Em entrevista polêmica, Milton Nascimento declara que "música brasileira está uma merda" - Entretenimento

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"Sempre traição"24/09/2019 | 10h19

Em entrevista polêmica, Milton Nascimento declara que "música brasileira está uma merda"

Após repercussão, conta oficial do cantor no Instagram amenizou declaração e citou jovens talentos

Em entrevista polêmica, Milton Nascimento declara que "música brasileira está uma merda" Nathalia Pacheco/Divulgação
Músico de 76 anos declarou ainda a jornal que anda triste demais com a vida para compor, mas que segue disposto a cantar Foto: Nathalia Pacheco / Divulgação

O cantor e compositor Milton Nascimento, 76 anos, fez algumas declarações fortes em  entrevista publicada neste domingo (22) no jornal Folha de S.Paulo pela colunista Monica Bergamo. Suas críticas foram à qualidade da música atual produzida no país.

— A música brasileira tá uma merda. As letras, então. Meu Deus do céu. Uma porcaria – opinou Milton. Emendando: — Não sei se o pessoal ficou mais burro, se não tem vontade (de cantar) sobre amizade ou algo que seja. Só sabem falar de bebida e a namorada que traiu. Ou do namorado que traiu. Sempre traição.

Milton, todavia, cita à colunista os nomes de Maria Gadú, Tiago Iorc e Criolo como músicos de que gosta na atual geração. A entrevista repercutiu neste domingo em redes sociais, mas sem contestações veementes. Milton Nascimento era o 19º assunto mais debatido no Twitter no Brasil no final de tarde de domingo (22).

Cinco horas depois de publicar uma foto da entrevista em seu perfil oficial no Instagram (@miltonbitucanascimento), a conta do músico fez uma segunda postagem amenizando o título da entrevista e citando outros nomes admiráveis, porém, na sua visão, fora do "mainstream do mercado nacional". Por isso não foram citados. Diz o texto: 

"Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo."

Confira o post do músico, em que marca diversos artistas e manda "um salve" a eles:

Ver essa foto no Instagram

Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo (foto acima) se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo. Milton tem muitos desses artistas por perto. São seus amigos. E conhece profundamente o que eles têm feito por nossa música. Um salve para Zé Ibarra, Tom Veloso, Amaro Freitas, Dani Black, Silva, Rubel, Tim Bernardes, Djonga, Emicida, Beraderos, Rincón Sapiência, Liniker, Marcia Castro, Luedji Luna, Cicero, Mallu Magalhães, Céu e a tantos outros queridos amigos que estão e vão estar sempre por aqui.

Uma publicação compartilhada por miltonbitucanascimento (@miltonbitucanascimento) em

Prestes a receber um prêmio da União Brasileira dos Compositores, Milton comenta ainda que não anda "com muita vontade de compor" por estar "meio triste com a vida":

— Não com a minha vida, mas com o geral. Quero acreditar, mas não acredito muito no mundo. Principalmente na burrice, na política. Para compor não tenho tido inspiração, não — disse Milton à colunista.

O músico conta ainda que foi incentivado a não deixar de cantar pelo ex-presidente uruguaio, José Mujica.

— Uma hora ele perguntou para mim: 'Como está a política no Brasil?' Eu falei: 'Tá uma merda. Dá vontade até de parar de tocar'. Ele respondeu: 'Não. Nunca pare de cantar. Porque a música é a coisa que pode salvar o mundo' — contou.


 
 
 
 
 
 
 
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