Ator Tarcísio Meira morre aos 85 anos, vítima da covid-19 - Entretenimento

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Luto na TV brasileira12/08/2021 | 13h45

Ator Tarcísio Meira morre aos 85 anos, vítima da covid-19

Artista estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo

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O ator Tarcísio Meira morreu nesta quinta-feira (12), aos 85 anos, vítima da covid-19. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde a última sexta-feira (6). Mesmo vacinado com as duas doses da vacina contra a doença, Meira acabou sendo diagnosticado e chegou a ser entubado

A viúva do artista, Glória Menezes, segue hospitalizada na instituição, também em decorrência do coronavírus. Conforme boletim médico mais recente, ela está no quarto e se recupera bem. Com ela, Meira formou um dos casais mais marcantes da dramaturgia brasileira. Ao todo, o ator esteve em mais de 60 trabalhos audiovisuais, entre novelas e filmes, passando por diferentes gêneros, do drama à comédia. 

Em comunicado oficial, a TV Globo afirmou que "Tarcísio Meira nunca teve dúvidas de que foi “o cara que mais decorou palavras no mundo”. Mesmo que a marca não apareça no Livro dos Recordes, o fato é que só na televisão foram mais de 60 trabalhos – mais de 50 na TV Globo", e complementou "Uma vida que se mistura à história das telenovelas no nosso país. Nesta quinta-feira, 12 de agosto, Tarcísio sai de cena definitivamente, aos 85 anos, deixando certamente um vazio no coração de todos os brasileiros."

Tarcísio Magalhães Sobrinho nasceu no dia 5 de outubro de 1935, em São Paulo (SP). Quando entrou para o mundo artístico, adotou o sobrenome da mãe, Meira, pois o número de letras, somado a Tarcísio, dava 13 - uma superstição da época. 

Antes de ser ator, Meira tentou a carreira de diplomata, prestando exame para o Instituto Rio Branco, mas não obteve sucesso. Ele acabou tomando outros caminhos. Em 1957, estreou nos palcos atuando em peças como Chá e Simpatia (1957), de Robert Anderson, e Quando as Paredes Falam (1957), de Ferencz Molnar. Quatro anos depois, começou a atuar na televisão no programa de teleteatro Grande Teatro Tupi, onde contracenou com a gaúcha Glória Menezes.

— Antes disso, eu estava ensaiando o papel do mafioso para uma peça chamada Chaga de Fogo, quando vi a Gloria passar no palco e falei: "Que mulheraço, que mulher bonita". A Gloria é uma grande atriz, que sempre me apoiou muito, me deu a deixa certa, é bom quando trabalha com pessoas talentosas e que você confia — lembrou Tarcísio, em entrevista ao projeto Memória Globo, sobre a primeira vez em que atuou ao lado da esposa.

Em 1962, um ano depois, os dois atores se casaram - e seguiram juntos até hoje. O filho deles, Tarcísio Filho, nasceu em 1964 e é quem criou um novo elo do ator com o Rio Grande do Sul: Filho é casado com Mocita Fagundes, sobrinha do nativista Nico Fagundes. 

Carreira

Antes de estrear na Globo, em 1967, Tarcísio e Glória tiveram uma passagem pela TV Excelsior, participando do elenco de novelas como 2-5499 Ocupado, de Dulce Santucci, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Depois, em Sangue e Areia, de Janete Clair, já na Globo, o casal formou um dos pares românticos mais amados da TV. O sucesso foi tão grande que eles atuaram em mais seis novelas de Janete, como Irmãos Coragem (1970) e O Caso Especial Meu Primeiro Baile (1972), primeiro programa inteiramente gravado em cores a ser exibido na televisão brasileira. 

Na década de 1980, no entanto, Meira acabou abandonando o rótulo de galã que tinha ganhado na teledramaturgia ao trabalhar no último filme de Glauber Rocha, A Idade da Terra (1981), que levantou polêmica em sua estreia. No mesmo ano, também atuou no longa O Beijo no Asfalto, de Bruno Barreto, baseado na peça de Nelson Rodrigues, em que seu personagem beijava o de Ney Latorraca na boca. Para completar, Meira ainda fez um homossexual na peça de teatro Um Dia Muito Especial (1986) e o trapalhão Felipe em Guerra dos Sexos (1983), na televisão.

Em 1985, na minissérie O Tempo e o Vento, o ator interpretou um dos mais famosos personagens da cultura gaúcha: Capitão Rodrigo Cambará. 

— Era um personagem muito rico, muito forte. Tive medo de fazer o Capitão Rodrigo, porque, na época, eu já tinha 50 anos; e o Capitão Rodrigo era um homem vigoroso, alegre, espaçoso. Era o homem que todo homem brasileiro queria ser, e toda a mulher queria ter. Era um personagem fantástico. Acho que me sai bem. Pelo menos, aqui no Sul, as pessoas aceitaram muito bem — comentou Meira em entrevista ao Jornal do Almoço, em 2013.

Após um período em minisséries, o artista retomou a atuação em folhetins em 1986 como o empresário Renato Villar em Roda de Fogo. Junto de sua esposa, o ator também estrelou Tarcísio & Glória (1988), série criada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Na década de 1990, as novelas engordaram seu currículo, em títulos como De Corpo e Alma (1992), Fera Ferida (1993), Pátria Minha (1994) e Torre de Babel (1998). 

Berdinazzi e Bóris

Sua versatilidade em cena, capaz de mudar de gênero entre um trabalho e outro, ficou ainda mais clara quando Meira atuou na primeira fase da novela O Rei do Gado (1996), de Benedito Ruy Barbosa, como o italiano Giuseppe Berdinazzi. As minisséries Hilda Furacão (1998) e A Muralha (2000) foram outros trabalhos relevantes antes dele integrar o elenco de O Beijo do Vampiro (2002), quando viveu o vilão Bóris, um de seus papéis mais marcantes.

Lorde Williamson (Tarcísio Meira) em Orgulho e Paixão<!-- NICAID(14857412) -->
Meira em "Orgulho e Paixão", sua última novelaFoto: João Miguel Júnior / TV Globo,Divulgação

Já nos anos 2000, outras novelas marcaram sua carreira como Senhora do Destino (2004), Páginas da Vida (2006), A Favorita (2008) e Insensato Coração (2011). Nesta última, voltou a contracenar com a esposa Glória Menezes, quando viveu o milionário Teodoro Amaral.  Orgulho e Paixão foi sua última novela, quando viveu Lorde Williamson, em 2018.

Nos cinemas, desde sua estreia em 1963 por Casinha Pequenina, o ator ficou marcado por títulos como A Idade da Terra (1981), Amor Estranho Amor (1982) e Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo (2011), seu último papel para a telona.

Em 2005, em entrevista ao projeto Memória Globo, Meira, reforçou que sempre achou o trabalho de ator como "bonito e útil".

— Ele diz respeito à sensibilidade. Eu procuro desempenhá-lo da melhor maneira possível, com a máxima eficácia. Tento convencer as pessoas das verdades daquele personagem. Essa carreira me gratifica muito — disse ele, na ocasião.

 
 
 
 
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