Músico de Alvorada mostra a força da cultura negra - Entretenimento

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Estrelas da Periferia25/09/2018 | 08h15Atualizada em 25/09/2018 | 08h15

Músico de Alvorada mostra a força da cultura negra

Dona Conceição se divide entre as funções de cantor, percussionista, compositor, cineasta e poeta

Músico de Alvorada mostra a força da cultura negra Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Um ator que canta? Cineasta que também atua? Percussionista que compõe e escreve poesia? Dona Conceição é tudo isto e mais um pouco. Uma mistura de artes que remete à própria infância, onde o toque do tambor nos terreiros de Alvorada e as influências musicais do pai moldaram um artista multifacetado. 

— Eu acho que quando a gente nasce negro, pobre e de periferia, em um lugar onde não tem muito acesso à arte, essa condição social nos coloca a obrigação de ter várias funções, de tentar se impor da melhor maneira possível. Além disso, sou uma pessoa muito inquieta, encontrei nessas artes a maneira de me expressar — explica ele.

John Conceição, 28 anos, adotou o nome artístico em homenagem à mãe, Dona Vera Regina, e o pai, Seu Conceição. 

A relação com a música começou ainda na infância, mas foi aos 15 anos que o jovem descobriu que poderia usar a arte como instrumento de mudança social. Nasceu assim o Nação Periférica, projeto que, de 2005 a 2011, ensinava percussão aos adolescentes da periferia de Alvorada.

Ao mesmo tempo em que ensinava, John fazia da música uma carreira promissora. Entre 2008 e 2009, foi cantor e intérprete no musical Vitória Régia e na companhia teatral Jacinto Que Deu Certo.

Que som é esse?

Dona Conceição classifica seu som como Música Popular Brasileira, mas a verdade é que as referências são diversas, do toque do tambor — herança africana — aos intérpretes negros da atualidade, como Gilberto Gil.

Em 2013, foi um dos criadores do Latitude, realizado pela CUFA (Central Única das Favelas). O projeto inseria jovens da periferia no mundo da música. Pela promoção da cultura negra e realizações sociais, o músico recebeu o Troféu João Cândido, promovido pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR) e o Prêmio da Diversidade Cultural do RS, promovido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Futuros projetos

Atualmente, trabalha como ator e diretor do grupo teatral Cor do Brasil, além de integrar o coletivo de compositores A Cabaça, ambos no Rio de Janeiro. Dividindo-se entre a capital fluminense e Alvorada, John prepara um verdadeiro presente para sua cidade natal: um filme feito por e para os moradores do município. São mais de 30 horas de gravações, que serão condensadas em um filme de cerca de uma hora. O objetivo é lançar o projeto em festivais a partir do ano que vem.

— É a primeira vez na história um filme fala da ocupação das pessoas negras nos espaços metropolitanos, e o processo de exclusão delas dos grandes centros. Conto a história da construção da cidade de Alvorada pela perspectiva destas pessoas.

A música também tem lugar de destaque na agenda lotada de Dona Conceição. Depois do single Saudação a Exu, que saiu no dia 2 de julho, ele prepara o EP Sambas da Morte, previsto para ser lançado na metade de 2019. O projeto Axé de Fala, totalmente autoral, pode ser visto em primeira mão pelo público no dia 7 de novembro, em show na Reitoria da UFRGS.

Com tantos planos, Dona Conceição sonha alto quando o assunto é o futuro de sua carreira:

— Meu sonho é conseguir diminuir essa desigualdade social que a gente vive. Não quero ser uma exceção, quero que outros meninos e meninas negras consigam conquistar o que eu tenho conquistado com o meu trabalho e que isto não vire um fato isolado.

Pitaco de Quem Entende

Rafa, do Rafuagi, já se mostra fã do trabalho de Dona Conceição:

— É o que há de mais autêntico e visionário na música negra brasileira, uma promessa no cenário nacional. O single Saudação a Exu é uma superprodução, de extrema qualidade e suingue. Acompanhem!

Participe!

— Para participar da seção, mande um pequeno histórico da sua banda, dupla ou do seu trabalho solo, músicas, vídeos e um telefone de contato para o e-mail michele.pradella@diariogaucho.com.br.

— Para contatar Dona Conceição, é só ligar para 98518-2092

 
 
 
 
 
 
 
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