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Lomba do Pinheiro23/06/2020 | 08h46Atualizada em 23/06/2020 | 08h46

Orquestra Villa-Lobos promove financiamento coletivo para não encerrar atividades

Pela primeira vez em 12 anos, convênio com a prefeitura não foi renovado, gerando a demissão de 20 profissionais 

Orquestra Villa-Lobos promove financiamento coletivo para não encerrar atividades Mateus Bruxel/Agencia RBS
Thalita Mença da Cruz, a cunhada Karen Neves e o marido Geyson William são monitores da Orquestra, na Lomba do Pinheiro Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
Alexandre Lucchese

Sem data para acabar, o isolamento social colocou em risco um dos mais longevos e relevantes projetos musicais da Capital. No final de abril, a Orquestra Villa-

Lobos, que costumava atender mais de 600 crianças e adolescentes, teve seu convênio rompido com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (Smed). Foi a primeira vez em 12 anos que a prefeitura não renovou o vínculo com o projeto, gerando a demissão de seus 20 professores.

Criada há 28 anos, a orquestra já iniciou na música milhares de estudantes da Lomba do Pinheiro. Inicialmente restrita às atividades da Escola Municipal de Ensino Fundamental Heitor Villa-Lobos, vinha atuando em mais quatro pontos da comunidade. Apesar de reconhecer a importância do projeto, a Smed explicou por meio de nota que “suspendeu em abril os termos de parceria com entidades sociais devido à pandemia causada pelo novo coronavírus. No caso das organizações que desenvolvem atividades no turno inverso – como a Orquestra Villa-Lobos –, os termos não chegaram a ser assinados e, portanto, não há como realizar pagamentos”. Segundo a assessoria, a renovação do vínculo ocorrerá “quando houver a retomada das atividades presenciais nas escolas”.

– O mais preocupante é que a prefeitura não se compromete com nenhuma data. Provavelmente, só irão retomar os convênios após a pandemia. E, pelo que estamos vendo, a coisa vai longe – avalia Cecília Rheingantz Silveira, idealizadora da orquestra.

Cecília decidiu não esperar. Deu início a uma campanha de financiamento coletivo com intuito de recontratar todos os seus professores após agosto – a CLT exige que sejam aguardados 90 dias para recontratação. Até agora, já arrecadaram, por meio da plataforma Catarse, R$ 43,3 mil em doações – a meta inicial é de R$ 55 mil, que é o custo mensal de funcionamento do projeto.

– O ideal é que arrecade algo como o dobro ou triplo dessa meta inicial, para que a gente tenha um tempo para negociar com a prefeitura – conta Cecília.

Comunidade

Metade dos professores demitidos são oriundos da comunidade, como Keliezy Conceição Severo Netto, que teve sua iniciação musical aos 10 anos, por meio de atividades da Orquestra. Hoje tem licenciatura em música pelo Instituto Porto Alegre (IPA).

– Graças ao projeto, conheci pessoas que me propiciaram almejar o sonho de ter o Ensino Superior. Na nossa realidade, temos uma série de coisas que podem nos levar para outro lado, como violência e criminalidade. Vencer é tirar nossos alunos desse contexto e mostrar a eles novas possibilidades. Não é que todos vão se tornar músicos, mas por meio da música podemos trabalhar com eles princípios, habilidades e conhecimentos que levarão para o resto da vida – afirma Keliezy.

Geyson William também foi um dos beneficiados. Atualmente, tem toda a sua vida ligada à música, trabalhando em diferentes projetos, além de ser um dos monitores da orquestra:

– Por ser oriundo de periferia, dificilmente conheceria músicos que a gente trabalha na orquestra, como Beatles ou Stevie Wonder. É claro que eu ouviria falar, mas não entenderia o quanto eles são referência no que fizeram e o quão lindo é o trabalho deles.

Para Geyson, a orquestra é também sinônimo de família. Sua irmã, Thalita Mença da Cruz, e sua esposa, Karen Neves, também são monitoras do projeto.

– O projeto mudou completamente o rumo que eu talvez tomasse na vida – resume Geyson.

Para impulsionar a divulgação da campanha, Cecília programa lançar um vídeo gravado a distância com estudantes da orquestra.

– Com os apoiadores da campanha, a gente se sensibiliza, renova nossa crença de que nossa ação na comunidade é transformadora. E vai muito além da Lomba do Pinheiro. O trabalho se amplifica para a cidade inteira – aponta Cecíllia.

Segundo a professora, caso a campanha cumpra sua meta, as aulas retornarão em agosto, de forma online. Se o vínculo com a Smed for renovado antes disso, a orquestra entrará em contato com os apoiadores para devolver os valores doados.

 
 
 
 
 
 
 
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