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Após 32 anos...26/08/2017 | 12h00Atualizada em 26/08/2017 | 12h00

Depois de três décadas, Oswaldir & Carlos Magrão anunciam fim da parceria

Último show da dupla será em setembro, em Passo Fundo. Oswaldir segue no nativismo, em parceria com um grupo, enquanto Magrão terá um projeto gospel, além da carreira solo no meio gaudério.

Depois de três décadas, Oswaldir & Carlos Magrão anunciam fim da parceria Felipe Goldenberg/RBS TV
Oswaldir (esquerda) e Carlos Magrão (direita): novos rumos Foto: Felipe Goldenberg / RBS TV

Um anúncio nas páginas pessoais do Facebook de Oswaldir & Carlos Magrão, no começo de agosto, surpreendeu os fãs ao anunciar a separação da dupla após 32 anos de sucesso. Os nativistas, que apresentaram para as novas gerações uma das maiores músicas da história do cancioneiro gaúcho, Querência Amada, nos anos 1990, seguem seus caminhos a partir do começo de outubro.



Mais do que a simples separação de uma dupla, algo relativamente comum no meio musical, a notícia representa o fim de um casamento de sucesso de dois dos grandes intérpretes da música gaúcha, que casavam com maestria estilos diferentes no palco. Retratos da Fama relembra a trajetória de sucesso dos músicos, projeta o futuro e, acima de tudo, deseja boa sorte a eles!

Cada um para seu lado

No dia 29 de setembro, Passo Fundo, cidade que viu a dupla nascer, em 1985, testemunhará o último show dos amigos, que seguirão caminhos distintos. A partir de 1º de outubro, separados, Oswaldir, 65 anos, e Carlos Magrão, 57, tomam caminhos diferentes. Oswaldir fechou parceria com o grupo Quinteto Nativo e segue na estrada gaudéria.

Músicos do Quineto, novos parceiros de Oswaldir Foto: Stéfanie Telles / Divulgação

Já Magrão também segue na música gaúcha, mas terá, em paralelo, um projeto gospel. A reunião derradeira, que definiu o fim da dupla, aconteceu há cerca de um ano, também em Passo Fundo.

— Disse que eu pretendia seguir carreira solo, que já tinha uma vontade, e ele sabia disso há algum tempo. A reação, mesmo já sabendo, foi de surpresa, claro. Acho que, na verdade, os dois perdem com isso. Mas não tinha mais como. Estou morando em Itajaí (Santa Catarina) — afirma Magrão, que atribui ao fato de morar longe do parceiro um dos motivos para a separação:

— Já deixei de fechar alguns negócios aqui por conta da dupla, por essa distância.
Mesmo assim, ele garante que a amizade com o parceiro é eterna.

— Foi um casamento, né? Tivemos divergências, mas sempre resolvemos tudo em conversa. Somos compadres, tenho muito carinho pela família do Oswaldir, eles são muito verdadeiros. Me ajudaram demais desde o começo da carreira — reconhece.

Nova fase

Conformado, Oswaldir completa:

— O Magrão decidiu seguir careira solo e só resta a mim apoiá-lo.

Oswaldir já tem shows previstos na nova fase, a partir de outubro. Já Magrão tem apresentações do projeto gospel previstas para o mesmo mês, em Cruz Alta, em Panambi e no Paraguai. Seu primeiro disco solo da fase nativista também deve sair até o fim do ano.Aos fãs, um alento: em seus shows solo, os músicos seguirão tocando hits como Querência Amada.

— Não tem como deixar de fora — afirma Magrão. 

Parceiro de peso

Com Renato (E), Sérgio (D) foi homenageado pela dupla amiga Foto: Divulgação / Divulgação


Um dos grandes parceiros e amigos na música da dupla é Sérgio Reis. No princípio da carreira, Oswaldir & Carlos Magrão começaram a chamar atenção em São Paulo abrindo shows do sertanejo. Em um dos encontros, Serjão, como é conhecido no meio, perguntou se eles não se interessavam em tentar emplacar uma canção em um dos grandes festivais da época, o Rimula Schell, em São Paulo. Ali surgia Tetinha, primeiro hit dos gaúchos, que eles tocaram no festival.

