Atrizes de "Salve-se Quem Puder" fazem manifesto a favor da cultura: "A arte salvou a gente" - Entretenimento

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Desabafo10/06/2021 | 11h08Atualizada em 10/06/2021 | 11h14

Atrizes de "Salve-se Quem Puder" fazem manifesto a favor da cultura: "A arte salvou a gente"

Flávia Alessandra e Grace Gianoukas comentam o momento complicado vivido pela classe artística por conta da pandemia

Atrizes de "Salve-se Quem Puder" fazem manifesto a favor da cultura: "A arte salvou a gente" TV Globo / Divulgação/Divulgação
No ar em "Salve-se Quem Puder", Flávia e Grace (D) se manifestam a favor da cultura Foto: TV Globo / Divulgação / Divulgação

Voltar às gravações foi um desafio único para o elenco das novelas. Os protocolos rígidos, testagens semanais e, acima de tudo, a convivência com os colegas depois de um longo período de isolamento ajudou a colocar no ar produtos cheios de amor e esperança.

Única novela inédita no ar, Salve-se Quem Puder não aborda a pandemia na história, mas o coronavírus manteve-se à espreita das gravações. Afinal, algumas restrições foram necessárias para dar segurança à equipe. 

Apesar das dificuldades, estar em cena novamente foi um bálsamo para o elenco. Uma das mais animadas, Grace Gianoukas reencontrou os amigos e celebra a chance de poder trabalhar em um período tão nebuloso.

— Para além de todos os desafios, medo, distância, saudade do toque, de não ter aquele momento juntos nos bastidores, ficar cada um no seu camarim, isolados, fazendo sua própria maquiagem e cabelo, me sinto abençoada todos os dias. É, de verdade, uma bênção poder levar alegria para as pessoas em um momento tão difícil como esse que estamos vivendo. Tudo isso ainda me fez crescer muito como atriz. Por não poder abraçar, aprendi a transformar meu olhar em um abraço — celebra a gaúcha, que vive Ermelinda na trama.

Flávia Alessandra, intérprete de Helena, também reforça, em entrevista coletiva por chamada de vídeo, que os trabalhadores do mundo artístico passam por muitas dificuldades desde o início da pandemia. Com boa parte dos espetáculos, shows e outros eventos desse porte paralisados, o desemprego e a incerteza rondam a classe artística:

— A classe vem sendo muito esmagada.  Ironicamente, a certeza que tivemos durante a pandemia é que foi a arte que salvou a gente. Foram os livros, as séries, os filmes, as novelas, os shows em lives. Foi isso que ajudou a manter o prumo da nossa cabeça, do nosso psicológico.

Grace faz coro às palavras da colega e celebra o trabalho na novela das sete:

— Eu me sinto privilegiada por poder trabalhar durante esse período em que vi muitos colegas tendo de vender casa e carro para poder sobreviver. Eu sei de casos de pessoas, como técnicos de som e outros, que não tinham mais para onde ir e foram morar embaixo de ponte, em ocupação e coisas desse tipo. A situação da nossa classe é muito delicada.

Resistência  

Ainda sob o impacto da morte de Paulo Gustavo, vítima da covid-19 há cerca de um mês, Grace lembra o esforço do humorista para levar alegria aos brasileiros.

— Como diz Alcione: "Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar". Seguiremos de pé. Porque, parafraseando Paulo Gustavo, o humor é resistência, a arte é resistência. Está provado que o mundo precisa de arte em um momento tão difícil — diz.

Reflexiva, Flávia finaliza com a certeza de que há muito a ser feito para que a situação do país volte à normalidade: 

— Não vejo um caminho iluminado e resolutivo para um amanhã. Eu vejo ainda uma longa estrada para a gente se restabelecer, e vejo essa necessidade nossa de resistência cada vez mais. Mas espero que, talvez, exista o entendimento da nossa sociedade do quanto se faz importante a nossa profissão, do quanto é importante a nossa arte para uma sociedade inteira. Tomara.

 
 
 
 
 
 
 
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