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Estrelas da Periferia

Atitude, consciência política e hard core: conheça a Doriian 

Banda de Sapucaia do Sul lançou primeira música própria neste mês e defende um engajamento do rock no atual momento.

28/07/2020 - 14h47min

Atualizada em: 09/10/2020 - 16h42min


José Augusto Barros
José Augusto Barros
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Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
Banda está na estrada desde 2009

Desde 2009 na estrada, a banda Doriian, que tem integrantes de Sapucaia do Sul, nasceu da vontade do vocalista, Estevan Benacchi, de formar um grupo de hard core diferente do que o mercado tinha naquele momento. E surgiu, também, da vontade que ele tinha de aprender a cantar.

- Antes de formar a Doriian, eu era guitarrista de uma banda, e o Felipe Walter (que começou tocando bateria na banda, mas, hoje, toca baixo), era baixista da outra. Nos conhecemos em festivais da região e ficamos amigos, quando ele me chamou para ver se eu não queria formar uma banda, pois ele queria aprender a tocar bateria. E eu queria aprender a cantar - relembra Estevan. 

Para batizar a banda, os músicos se inspiraram no clássico livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (1854 - 1900) e em uma música da banda paulista Dance of Days, uma das principais do cenário hard core atualmente, que se chama Dorian. De lá pra cá, a banda viu o surgimento de festivais importantes do gênero na região, como o Rock na Praça, em Esteio, mas, como boa parte das bandas que estão começando, enfrentou dificuldades que obrigaram os músicos a dar um tempo na Doriian. A parada, que durou de janeiro de 2017 até janeiro deste ano, acabou dando mais força para os músicos, na volta. 

- A gente queria uma coisa mais sofisticada, pois, na época que a gente surgiu, tinha muita banda que fazia punk rock. Entre idas e vindas, a banda foi amadurecendo, chegamos em um som mais singular, nosso som não lembra bandas tradicionais do hard core, e que a gente gosta, como Dead Fish, por exemplo. Nosso som ficou bem singular por causa do nosso amadurecimento, cada um traz suas influências - afirma Estevan. 

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Protesto e consciência

Em julho, o reflexo desse amadurecimento citado por Estevan, pode ser ouvido nas plataformas digitais, com o lançamento da primeira música da banda, Dias Cinzas, que também marcou a volta da banda. Na semana passada, o grupo lançou o clipe da faixa, no YouTube. 

- Nossas canções falam de como os indivíduos se colocam na sociedade, falam da vida cotidiana, da classe média, dos pobres e até dos ricos. E têm sido bem recebidas pela galera - comemora Estevan. 

Abraçando uma proposta de protesto, principalmente pelo atual momento que o país vive, Estevan acredita que o rock precisa voltar a estar em evidência, precisa ter sua voz ouvida, em momentos importantes que a sociedade vive, como o atual.

- A gente não quer reinventar a roda, mas a gente quer mudar o rock nacional, deixando ele em evidência de novo. O rock sempre esteve ali, com uma posição forte, contestando, incomodando. E não estou vendo isso acontecer - afirma Estevan.

Ao final da entrevista, ele observa que músicos de outros gêneros têm se posicionado sobre o atual momento do país e lamenta que algumas bandas de rock tenham dado uma espécie de "selo de conservadorismo" para o gênero:

- Achei isso estranho. Não está certo ter um lado oprimindo e outro sendo oprimido. Até porque as grandes evoluções do mundo aconteceram quando um lado oprimido deu um basta nisso. E a gente quer ajudar a fazer isso do jeito que a gente sabe: fazendo rock. 

Ainda integram a banda Miguel Borondi (guitarra) e Jonathan William (bateria). 

Pitaco 

Claus, da dupla, com Vanessa, fala sobre o trabalho da banda:

- Som pesado de qualidade! Algo que está faltando no nosso rock. Vocalista com atitude, continuem assim, que estão no caminho certo.

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