"Não podem dar a sensação de que somos inseguros, é injusto", diz representante dos exibidores sobre novo decreto - Entretenimento

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Projetor desligado, outra vez02/12/2020 | 11h02Atualizada em 02/12/2020 | 11h02

"Não podem dar a sensação de que somos inseguros, é injusto", diz representante dos exibidores sobre novo decreto

Salas de cinema voltam a fechar em regiões do Rio Grande do Sul com bandeira vermelha

"Não podem dar a sensação de que somos inseguros, é injusto", diz representante dos exibidores sobre novo decreto Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Salas de cinema do RS ficarão fechadas a partir desta terça-feira Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Um novo decreto estadual, publicado na noite desta segunda-feira (30), determinou o fechamento imediato dos cinemas do Rio Grande do Sul que estão em regiões sob bandeira vermelha, indicativa do alto risco de transmissão da covid-19 . A decisão pegou os exibidores  surpresa. O setor, que encara a luta contra prejuízos decorrentes do fechamento entre março e outubro, alega que não houve diálogo nesta decisão do governo estadual.

Ricardo Difini Leite, diretor do GNC Cinemas e presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec), diz ter ficado decepcionado com o decreto, pois acredita que os cinemas nunca foram responsáveis pelo aumento da propagação do coronavírus. O representante do setor aponta que as salas poderiam, por exemplo, operar no mesmo horário dos shoppings, que devem encerrar as atividades às 20h, segundo a nova determinação.

— O governo não pode dar a sensação de que somos inseguros ao espectador, está sendo impactante e injusto. O cinema é muito mais seguro de se assistir sem conversar do que muitas outras atividades. Não pode ter essa sensação de que é um local de alto risco — reforça Difini, que pretende solicitar reuniões com a esfera estadual para debater novamente o assunto.

A sensação de indignação também é compartilhada por Hormar Castello, presidente do Sindicato dos Exibidores Cinematográficos do Rio Grande do Sul e um dos sócios-diretores da rede GNC. Segundo ele, exibidores do Interior estão inseguros com este novo fechamento. 

— Vamos fechar porque é preciso cumprir a lei, não queremos furá-la, mas nós trabalhamos com diálogo. Achamos que fechar a porta para a cultura não é o melhor negócio a fazer, além do prejuízo, tem outros que nem reabriram ainda. É um tiro sem misericórdia — define Castello.

Os empresários apontam que o setor ainda busca se recuperar do prejuízo arcado durante os oito meses em que esteve inativo. Muitas empresas cinematográficas, segundo Difini, tiveram acesso à linha de crédito emergencial do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), no valor de R$ 400 milhões, para ajudar nesse processo de retomada. 

— É um financiamento que nós temos que pagar, a atividade precisa funcionar para pagar isso e honrar nossos compromissos. E até desumano, não tem motivo o que está sendo feito — acredita Difini.

Em relação às estreias programadas, as distribuidoras podem modificar o calendário caso seja necessário. Além do Rio Grande do Sul, segundo Difini, as salas de exibição estão fechadas em Santa Catarina e algumas cidades do ABC Paulista. Em São Paulo, por exemplo, um novo decreto foi publicado nesta segunda, mas as prefeituras têm autonomia para decidir se os cinemas podem funcionar ou não.

Para as próximas semanas, estão previstas as estreias de Mulher-Maravilha 1984, no dia 17, e Os Croods 2: Uma Nova Era, no dia 25. Mesmo com salas fechadas, os lançamentos devem ocorrer normalmente no Brasil, já que o circuito exibidor de São Paulo e Rio de Janeiro deve   continuar em operação, segundo a Feneec. Difini lamenta:

— Estamos sendo prejudicados. Houve o fechamento de leitos antes da hora, as eleições com muita gente nas ruas fazendo campanha, as aglomerações... estamos pagando o pato por algo que não fomos responsáveis e temos que arcar com as consequências.

Outras redes

As outras redes de cinema que operam na Capital também fecharam as portas nesta terça. O Espaço Itaú de Cinemas, no Bourbon Country, afirmou que as salas foram fechadas e que iria se pronunciar ainda nesta terça. 

Carlos Schmidt, dono do Guion Cinemas, na Cidade Baixa, diz estar "perplexo com a utilização dos cinemas como bode expiatório pela inércia do poder público em dar uma outra solução para o problema". 

— Como que uma sala, onde há o distanciamento e que não estão colocando mais do que três ou quatro pessoas em média, pode representar um risco maior do que supermercados e restaurantes? Vamos fechar não só uma semana, mas o mês todo. Tentaremos voltar em janeiro e se continuar esta situação fecharemos definitivamente! — afirma Schmidt.

O Cinemark, com salas no BarraShoppingSul, Bourbon Wallig e Bourbon Ipiranga, também fechou as salas e não disponibilizava a programação em seu site. A rede informou que irá se posicionar o mais breve possível. "A gente não teve nenhuma informação oficial ainda", comunicou a assessoria de imprensa do Cinemark. 

Com salas no Shopping Total, a rede Cineflix também fechou nesta terça. A empresa informa que seus cinemas  no Rio Grande do Sul são os primeiros a fechar após a retomada das atividades. A programação e a venda online foi retirada do ar durante o dia e os clientes devem procurar a empresa pelo site  para pedir o reembolso. Apesar do fechamento, a Cineflix segue vendendo ingressos antecipados para Mulher-Maravilha 1984.

— Se o decreto permitir que o cinema funcione somente em janeiro, os ingressos serão vendidos somente a partir da nova data – explica Juliano Tortelli, diretor de marketing da Cineflix.

 
 
 
 
 
 
 
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