Em entrevista ao Diário Gaúcho, em 2015, Sérgio deu a ideia da dimensão de Oswaldir e Carlos Magrão em sua vida:

— Quando eu era pequeno, ouvia Tonico & Tinoco. Mas, depois de conhecer Oswaldir & Carlos Magrão, a minha vida virou uma gauchesca só (risos)!

Em 2011, em um encontro emocionante, na Festa Nacional da Música, em Canela, Sérgio foi um dos homenageados, ao lado de Renato Teixeira. No palco, os amigos gaúchos cantaram para ele Querência Amada. No ano seguinte, estiveram, novamente, no palco da festa.

Alguns dos principais momentos da dupla

— Em 1985, Carlos Eugênio Knob, recém-chegado em Passo Fundo, da cidade de Campo Novo, queria estudar na UPF, mas também estava atraído pelo movimento de roqueiros que rolava na cidade. Enquanto isso, Osvaldir Didoné Souto, que nasceu em Getúlio Vargas e foi morar ainda pequeno em Passo Fundo, já tinha experiência em grupos de baile, como Os Invencíveis. 

No bar Recanto Nativo, o início de tudo Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

— Naquele ano, o destino, e um amigo em comum, conhecido na cidade como Dutra, conseguiu reunir Oswaldir (a partir dali, ele adotou o nome artístico, com "w"), e Carlos, que virou Carlos Magrão, no palco pela primeira vez, no bar Recanto Nativo, que passou a ter significado especial para os músicos. Surgia ali uma das grandes duplas da história da música gaúcha.

— Em 1988, saiu o primeiro LP, Versos, Guitarra e Caminho, com faixas como Um Pito, Santa Helena da Serra e Melô do Cruzaids, música com a qual ganharam uma das categorias da 7ª Seara da Canção de Carazinho.

— No começo dos anos 1990, moraram em São Paulo e mantiveram amizade com nomes como Zezé Di Camargo, João Paulo & Daniel e Eduardo Araújo, que produziu o segundo disco da dupla, Ruas e Luas.

— Em 1994, outro momento marcante: lançaram o disco Festeral (foto abaixo), com sucessos históricos da música gaúcha como O Colono (Teixeirinha) e Você Endoideceu Meu Coração (Nando Cordel), com participação de Dominguinhos.

Foto: Reprodução / Reprodução

— Em 2002, o hit Mulher Chorona levou a dupla a fazer shows no Centro-Oeste, no Sudeste e na América do Sul, com shows na Colômbia, no Uruguai e no Paraguai.

— Em 2015, o último disco de inéditas foi lançado no mesmo ano, De Tudo Um Pouco, que teve a inusitada parceria de Serginho Moah.

— Em 2016, o primeiro show no Theatro São Pedro, o grande palco gaúcho.

Uma canção especial

Nas antigas arquibancadas do Olímpico: boas lembranças Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS


Querência Amada tem um lugar à parte na trajetória dos músicos, guardada no coração de cada um deles, como Magrão já declarou. Em 1993, eles regravaram um dos grandes sucessos de Teixeirinha (1927 - 1985) no disco Velha Gaita. Em 1996, incluíram a faixa no disco que levava o nome da dupla, o mais vendido da história deles, atingindo mais de 400 ml cópias, o que rendeu disco de ouro aos nativistas.

O álbum ainda tinha outros sucessos como Roda de Chimarrão, Herdeiro da Pampa Pobre e Prece, um dos hinos gaudérios, de composição de José Mendes e Jayme Caetano Braun. Porém, não foi a regravação da obra por si só que fez o disco bombar. Em 1995, a vitoriosa campanha do Grêmio na Libertadores da América tinha como trilha, antes dos jogos, no Estádio Olímpico, o hit de Teixeirinha na voz dos nativistas, nos alto-falantes. Em 1997, para delírio da torcida, eles deram a volta olímpica no estádio antes do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, Grêmio x Flamengo.

