"Eu espero ter tempo", diz Fernanda Montenegro, sobre atuar na Academia Brasileira de Letras - Entretenimento

Versão mobile

 
 

No "Altas Horas"29/11/2021 | 10h29Atualizada em 29/11/2021 | 10h30

"Eu espero ter tempo", diz Fernanda Montenegro, sobre atuar na Academia Brasileira de Letras

Atriz irá ocupar a cadeira de número 17 da instituição a partir de março

"Eu espero ter tempo", diz Fernanda Montenegro, sobre atuar na Academia Brasileira de Letras Gshow / Divulgação/Divulgação
Fernanda Montenegro gravou uma série de três entrevistas ao "Altas Horas" Foto: Gshow / Divulgação / Divulgação
GZH
GZH

Eleita a mais nova imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Fernanda Montenegro falou sobre como pretende atuar na instituição literária. Aos 92 anos, a atriz irá ocupar a cadeira de número 17 a partir de março do ano que vem.

— Eu espero ter tempo. Porque o maior tempo da minha vida eu já vivi. Eu tô aqui de sobremesa — disse, rindo, durante participação no Altas Horas desta semana.

Na votação para o posto na ABL, Fernanda recebeu 32 votos favoráveis e dois em branco. Em sinal de respeito à atriz, ninguém quis concorrer com ela à cadeira, vazia desde a morte do diplomata, escritor e político Affonso Arinos de Mello Franco, em 2020. 

— Tive uma aceitação bastante generosa e sou uma atriz, não uma escritora — comentou Fernanda. — Isso quer dizer, talvez, que a Academia queira abrir suas portas para o ser humano físico, que é a minha arte. Nós somos artistas carnificados. Enquanto a gente vive, a gente tá aí. Quando a gente vai pro outro lado, o que fica da nossa participação cultural, fica na memória. 

Fernanda celebrou a vitória como um sinal de novos rumos da ABL.

— Acho que se a academia está trazendo gente de palco, como Gilberto Gil e eu, ela quer abrir aquelas portas para a calçada, para a rua, para a cidade, para o país — refletiu.

Autora de dois livros, sendo um deles a autobiografia Prólogo, Ato, Epílogo, Fernanda Montenegro ressaltou que a leitura sempre esteve presente em sua vida, desde criança, incentivada pelos pais. Aos 16 anos, quando entrou para a Rádio do Ministério da Educação e Cultura, a atriz foi introduzida a uma biblioteca e discoteca "impensáveis", segundo ela.

— Isso tudo foi me impregnando e alimentando a minha fome de leitura — contou.

A atriz lembrou ainda de um grande momento de sua carreira, aos 90 anos, durante uma leitura de Nelson Rodrigues no Teatro Municipal de São Paulo:

— Tive uma grande aceitação do público. Voltei ao camarim e disse pra minha produtora: "encerrei hoje a minha carreira". Porque aquilo que recebi, não vou ter nunca mais. Meses depois veio a pandemia e não voltei mais para o palco. Se houver a chance de voltar, volto, com Nelson Rodrigues e Simone de Beauvoir — prometeu.

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros