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Coluna da Maga02/06/2017 | 10h00Atualizada em 02/06/2017 | 10h00

Magali Moraes e as lembranças de uma gargantilha com nome

Magali Moraes e as lembranças de uma gargantilha com nome Miguel Neves/Divulgação
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Se tem uma coisa que não dou, não empresto e não vendo é a gargantilha com o meu nome. Se eu perder, acho que tenho um treco. Essa preciosidade me acompanha desde os dez anos de idade (ou até menos). Ainda se fala gargantilha? Não importa. É uma correntinha fina e rente ao pescoço. A minha é de ouro, com as letras quadradinhas. E tem um valor sentimental que não se mede em quilates: foi presente dos meus dindos, que morreram faz tempo.

Ele trabalhava na Masson (nos áureos tempos da joalheira) e vivia me mimando com pequenas joias. Eu ficava encantada! Nossa família não tinha grandes luxos, três filhos pra criar, sabe como é. O motivo por que meus pais escolheram esses tios pra serem meus padrinhos é lindo de contar. Quando eu nasci, eles tinham acabado de perder o único filho num acidente de carro. Convidá-los pra me batizar foi a maneira que meus pais encontraram de trazer um sopro de vida e alegrar os seus dias.

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Fora de moda

Quatro décadas se passaram desde que ganhei a gargantilha e continuo apegada a ela. Pense o quanto uma pessoa muda ano após ano. Muda de rosto, de corpo, de casa, de sonhos, de planos. Manter um pedacinho da infância pendurado no pescoço chega a ser um ato de rebeldia. Às vezes me pergunto se esse tipo de gargantilha não está completamente fora de moda. Então passo o dedo em cima do M, do A, do G, do A, do L e do I e lembro dos meus dindos me levando pra passear. A gente ia até o clube Veleiros do Sul. Era como viajar pra outro mundo.

Deu vontade de escrever sobre isso porque ontem passei pela Dione na rua. Uma mulher que nunca vi, mas li seu nome numa gargantilha parecida com a minha. É tipo crachá, só que mais legal. Eu devia ter falado "Oi, Dione!!!" Se todo mundo voltasse a usar essas correntinhas, será que as pessoas ficariam mais simpáticas umas com as outras? Perdi a chance de ganhar um sorriso da Dione, de dizer o meu nome e sorrir de volta. 


 
 
 
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