Em tempos de pandemia, confira como humoristas gaúchos se reinventam para levar leveza aos gaúchos - Entretenimento

Vers?o mobile

 
 

Humor local20/06/2020 | 07h00Atualizada em 20/06/2020 | 07h00

Em tempos de pandemia, confira como humoristas gaúchos se reinventam para levar leveza aos gaúchos

Jair Kobe, Cris Pereira, Rogério Beretta, Suzi Martinez e Nego Di investem nas apresentações via internet para dar momentos de humor para quem está em confinamento

Diante do avanço da pandemia de coronavírus e da indefinição sobre quando voltaremos a ter uma vida normal, as pessoas, cada vez mais, estão em busca de opções de lazer. A partir daí, acabam procurando algo leve para passar por este momento de maneira mais serena. Quem está em casa e assiste a lives e vídeos de humoristas gaúchos tem encontrado uma baita válvula de escape para fugir das más notícias que nos rondam. 

Mesmo com todas as dificuldades, nomes como Guri de Uruguaiana, Nego Di, Rogério Beretta, Suzi Martinez e Cris Pereira estão se “virando nos 30” para produzir, de suas casas, materiais inéditos que possam aliviar a tensão da rotina neste período. Confira como os comediantes estão trabalhando para que você tenha novidades e humor durante toda a semana!

Lives e um público pra lá de fiel

Colunista do DG e um dos principais nomes do humor gaúcho, o Guri de Uruguaiana tem mais de quatro milhões de seguidores nas quatro principais plataformas digitais  (YouTube, Instagram, Twitter e Facebook). Ele começou a fazer lives logo no começo da pandemia de coronavírus.

Guri de Uruguaiana
Guri mostra o humor gaudério em suas redes sociaisFoto: Fabrício Eckhard / Divulgação

 A primeira, ele lembra, foi no dia 27 de março.  Desde lá, já produziu mais  26 apresentações virtuais.

- Eu sempre trabalhei muito bem nas redes. Por conta das minhas condições, e da minha experiência, eu saí na frente quando o assunto foram as lives. No começo, fiz três semanais. Agora, faço duas, sempre mantendo dia e horário (quintas e sábados, às 19h), para fidelizar o público - explica Jair Kobe, criador do personagem.

De acordo com o humorista, um dos principais diferenciais de suas lives, além de frequentes participações especiais de nomes importantes da cultura gaúcha, como Joca Martins, é a qualidade de suas apresentações.

- Viemos qualificando cada vez mais nossas lives, com interação do público, via telefone. A gente traz perguntas sobre o Rio Grande do Sul, por exemplo. Quem acerta, ganha brindes - conta Jair.


Só assuntos leves

Durante o confinamento, o inquieto humorista criou dois novos produtos: um deles é a Banda do Guri, um grupo vocal, e uma live específica para empresas. 

Para completar, ele pretende lançar por aqui uma ideia que já ganhou adeptos no país: o couvert virtual, que terá contribuições de R$ 5, R$ 10, R$ 20 ou R$ 50 para os artistas que fazem lives. 

- Quem não quiser contribuir, assiste igual à live. Couvert de bar, todo mundo já conhece. Agora, teremos o couvert artístico virtual, no qual o público ajudará a pagar o cachê do artista que está ali, trabalhando - explica Jair.

O humorista destaca a importância de levar humor nestes momentos de pandemia para os fãs, que estão confinados, em isolamento:

- A minha live não tem assunto ruim nem pessimismo. Se o cara quer saber notícias ruins, está cheio (de outras fontes de informação)por aí. A Live do Guri tem um só objetivo: diversão e participação do público, com textos novos toda a semana. É uma hora de diversão, no mínimo, é uma coisa que eu gosto muito de fazer.

O Guri, aliás, fará o show de estreia do projeto Poa Drive-In Show, no próximo sábado (27), cujas apresentações poderão ser ouvidas dentro dos veículos por meio de uma frequência específica de rádio FM, no Anfiteatro Pôr do Sol. Os artistas farão seus shows no palco e terão sua imagem ampliada em telões de led. 

- Será um grande desafio, em um formato totalmente diferente - afirma Jair.

Criatividade na adaptação

Um dos sucessos dos palcos gaúchos, a montagem Pq Casamos?!, estrelada pelo casal Rogério Beretta e Suzi Martinez, surgiu na internet em forma de websérie, no Facebook, em 2018. 

Divulgação do espetáculo Pq Casamos?!, com Rogério Beretta e Suzi Martinez.
A websérie virou peça de teatroFoto: MainQuest Soluções Audiovisuais / Divulgação

 Antes de inspirar a peça de teatro, baseada na convivência do casal, que está junto há 34 anos, a montagem já divertia o público, com capítulos semanais.  Neste momento, a produção segue a mil para levar humor para quem está confinado em casa. O casal, inclusive, estreou o canal Pq Casamos?!, no YouTube, com todos os vídeos da websérie. Porém, mesmo com um trabalho intenso na internet, Beretta alerta para as dificuldades que a dupla vem enfrentando na hora de adaptar todo o seu trabalho para as plataformas digitais. Além da websérie no Facebook, ele também faz lives semanais de humor.

- Temos tentado ser criativos, inventar algumas coisas. Tenho 36 anos de palco, não é fácil, de uma hora para outra, digitalizar todo o nosso trabalho. Muda tua técnica, tua maneira de encarar essa nova forma de expressão. Além disso, capitalizar isso é complicado, o público assiste a muita live gratuita - observa Beretta.  

