"O Papas estava em um limbo, que não merecia estar", diz Serginho Moah, após saída do grupo - Entretenimento

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Música06/02/2019 | 18h22Atualizada em 06/02/2019 | 18h57

"O Papas estava em um limbo, que não merecia estar", diz Serginho Moah, após saída do grupo

Músico seguirá carreira solo, após 25 anos como vocalista da banda gaúcha

— O Papas estava em um limbo, que não merecia estar.

Foto para coluna da Sara Bodowsky. Foto: serginho moah - EVENTO DE CHEFS NO NINHO DAS ÁGUIAS - Nova Petrópolis
Músico fará shows com a banda até o dia 30 de abrilFoto: Divulgação / Chefs In Lounge

Esse sentimento, somado a outros motivos, foram os fatores que determinaram a saída de Serginho Moah, vocalista dos Papas da Língua, que agora seguirá carreira solo. A notícia foi divulgada na tarde desta quarta-feira (seis), em comunicado enviado pelo empresário da banda, Ilton Carangacci, também divulgado no Instagram do Papas.

De acordo com a nota, Zé Natálio, Leo Henkin e Fernando Pezão darão seguimento à carreira do Papas da Língua. Conforme o empresário, a banda cumprirá a sua agenda de shows com a formação original até o dia 30 de abril.

Segundo Serginho, a decisão vinha sendo pensada há bastante tempo, e foi decidida em comum acordo com os demais integrantes, sem brigas:  

— O Papas não merecia essa situação (estar no limbo), tem um repertório que sempre esteve na ponta da língua da galera, e quase não estava trabalhando. E eu, por minha vez, estava trabalhando muito, nos bares. Me sentia mal com isso, pois gostaria de estar com eles naquele momento, fazendo aquele trabalho com o Papas.

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Surpresa

Serginho disse, ainda, que o grupo foi surpreendido por "tudo que o mercado fonográfico pode fazer em um país", e afirmou que o pop rock foi ficando de lado, em detrimento de ritmos como o sertanejo e o funk.   O gaúcho admitiu que poder definir seus rumos e, de certa forma, sempre ser lembrado como a cara do Papas tiveram peso na decisão. 

— Tudo isso foi minando minha vontade de estar no Papas. Observo a carreira solo de muita gente e existe uma facilidade muito maior. Se eu disser sim (para viagens, shows, gravações de discos), tá feito. Em uma banda, tudo tem que ser sentado, conversado. Quero o poder de ir e vir, sem amarras — afirmou o músico, para completar:

— Zona de conforto não me agrada e, de uma certa maneira, a banda estava na zona de conforto, mas não voluntariamente, fomos jogados nessa situação. Eu estava precisando disso, estou muito feliz por ter tomado essa decisão. 

Entre os primeiros passos da sua etapa 100 % solo (já que em 2016 ele havia lançado uma música) é a gravação da canção Muito Estranho (Cuida Bem de Mim), que foi hit dos anos 80, na voz do cantor Daltro. 

"É um ciclo natural, o Papas segue"

Ilton Carangacci confirmou a informação de que a saída de Serginho se deu após inúmeras conversas entre os integrantes, de maneira pacífica. Nos próximos dias, a banda deve iniciar processo de seleção para o próximo vocalista.

— Veremos qual perfil se encaixa melhor, pois é um músico que entrará em uma banda que já tem uma história, muito ligada na imagem do Serginho, teremos um desafio — reconhece o empresário. 

Quanto ao avanço de outros ritmos, apontado por Serginho como um dos motivos do ocaso do Papas, Ilton discorda. Segundo ele, o Papas mantém uma agenda consistente de shows no ano - em 2018, foram cerca de 36 - e um público cativo.

— É uma banda que sempre leva público onde vai. Fizemos muitos shows fora do Brasil, o Papas segue renovando seu público. (A saída de Serginho) é um ciclo natural que uma banda que tem tanto tempo de carreira passa. O público sente, todos sentem, mas o Papas vai continuar e o Serginho terá a carreira dele — afirma Ilton. 

Destaque no país e na Europa

foto de divulgação para o show de 25 anos da Papas da Língua no Theatro São Pedro, que ocorrerá em 14 de julho
O grupo, em show comemorativo aos 25 anos de carreira, em 2018, no Theatro São PedroFoto: Ilton Carangacci / Divulgação

A banda foi formada em 1993 e, desde então, Serginho era o vocalista. Em 2016, em entrevista ao Diário, ele começou a dar os primeiros passos na nova trajetória, quando anunciou o primeiro disco solo. Na época, disse que a banda seguia firme, e que a experiência era um sonho antigo, mas acabou ganhando um empurrão por conta da crise econômica. 

Com Serginho nos vocais, o grupo se tornou uma das bandas gaúchas de mais destaque fora do Estado. Em 25 anos de história com Serginho nos vocais, a banda fez 11 turnês pela Europa. Em 2006, a voz do cantor ficou conhecida no país, quando a música Eu Sei entrou na trilha sonora da novela Páginas da Vida. O tema de Jorge (Thiago Lacerda) e Simone (Christine Fernandes) ficou no topo das paradas durante todo o tempo em que a novela esteve no ar. Foram oito meses em primeiro lugar nas rádios de todo o país. 


 
 
 
 
 
 
 
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