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Coluna da Maga05/06/2017 | 16h07Atualizada em 05/06/2017 | 18h04

Magali Moraes e o "Se nada der certo": quando o ser humano erra feio

Magali Moraes e o "Se nada der certo": quando o ser humano erra feio Miguel Neves/Divulgação
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Uma escola de Novo Hamburgo virou assunto nas redes sociais da pior forma possível. Tudo por causa de um site que publicou (porque achou legal!) fotos de uma atividade realizada pelos alunos do terceirão durante o horário escolar, chamada "Se nada der certo". Sabe qual era a proposta pedagógica? Imaginando o que aconteceria caso eles não passassem no vestibular e arruinassem seu futuro (contém ironia), os alunos deveriam vir fantasiados de fracassados profissionalmente. No caso, vendedor ambulante, faxineiro, atendente de loja, gari, churrasqueiro, caixa de supermercado, jornaleiro, entregador de pizza e por aí vai. Trabalhador honesto, sabe assim?

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Quando vi as fotos publicadas, senti vergonha alheia. E deduzi que algumas fornadas de seres humanos saem muito erradas. Será que em nenhum momento esses alunos, pais e professores se deram conta de que nem todo mundo tem a oportunidade de fazer faculdade? E que nem por isso tem o futuro arruinado? Passam treze anos dentro da escola pra não aprender nada. Empatia zero. Consciência social nula. Pra eles, o mundo se divide entre os fracassados e os que passam (de primeira) no vestibular. Jura?

Lixo

É comum o terceirão inventar atividades temáticas, como todo mundo vestir a mesma cor de roupa pra causar. E isso acaba envolvendo a família. Por isso mesmo, fiquei imaginando esses alunos pedindo para seus pais uma ajudinha pra montar o look de fracassado: "mãe, empresta um avental pra eu me fantasiar de faxineira?" ou "pai, tem algum isopor na garagem pra eu bancar vendedor de ceva em dia de show"? Quanta criatividade colocada no lixo, hein.

Adolescentes erram, faz parte da idade. E muitas vezes os pais nem sabem o que eles estão aprontando. Mas me caíram todos os butiás do bolso quando li a nota de esclarecimento da escola. Em meio a um blablablá vazio, ela se justificou dizendo que "o objetivo principal dessa atividade foi trabalhar o cenário de NÃO APROVAÇÃO NO VESTIBULAR, de forma alguma foi fazer referência ao "não dar certo na vida". Engraçado, né? Alguém me explica por que o nome da atividade era justamente "SE NADA DER CERTO"? E tem outra escola de Porto Alegre que incentivou o mesmo tipo de atividade. As fotos também estão circulando na internet. Por favor, alguém inventa urgente o vestibular pra SER HUMANO? Inscrições abertas.

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