Solidariedade

Nas apresentações virtuais, ele comenta, são arrecadados alimentos e cestas básicas, que são destinados para artistas e técnicos da área cultural. 

- Tenho notado que, apesar do aperto, o público, em geral, está sensibilizado com a classe artística - afirma.

Em um tom bem-humorado, Beretta e Suzi, a convite de Retratos da Fama, elegeram alguns dos momentos mais engraçados dos casais que estão em isolamento social. 

- Na quarentena, chegamos ao ponto de colocar nossa melhor roupa para assistir ao Jornal Nacional - comenta Beretta.

Já Suzi fala sobre uma das roupas mais usadas neste período: 

- Durante a quarentena, descobrimos que o pijama é a roupa mais versátil do guarda-roupa!

Reinvenção é a estratégia

Cria da internet, Nego Di, integrante do Pretinho Básico, da Rádio Atlântida (94.3 FM), lembra que sempre foi ativo nas redes sociais, ritmo que diminuiu um pouco quando ele passou a fazer shows presenciais.

Nego Di, humor, testando maldades, canoas, boa do dia
Nego Di aposta na simplicidade para se aproximar da galeraFoto: Facebook / Divulgação

- Em 2018 e 2019, eu cheguei a fazer 25, 26 shows por mês. Quando lancei meu primeiro show, As Aventuras do Nego Di, acabei diminuindo um pouco a intensidade na internet - explica.

Com a pandemia de coronavírus, Nego Di comenta que, além de ter voltado a criar mais conteúdos online, conseguiu dar mais atenção para a mãe, Fatima, 63 anos, e para o filho, Tyler, cinco.

- Como eu vinha fazendo show, estava perdendo muito o contato com ela, estava meio longe. Então, estou passando a quarentena com ela, curtindo muito minha mãe. Nesse período, inclusive, tentaram me contratar para alguns shows "de canto", mas eu não aceitei, sou totalmente a favor do isolamento social -  revela o humorista gaúcho.


Evolução

Para levar conteúdos leves e divertidos para o seu público, Nego Di afirma que usou o período para se reinventar.

- Esse é o momento de se reinventar. Eu sempre fiz vídeos do que estava rolando e sempre gravei onde eu estivesse, seja no carro, na casa da minha mãe, no quarto. E meus únicos investimentos são em um bom celular e microfones, por exemplo. Eu acredito que, quanto mais simples, mais próximo está do teu público. Para mim, que comecei gravando áudios, gravar vídeos já é uma quebra de barreira - explica.

Também durante o confinamento, de casa, Nego Di fez sucesso gravando vídeos como um comentarista do Big Brother Brasil. O resultado? No período, ele ganhou quase 300 mil seguidores, somente no Instagram.

- Ainda estou fazendo a Live dos Guri, todas as sextas-feiras, no Instagram, às 21h, com participações especiais. Além disso, comecei a trabalhar, por exemplo, com mais publicidade para empresas. Elas precisam de divulgação para alcançar o seu público e continuar atuando - revela.

"Entretenimento é o que cura"

– Nós, humoristas, somos importantes para curar as pessoas que não podem sair de casa neste momento.

O humorista Cris Pereira.
Cris aproveita o período para atualizar seus personagensFoto: Maribel Cachoeira / Divulgação

É desta maneira que Cris Pereira, criador de personagens consagrados do humor gaúcho, como Jorge da Borracharia e Gaudêncio, também integrante do Pretinho Básico, da Rádio Atlântida, define a importância do humorista em tempos de pandemia de coronavírus. Cris, que sempre foi ativo na internet, tem aproveitado o período para atualizar seus personagens e para se manter "vivo", como ele diz.  

- É como se eu tivesse construindo um grande barco, mas não tivesse água, ainda. Não parei de me atualizar. Toda quarta-feira, no meu canal do YouTube, eu coloco um vídeo novo, algo fundamental para levar para as pessoas neste momento - explica Cris. 

Na entrevista, o humorista cobrou propostas dos governos para a classe artística, que, na opinião dele, está abandonada. 

Ver essa foto no Instagram

Finalmente vamos matar a saudade de assistir shows de comédia ao vivo, sem sair de casa. A Claq é uma plataforma de streaming criada especialmente pra transmitir os shows no @poacomedyclub, onde vcs poderão interagir, e dessa vez, com o bagual dos baguais @gaudenciosincero aplaudindo, rindo MUITO e respondendo sempre que forem solicitados. Por meio de um super painel, o bagual e seus convidados irão interagir com as pessoas em tempo real! Além dessa galera do painel, outras milhares de pessoas poderão assistir ao show de suas casas por apenas R$10 pilinhas! Demais, né? A estreia do Gaudêncio será no dia 28/06, e tu já pode garantir teu link de acesso pelo claq.com.br ou na Bio desse insta e do @poacomedyclub ... bóra? Então SIMBÓRA! ��❤����

Uma publicação compartilhada por oCrisPereira ✔️ (@ocrispereira) em

- Quando se fala de planos para o retorno de atividades, a do artista não é nem citada. Ninguém fala nem da probabilidade do nosso retorno - lamenta.

Enquanto os shows presenciais não voltam, Cris segue usando suas redes sociais para levar entretenimento para o seu público. 

- Entretenimento é o que cura. Eu sempre comento que nós somos aquele remédio que a gente não quer que acabe, mas que precisa de sustento. Estou, literalmente, me bancando e me bancando para que as pessoas tenham entretenimento nas suas casas - finaliza.







 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros