Ex-"Malhação", Benjamin Damini fala sobre transição de gênero: "Não me sinto menina" - Entretenimento

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Desabafo24/09/2020 | 09h57Atualizada em 24/09/2020 | 09h57

Ex-"Malhação", Benjamin Damini fala sobre transição de gênero: "Não me sinto menina"

Ator, que interpretou Martinha em "Malhação - Toda Forma de Amar", conta que sentia que "havia nascido no corpo errado" desde os três anos de idade

Ex-"Malhação", Benjamin Damini fala sobre transição de gênero: "Não me sinto menina" Benjamin Damini Instagram / Reprodução/Reprodução
"Por 21 anos esse nome fez muito sentido. Atriz. Era isso que eu era. Atriz de mim", escreveu Benjamin sobre o nome Beatriz em seu perfil do Instagram ao anunciar que é transexual Foto: Benjamin Damini Instagram / Reprodução / Reprodução

Beatriz Damini, que interpretou a personagem Martinha em Malhação - Toda Forma de Amar, que foi ao ar na TV Globo entre o final do ano passado e o início deste ano, falou sobre sua transição de gênero e contou aos seguidores que agora se chama Benjamin. A informação foi compartilhada em seu perfil do Instagram, que já mudou de nome, nesta terça-feira (22). No relato, Benjamin diz que sentia que "havia nascido no corpo errado" desde os três anos de idade.

"Benjamin quer te contar uma história. Ele sou eu. Nesta foto eu tinha três anos. Aos três, eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir para acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. Aos quatro, convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. Aos sete, quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquíni, eu chorei. Aos nove, quando eu menstruei, eu também chorei",  começou ele. 

Pela pressão externa de "agir como uma menina", Benjamin tentou se encaixar e reproduzir comportamentos que eram esperados dele, como usar um sutiã, por exemplo.

"Foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. Porque eu nasci fêmea, toda fêmea tem que ser menina. Foi isso que sempre me disseram. Então quem sabe seja isso mesmo. Eu sou uma menina e para sempre vou ser. Mas eu não me sinto menina. Não sei nem ser menina. Não interessa. Aprende. É assim que vai ser. Enxuga essas lágrimas. Engole esse choro. Engole tudo o que te diferencia das outras meninas. Engoli. Comprei sutiã. Sou uma menina", relatou. 

Tudo isso acabou levando o ator a desenvolver uma depressão e precisar tomar remédios. No texto, preservando a identidade dos seus companheiros, também contou que sofreu ao namorar um menino na adolescência, pois acabava se projetando nele. Já no início da vida adulta, namorou uma menina, que foi quem despertou nele a busca por sua verdadeira personalidade.

"Aos 12, comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. Aos 13, escrevi uma história de um menino chamado Benjamin que sentia demais. Aos 14, veio a primeira depressão. Terapia. Remédios. Aos 16, arrumei um namorado. Antônio. Antônio não é o nome dele de verdade. Tipo Beatriz. Eu controlava até as roupas que o Antônio usava. Troca esse shorts porque não está combinando com a blusa, Antônio. Aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. Tadinho do Antônio. Antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. A verdade é que eu queria poder usar as roupas que o Antônio usava. E eu até podia. Mas tinha medo", contou.

"Aos 18, comecei a namorar Ana. Ana não é o nome dela de verdade. Tipo Beatriz. Mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. Atriz. Era isso que eu era. Atriz de mim. Quando Ana terminou comigo, percebi que não sabia quem eu era de fato. Fui buscar", relatou.

Na foto que ilustra a publicação, ele aparece com três anos, segurando uma pipa com as cores do arco-íris. Por fim, escreveu a seguinte mensagem:

"Eu sou transexual. E, para você que está lendo, isso apenas  deve significar que meu nome de verdade é Benjamin e desejo ser tratado no masculino. Eu sou transexual. E nem por isso eu nasci no corpo errado ou odeio minha genitália ou não me amo como sou. Eu sou transexual. E nem por isso vou reproduzir machismo, misoginia e masculinidade tóxica. Eu sou transexual. E nem por isso você tem o direito de especular em cima do eu corpo e da minha existência. Eu sou transexual e essa é a minha história. Nem por isso tudo que eu disse aqui é uma verdade universal e absoluta. A transsexualidade é múltipla.  A minha transsexualidade é uma dentre muitas que estão existindo por aí. Eu sou transexual e tenho orgulho da minha história e da minha existência. Eu sou".

Confira o post:

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22 de setembro de 2020 12:02 benjamin quer te contar uma história. ele sou eu. nessa foto eu tinha 3 anos. aos 3 eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. aos 4 convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. aos 7 quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini eu chorei. aos 9 quando eu menstruei eu também chorei. foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. porque eu nasci fêmea toda fêmea tem que ser menina. foi isso que sempre me disseram. então quem sabe seja isso mesmo. eu sou uma menina e pra sempre vou ser. mas eu não me sinto menina. não sei nem ser menina. não interessa. aprende. é assim que vai ser. enxuga essas lágrimas. engole esse choro. engole tudo o que te diferencia das outras meninas. engoli. comprei sutiã. sou uma menina. aos 12 comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. aos 13 escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. aos 14 veio a primeira depressão. terapia. remédios. aos 16 arrumei um namorado. antônio. antônio não é o nome dele de verdade. tipo beatriz. eu controlava até as roupas que o antônio usava. troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, antônio. aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. tadinho do antônio. antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. a verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. e eu até podia. mas tinha medo. aos 18 comecei a namorar ana. ana não é o nome dela de verdade. tipo beatriz. mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. atriz. era isso que eu era. atriz de mim. quando ana terminou comigo eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. fui buscar. (continua nos comentários)

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