Natural de Goiânia, em Goiás, Marília Mendonça iniciou sua carreira cantando em coral de igreja e começou a ganhar destaque pelo vozeirão afinado. Hoje, é uma das maiores representantes do gênero entre as mulheres. No meio, ficou conhecida como a compositora de hits que estouraram na voz de outros cantores, caso de Cuida Bem Dela, sucesso de Henrique & Juliano, e Ele Não vai Mudar, com João Neto & Frederico. 

Mas nada que se compare ao estouro de sua trajetória como cantora, em 2015, com o lançamento do DVD que leva seu nome e traz hits como Infiel, cujo clipe tem 127 milhões de visualizações no YouTube.

— A mulher tem que ser independente, dona das suas vontades, chegar e fazer acontecer — defende Marília, em entrevista por e-mail.

Quem é:
—Marília Mendonça, 21 anos, solteira
— Agenda de shows: 23 em agosto
—Média de cachê: R$ 120 mil

Promessa gaúcha 

Gaby: força daqui Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

A gaúcha Gaby Christo, do Bairro Ipanema, em Porto Alegre, ainda não está no patamar das estrelas nacionais, mas é uma promessa que tem tudo para chegar lá. Migrou para a música sertaneja no começo de 2015, depois de tentar a sorte no pop.

— Como meus amigos músicos já tocavam em noites sertanejas, eu fazia algumas participações, cantava com eles. Acabei migrando no momento certo. Desde que comecei no gênero, tudo melhorou — comemora.

Quem é:

— Gaby Christo, 27 anos
— Agenda de shows: 10 em agosto
— Média de cachê: Entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil 

Precursora de uma geração

Roberta abriu os caminhos Foto: Ione Lacerda / Divulgação

Com 59 anos, 30 de carreira, Roberta Miranda é uma das precursoras da mulherada no gênero. Em entrevista por telefone, ela admite que a chegada das jovens ao topo da música sertaneja é consequência do legado que ela deixou:

— Fico muito feliz. Eu sempre pedi vozes femininas na música sertaneja. Lutei muito para que elas chegassem onde chegaram.

Roberta Miranda usa camiseta estampada com seu próprio tweet no Encontro 

Mesmo enchendo as pupilas de elogios, Roberta não hesita em apontar as diferenças de sua época para a atual.

— Hoje, quando elas dizem que enfrentam preconceito, eu dou risada, lembrando o que passei há 30 anos. Já cantei no palco ouvindo um cara falar: "Como essa jacu. acha que sabe cantar?" Em outra oportunidade, o pessoal de uma certa gravadora dizia que mulher não vendia disco na música. Resultado: o disco foi lançado (em 1986, que levava seu nome e estourou sucessos como Meu Dengo e) e vendeu mais de 1,5 milhão de cópias. Ganhei discos de ouro e de platina — relembra.

Roberta Miranda conta que a diferença de suas canções, mais românticas do que as atuais, é por conta da atual geração de cantoras, pela diferença de geração e das histórias que cada uma vive.

— São meninas que ainda pegam "baldes de amor" e jogam no lixo. Depois de dois, três meses, já estão com outras pessoas, se apaixonam e tem uma cura muito rápida do amor. O palavreado delas é diferente. E não tem como cobrar de meninas com 20, 25 anos, o mesmo amor que alguém de 40 ou 50 tem — explica.

Crescimento a olhos vistos

Levantamentos realizados em 2015 e 2016 pela Crowley, que monitora a execução das músicas no país, não deixam dúvidas do crescimento da mulherada no meio sertanejo em 2016. Confira!

— Em 2015, na lista dos 100 hits mais tocados de todos os gêneros no Brasil, apareciam somente duas cantoras sertanejas: Simone & Simaria, com Meu Violão e O Nosso Cachorro, na 79ª posição, e Marília Mendonça, na 100ª posição, com Sentimento Louco.

— Em 2016, de janeiro a junho, uma mudança radical no quadro. O hit Infiel, de Marília Mendonça, aparece em 9º lugar.

— 10%, de Maiara & Maraísa, aparece em 15º lugar e Quando o Mel é Bom e Meu Violão e Nosso Cachorro, ambos de Simone & Simaria, em 30º e 31º lugar, respectivamente. O mais curioso é que todas estas canções estão à frente de hits mundiais, como Sorry, de Justin Bieber, que aparece na 56ª posição.

— Depois, ainda aparecem Rosa Amarela, de Paula Mattos, em 62º lugar e Medo Bobo, de Maiara & Maraísa, em 67º.  

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