Copa 2014 - Liga dos Fanáticos



História das Copas

Do 2-3-5 ao infinito: Os mundiais e as inovações táticas

Diário Gaúcho relembra os principais esquemas táticos usados nos Mundiais desde 1930, quando o planeta bola se reuniu no Uruguai

11/01/2014 - 10h01min

Atualizada em: 11/01/2014 - 10h01min


A Laranja Mecânica

Por muitos anos, a International Board, entidade britânica que regula as regras do futebol, comandou com mão de ferro o futebol. Isso incluía a forma de os times jogarem. Assim, praticamente desde o surgimento das regras do futebol, estava determinado que os times deveriam atuar, sem alteração, no 2-3-5. Ou seja, dois zagueiros, três meio-campistas, chamados de médios, e cinco atacantes.

Era um privilégio total ao ataque. O que durou até bem pouco tempo, quando os times passaram a jogar com três, dois, um ou, às vezes, sem atacante fixo. Com o passar dos anos, porém, as inovações táticas começaram a surgir, e a International Board não teve como interferir mais. Essas novidades apareciam para o mundo, principalmente, nas Copas.

1930 a 1938: Sob a ditadura do ataque

O futebol vivia uma espécie de ditadura imposta pela International Board. Por conta das
regras, o sistema tático de times e seleções era imposto pela entidade britânica. O esquema determinado era o 2-3-5, com dois zagueiros, três no meio e cinco atacantes. Esse era o esquema usado pelas seleções nas Copas de 1930, no Uruguai, 1934, na Itália, e 1938, na França. Ao lado, o Uruguai, campeão da Copa de 1930.

1950: Novidade nem tão nova



A primeira grande evolução tática veio em 1925, na Inglaterra. Mas o mundo só a conheceu na Copa de 1950. Na metade da década de 20, o inglês Herbert Chapman fez
pequenas alterações no esquema do Arsenal. Como comandou a Inglaterra na Copa de 1950, colocou-as em prática também na seleção: um meio-campista mais perto da zaga e um atacante mais recuado. A formação ficou conhecida como o WM. Numericamente, era o 3-2-5.

1954: A revolução húngara

A Copa de 1954 presenciou a primeira grande revolução tática. A Hungria, com a base do Honved, time que marcou época, encantou. O técnico Gusztav Sebes manteve os três zagueiros do WM, mas mexeu do meio para a frente. O centroavante Hidegkuti recuava para armar. Os pontas Toth e Czibor atuavam mais recuados, deixando apenas dois dos atacantes na frente, Kocsis e Puskas.

Era a variação do 3-2-5 para o 3-5-2. O time húngaro ficou invicto de maio de 1950 até a final da Copa de 1954, que perdeu para a Alemanha. Foram 23 vitórias e quatro empates, 114 gols a favor e 26 contra.

1958: Brasil nas inovações



Entre as Copas de 1954 e 1958, surgiram algumas variações táticas. É desse período, por exemplo, o 4-2-4, criado no Brasil. Bastou recuar um dos médios, tornando-o um quarto zagueiro, e adiantar um pouco o outro, para armar. Mas o Brasil campeão do mundo na Suécia fez uma pequena variação desse esquema, mantido também no bi, em 1962, no Chile.

O 4-2-4 tinha quatro defensores, dois meias, um combativo e outro de armação, e quatro atacantes, dois pontas e dois centroavantes. Mas na Seleção, o ponta-esquerda Zagallo, por iniciativa própria, passou a recuar para ajudar a fechar o meio-campo. Foi o
precursor do 4-3-3.

1966: Surge o 4-4-2

Enquanto o 4-3-3 criado pela improvisação de Zagallo, indo da ponta para o meio, ganhava o mundo, a Inglaterra, campeã em casa em 1966, inovava com o 4-4-2. O sistema fechava um pouco mais o meio e tirava força do ataque.

Esse sistema foi criado para rechear o meio-campo. Os atacantes recuados, porém, não perdiam a função ofensiva. Apesar de ter surgido em 1966, o esquema ganhou força nos anos 80.

1970: O 4-3-3 se populariza

A maioria das pessoas poderia achar que o esquema revolucionário da Copa de 1970 viesse da Seleção, que chegou ao tri. Mas não. A evolução desse Mundial veio da Alemanha. O time de Helmut Schön popularizou a função de líbero, um defensor, o craque Beckenbauer, que saía para o apoio e atuava como quarto-zagueiro. Os germânicos também reforçaram o uso do 4-3-3.

O esquema mais usado nos anos 70 oficializou o recuo de um dos pontas do ataque, criado por Zagallo na Copa de 1958. Só que o atacante recuado passou a jogar como meia ofensivo. O ataque passou a ser formado por dois ponteiros e um centroavante centralizado.

Além disso, os dois laterais passaram a ter de apoiar mais efetivamente. Breitner, o canhoto, virou referência.

1974: O carrossel holandês

O futebol precisou de 20 anos depois da revolução húngara para conhecer a maior evolução tática da história. O sistema já era usado pelo Ajax. Sob a batuta do técnico romeno Stefan Kovacs, o time foi tri da Liga dos Campeões. Essa forma de jogar, porém, ganhou notoriedade mundial quando encantou o mundo na Copa de 1974, com as pernas da Holanda.

O técnico Rinus Michel adotou o esquema criado por Kovacs. Nele, os jogadores não guardavam posição - por isso, o batismo de Carrossel Holandês. Pela forma de jogar e pela cor do uniforme, a Holanda também ficou conhecida como Laranja Mecânica, por funcionar como uma máquina. Só que, como em 1954, com a Hungria, a Holanda parou na Alemanha.

1982: Fim dos três no ataque

No começo dos anos 80, os times passaram a abrir mão do trio com centroavante e dois ponteiros. A Itália, campeã do mundo na Espanha, em 1982, usava, por exemplo, um ponta e atacantes de referência. Começou nessa época, também, o que, para muitos, foi uma involução no futebol: o povoamento do meio-campo em detrimento do
ataque. Os técnicos passaram a abrir mão de um dos pontas. Algumas seleções, como o Brasil de Telê Santana, usaram essa forma na Copa de 1982.

1986-1990: A volta dos três na zaga

Alguns culpam a Dinamarca - Dinamáquina, pelo futebol envolvente. Mas a maioria dos pesquisadores diz que foram Carlos Bilardo e sua Argentina campeã no México os responsáveis pela volta dos três zagueiros. Na verdade, o esquema dessas duas seleções era versão moderna do trio defensivo do WM. Mas o sistema de 1986 era um
3-4-3. Nem mesmo o zagueiro da sobra era novidade - esse terceiro homem era variação do líbero da Alemanha de 1970.

Esse esquema com três zagueiros foi usado por 75% das seleções das Copas de
1986 e 1990. E voltou a ter sucesso no Penta da Seleção.

1998-até hoje: só um no ataque

Se nas primeiras Copas o ataque era privilegiado com cinco atacantes, em 1998, na França, surgiu o esquema com apenas um na frente. O 4-5-1 foi apresentado pela Noruega. O sistema prega que, sem a posse de bola, o meio-campo deve ser povoado. O que, defendem, facilitaria a recuperação da bola por forçar o chutão e a ligação direta com o ataque.

Com o passar dos anos, o 4-5-1 dos noruegueses foi aprimorado e derivou para
4-2-3-1, com três meias se aproximando do centroavante.


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