Zeca Pagodinho brinca que só o que não ouve em casa são as próprias músicas: "Não aguento mais" - Entretenimento

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Entrevista22/10/2016 | 12h01Atualizada em 22/10/2016 | 12h36

Zeca Pagodinho brinca que só o que não ouve em casa são as próprias músicas: "Não aguento mais"

Sambista falou com exclusividade ao Diário Gaúcho, em seu sítio, em Xerém, sobre o lançamento da nova edição do "Quintal do Pagodinho"

Zeca Pagodinho brinca que só o que não ouve em casa são as próprias músicas: "Não aguento mais" Murilo Tinoco / Divulgação/Divulgação
Foto: Murilo Tinoco / Divulgação / Divulgação

Ao entrar no sítio de Zeca Pagodinho, em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, a sensação que se tem é a de estar em um templo do samba nacional, um lugar especial para um dos nomes mais representativos do gênero no país. E é isso mesmo que o local representa. Ali, se respira samba.

Pois foi no local onde Zeca tem uma ampla casa, cria cavalos, bois, galinhas, toma a sua cerveja e, acima de tudo, recebe seus amigos, que o carioca de 57 anos gravou o seu novo projeto. O CD duplo e o DVD "Zeca Apresenta o Quintal do Pagodinho: ao Vivo 3" chega recheado de estrelas da música nacional como Paulinho da Viola, Maria Bethânia e Marcelo D2. Bem-vindo ao Xerém!

Elenco de primeira

Paulinho da Viola: momento épico Foto: Murilo Tinoco / Divulgação

O projeto, que chega na sua terceira edição, reúne um time estelar: Zélia Duncan (Jura), Roberta Sá (Água da minha sede), Fundo de Quintal (Vida da minha vida), Arlindo Cruz (Nunca mais vou jurar), Diogo Nogueira (Lama nas ruas), Maria Bethânia (Esse cara e Sonho meu, em parceria com Zeca) e um final apoteótico, com Paulinho da Viola (Coração leviano e Foi um rio que passou em minha Vida). 

Convidados ilustres de Zeca: Juliana Knust, Ana Maria Braga, Chico Pinheiro e Cissa Guimarães

Convidados ilustres de Zeca: Juliana Knust, Ana Maria Braga, Chico Pinheiro e Cissa Guimarães Foto: Murilo Tinoco / Divulgação

De olho no futuro

O evento também contou com a presença de celebridades da telinha como como Juliana Knust, Chico Pinheiro, Ana Maria Braga e Cissa Guimarães. Para o próximo Quintal, que já está sendo bolado, Zeca pretende convidar Chico Buarque, um tiro no alto, tendo em vista a dificuldade de incluir Chico em qualquer projeto. 

Estilo de vida

Com os parceiros de Quintal e seu maestro, Rildo Hora (de casaco amarelo e fones, ao lado de Zeca) Foto: Guto Costa / Divulgação

O Quintal do Pagodinho foi idealizado por Zeca para mostrar a cara dos seus compositores de fé, aqueles que, disco após disco, o abastecem de sucessos. Neste time, estão Claudemir, Marquinhos PQD, Marcelinho Moreira, Pedrinho da Flor, Marquinho China e Claudinho Guimarães.

— Aprendi a valorizar os compositores com Beth Carvalho (que lançou Zeca no mundo da música), que faz isso há muito tempo. O quintal é o lugar onde a gente se reúne pra jantar, pra bater papo. Outro dia, vi uns vídeos antigos do Candeia na internet: tem sempre o panelão, um pé de galinha com inhame. É o estilo de vida do sambista — resume Zeca.

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Vacas magras

À vontade no seu ambiente, consagrado em todo país, com todo o patrimônio que conquistou ao longo de mais de 30 anos de carreira, Zeca não esquece os momentos de perrengue que passou. E lembra que a música esteve sempre presente:

— Quando eu lembro da minha infância, lembro que sempre tinha um som, uma cantoria. Minha mãe (dona Irinéia, 85 anos) lavava roupa cantando. Mesmo na maré braba, estava sempre cantando. 

Quem estiver conectado ou à frente da televisão pode parar tudo e se ligar no #Multishow¿! Daqui a pouco, às 19h, tem estreia do novo clipe do #ZecaPagodinho, extraído do #QuintalDoPagodinho3, que será lançado no início de outubro! Não perca a gravação inédita de

Recanto dos prazeres

Mesmo morando na Barra da Tijuca, Zeca não esconde sua paixão pelo sítio em Xerém e pela região como um todo. No sítio, é possível ver de tudo: cavalos, bois, galinhas, patos e até o famoso quadriciclo, que ganhou notoriedade em 2013, quando Zeca percorreu as ruas de Xerém com o veículo, ajudando a população assolada pelas chuvas que atingiam o Rio de Janeiro na época.

Do povo, família e de coração aberto: deixa Zeca te levar!

Em um amplo terreno, com piscina, churrasqueira, horta e uma espaçosa cozinha, Zeca tem uma casa de dois andares, que frequenta, ao menos, quinzenalmente, segundo seus funcionários.

Além de tudo isso, claro, não falta cerveja no local.

— Eu gosto da Barra, mas não tem isso aqui, não tem um cavalo passando, um animal. Venho aqui, preparo um ovo de manhã. Corto meu cabelo aqui perto, na rua, em uma praça. O barbeiro fez uma cadeira bonita. Eu e meu neto (Noah, seis anos), cortamos. O cara fica cortando meu cabelo, e eu, tomando uma cerveja — revela. 

Café da manhã do Joca, em Xerém! ¿¿¿¿¿¿¿¿

Um vídeo publicado por Zeca Pagodinho (@zecapagodinho) em

O famoso quadriciclo Foto: José Augusto Barros / Agência RBS

"Ouço de tudo, menos Zeca Pagodinho"

Em cerca de 40 minutos, interrompidos por goles de refrigerante, Zeca Pagodinho conversou com Retratos da Fama. Mesmo aparentando certa impaciência, mostrou ser o Zeca de sempre: sem papas na língua, sincero, criterioso com possíveis candidatos ao Quintal do Pagodinho e generoso com os amigos. No papo, uma revelação surpreendente: em sua casa, ouve de tudo, menos as suas próprias canções. Depois da entrevista, Zeca parecia ser o Zeca mesmo. Sentou com um dos funcionários do sítio e passou a tomar uma cerveja.

Diário Gaúcho — Aqui, parece o teu quartel-general, o lugar que reúne teus amigos para cantar e relaxar. É por aí?

Zeca Pagodinho —
Com certeza, a gente tá sempre se encontrando, aqui, na Barra (da Tijuca, onde mora) no Quebra-Mar (bar frequentado por ele na Barra). Mas é mais aqui. Sempre estamos fazendo uma comida. Geralmente, eu ligo e chamo eles. Mas, muitas vezes, eu não estou nem aqui, e eles vêm, fazem uma comida, um samba.

Moacyr Luz é um dos convidados especias do #QuintalDoPagodinho3, interpretando o samba

Zeca Pagodinho agradece orações dos fãs

Diário — Tu és um cara conhecido pela generosidade, por gravar músicas de autores desconhecidos, que acabam ficando conhecidos depois disso. Como te sentes?

Zeca —
Têm alguns compositores que eu conheço que não querem aparecer. Tem um deles, por exemplo, que considero um dos maiores do país, o Paulinho Pinheiro, que sempre me diz: "Zeca, não quero ficar famoso". E eu sempre digo que ele não precisa aparecer. Mas ele fala que não tem como, que, onde eu coloco a mão, vira sucesso. E ele não quer isso, me disse que faz o samba pra ele, que quer seguir tomando o chope dele no bar. Uma pena, seria uma honra tê-lo aqui, ele é muito talentoso. 

Diário — E como foi receber tantos monstros da música em teu sítio?

Zeca —
Foi todo mundo junto, cada um no seu estilo, uma festa. Mas faltou gente, queria que tivesse vindo o Ivan Lins, por exemplo. Quando eu pensei em convidar a (Maria) Bethânia, fiquei na dúvida se ela viria. Me disseram: "É só convidar que ela vem". Ela passou o dia aqui maravilhosamente bem, bateu papo com todo mundo. E fiz questão de declamar a poesia (Mora comigo), antes da primeira canção do disco. Eu lembro desse poema no primeiro vinil que ouvi da Bethânia, em 1976, ouvia direto, com meus irmãos. Quando eu contei essa história para ela, ela fez questão de incluir o poema no disco.

Maria Bethânia: estrela no Xerém Foto: Murilo Tinoco / Divulgação

Retratos — E a rotina aqui no sítio é essa sempre? Samba, muita gente, comida, bebida?

Zeca —
É isso, bem isso. Sempre tem comida, bebida, ninguém enche o saco. Aqui, todo mundo é igual, não tem Zeca, não tem Bethânia. 

Diário — Teu time do Quintal está fechado? Tu deves receber muita música e pedidos de ingressos no Quintal, não?

Zeca —
Às vezes, tem cara que chega dizendo que vai me mandar um sambinha. Se é pra mandar sambinha, melhor nem mandar. Tem que mandar um sambão. Afinal, eu também sou compositor, dou minhas "canetadas" por aí (entre outros sucessos, Zeca é compositor de Nunca Mais Vou Jurar, ao lado de Arlindo Cruz e Marcelinho Moreira). Para entrar no meu time, tem que chegar com nota 10.

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Diário — Depois de gravar esse projeto, já pensas no próximo Quintal?

Zeca —
Claro, já penso no 4. Mas penso que a vida é doida, é só saber viver. Quando eu poderia imaginar que seria parceiro do Martinho (da Vila)? Eu lembro que ouvia aquele disco que tinha "particular, particular" (Zeca cantarola um trecho de O Pequeno Burguês, um dos hits de Martinho). Ficava ouvindo aquilo, viajando... Quando imaginaria que ele e Bethânia viriam na minha casa?  
Diário — Tu és um grande representante do samba no país, uma referência, todo mundo quer gravar contigo, ou ter uma música gravada por ti. Com o predomínio do sertanejo no país, como tu avalias o atual momento do samba no país?

Zeca —
O samba já sofreu tanto, mas acho que está bem melhor, atualmente. Mas ainda tem muito lugar pra chegar. A diferença é que o samba chega nos locais "duro", a fim de arrumar um dinheiro pra levar pra casa. Os outros (gêneros) já chegam com dinheiro, a fim de dobrar o dinheiro. Na real, falta tudo para o samba. Só não nos falta a vontade de compor.

Diário — Neste ambiente, no teu descanso, nas folgas, que músicas tu ouve?

Zeca —
Eu escuto Jackson do Pandeiro, Jamelão, Luiz Gonzaga, daqui a pouco, vira pro Martinho. Só não ouço Zeca Pagodinho, esse não aguento mais!  

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