Cinco perguntas para Carlos Magrão

Magrão: "Quero usar muito a música gospel para elevar a minha alma e meu espírito." Foto: Robson Covatti / Divulgação

Diário — Por que a dupla acabou? Existiu algum desentendimento?
Carlos Magrão —
Partiu de mim, eu queria uma liberdade maior para poder trabalhar com as minhas coisas. Não tivemos nenhum desentendimento, somos compadres, temos uma grande amizade. Se fosse por ele, a dupla não acabava, pois estava muito cômodo para ele. Eu já me mudei muitas vezes, já morei em São Paulo, no Rio de Janeiro, agora, estou em Santa Catarina. Dá para ver que não sou apegado a ficar no mesmo lugar (risos).

Diário — Essa opção por seguir carreira no mundo gospel, mesmo que paralelo ao universo gaúcho, gerou surpresa nos fãs. De onde veio isso?
Magrão —
Na verdade, já tenho um trabalho no mundo gospel há cerca de 10 anos, desde que entrei para a igreja. Já lancei um CD e um DVD. Mas seguirei trabalhando nos dois segmentos de maneira paralela, não posso jogar 32 anos de história na música nativista fora para entrar no gospel. Se eu for mais tarde para esse caminho, pelas opções de Deus e coisas da vida, tudo bem.

Diário — O que te incentivou a ir para esse universo? Enxergou uma possibilidade de mais sucesso e conquista financeira?
Magrão —
Esse mercado é muito bom, sério, mas eu, a princípio, não queria usar o meu trabalho gospel para a minha sobrevivência, sendo que eu posso sobreviver da música gaúcha. É mais uma questão do espírito, de fazer o bem para mim. Desde que eu entrei para a igreja, mudei muito, aprendi muito a dividir e não achar que a gente é mais do que ninguém. Quero usar muito a música gospel para elevar a minha alma e meu espírito.

Diário — Não tens receio, ou medo, de deixar uma dupla tão sólida e investir em uma carreira solo?
Magrão — (Faz uma pausa antes de responder). Medo, medo, não tenho. Se eu não acreditar em mim, não posso fazer nada. A dupla tinha uma divisão de tarefas, eu ficava mais com a parte musical, e o Oswaldir com a parte comercial, de shows, de administrar a carreira. Quero administrar minha carreira profissional, preciso que as coisas passem por mim. Achei que esse era o momento.

Diário — Entre tantos momentos de sucesso, qual, em especial, tu destacas? Magrão — Em 1997, demos a volta na pista atlética do Estádio Olímpico, antes do primeiro jogo da final da Copa do Brasil (contra o Flamengo). Esse momento foi ímpar.

Cinco perguntas para Oswaldir

Oswaldir: vida que segue, com novos parceiros Foto: Cassiano Vargas / Divulgação

Diário — Por que a dupla acabou? Existiu algum desentendimento?
Oswaldir —
Partiu do Magrão, ele decidiu fazer carreira solo e, em uma conversa, chegamos à conclusão de que tinha chegado a hora.

Diário — Essa opção por seguir carreira no mundo gospel, mesmo que paralelo ao universo gaúcho, gerou surpresa nos fãs. Inusitado, não?
Oswaldir —
Ele trabalha nesse projeto há alguns anos e quer se dedicar mais a isso.

Diário — No Brasil, o gospel é um dos segmentos mais fortes dentro da música, tem fãs ardorosos e é um segmento interessante para os músicos. Acha que isso incentivou o Magrão a ir para esse mundo?
Oswaldir —
Não saberia te dizer.

Diário — Depois de 32 anos, uma separação de um parceiro de música deve ser complicado, não é? Como te enxergas daqui para frente ao lado do Quinteto Nativo?
Oswaldir —
É complicado, sim, por tudo que conquistamos juntos nesses 32 anos de carreira. Mas, tenho certeza de que esta nova parceria com meus amigos do Quinteto Nativo dará muito certo, pois são grandes músicos e acredito muito no que faremos dentro da música gaúcha.

Diário — Entre tantos momentos de sucesso, qual, em especial, destacas?Oswaldir — Além da volta olímpica na final da Copa do Brasil, a gravação do DVD Ao Vivo - 25 Anos (em 2011, em Bento Gonçalves).

Números para colecionar
— 32 anos de carreira
— 17 discos
— Cerca de 1 milhão de cópias vendidas
— Um disco de ouro

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