Magali Moraes e o rodinho que acalma - Entretenimento

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Coluna da Maga18/12/2017 | 10h00Atualizada em 18/12/2017 | 10h00

Magali Moraes e o rodinho que acalma


A escritora e publicitária Magali Moraes é a nova colunista do Diário Gaúcho. Ela vai escrever a Coluna da Maga, todas as sextas-feiras.
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Ah se tudo na vida fosse como o rodinho da pia. Ele tá sempre à disposição pra nos acalmar. Uma água bem puxada com rodinho é garantia de felicidade. Os perfeccionistas piram. Os ansiosos relaxam. Os portadores de Transtorno Obsessivo Compulsivo (o famoso TOC) vibram. Em meio a tantas incertezas e medos, o rodinho da pia é a segurança de que tudo vai ficar no seu devido lugar. Nenhuma gota de água ousa contrariar o rodinho. Quando ele passa, todos os excessos vão embora. A pia fica sequinha e perfeitinha. E a gente sente um prazer indescritível.

Eu queria levar o meu rodinho pro trabalho, só pra deixar em cima da mesa e relaxar. Ele é o primo caçula do limpador de vidro que os frentistas usam nos postos pra serem gentis com a freguesia. Nos tempos de criança, eu ficava hipnotizada olhando aquele rodão indo pra lá e pra cá. Fascinada é a palavra certa. Não sobrava água pra contar a história. Até hoje não consigo tirar os olhos do rodão enquanto abasteço. É o único momento em que não dá vergonha a sujeira do carro. 

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Tolerância zero

Mas tem que ser um rodinho com a borracha perfeita na ponta. Sai mais barato comprar um novo do que arrancar os cabelos e roer as unhas. Eu levo muito a sério a passada de rodinho. Até levanto o secador de louça pra conseguir arrecadar qualquer gotinha que pretendia se disfarçar no granito. Tolerância zero com a água que sobra na pia, esse é o meu lema. Me dei conta de que preciso agradecer ao filtro que segue pingando ali em cima. 

Cada um acha uma maneira de se acalmar. Qual é a tua? Tem gente que curte embrulhar os presentes de Natal meticulosamente, prender com cuidado o durex no papel, colocar fitas e etiquetas, escrever cartões fofos. Vocês têm o meu respeito. Porque qualquer coisa que a gente faça pra se acalmar, por mais boba que seja, tá valendo. Eu teria outra dica valiosa pra dividir contigo: o vinho. Mas isso é assunto pra uma próxima coluna.  




 

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