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Separação conturbada

Nei revela detalhes de sua saída do Inter: "Fiquei sabendo que estava liberado pela imprensa"

Lateral, hoje no Vasco, tinha certeza da renovação no ano passado e chegou a comprar apartamento em Porto Alegre

25/05/2013 - 15h01min

Atualizada em: 25/05/2013 - 15h01min


André Baibich
André Baibich
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Lateral estava com a renovação acertada, mas acabou deixando o Inter

A permanência de Nei no Beira-Rio parecia tão certa no ano passado que o lateral, precavido, comprou um apartamento novo e mais confortável em Porto Alegre para acomodar sua família. Liberado pela direção no fim da temporada, teve que arrumar as caixas e mudar-se para o Rio de Janeiro, contratado pelo Vasco.

Em entrevista a Zero Hora, garante que não guarda ressentimentos do Inter ou da torcida, mas revela mágoa com quem prometeu renovar seu contrato.

Zero Hora - Que avaliação você faz da sua passagem pelo Inter?
Nei -
Para mim foi muito bom, três anos no Inter com a conquista de muitos títulos e sempre como titular. Só ano passado eu não joguei os últimos cinco jogos por questão do contrato e briga com a diretoria. Não tenho nada contra a torcida do Inter, pelo contrário. O torcedor age com paixão e tem amor ao clube. Me prestigiou quando eu estava muito bem. A vaia acontece na carreira do jogador e temos que ser inteligentes para absorver. Fiz muitos amigos, o Leandro Damião foi um amigo no futebol que eu consegui e vou levar para o resto da vida. Mantenho contato direto, a gente segue conversando. Fiz amizade com muitos que trabalham no clube. A única mágoa que eu levo não é do Inter, não do torcedor. Minha mágoa é porque, antes de eu sair, eu tinha a palavra de certas pessoas para renovar. Eu me planejei para renovar com o Inter e isso acabou não acontecendo por eu confiar em pessoas que não eram certas para confiar.

ZH - Você se refere a pessoas da diretoria?
Nei -
Eu prefiro não citar nomes por uma questão de ética e caráter. A pessoa que fez isso sabe o que aconteceu. A gente fica chateado porque às vezes as coisas chegam meio distorcidas para o torcedor. Eu me planejei para ficar e acabei tendo de mudar completamente a minha vida. Eu tinha comprado apartamento novo em Porto Alegre. Eu fui muito feliz no Inter e gosto muito da torcida, vejo os jogos e acompanho. Então, apesar disso, só lembro coisas boas.

ZH - Como foi receber a notícia de que você estava fora do Inter?
Nei -
Eu estava com tudo acertado, tanto que tinha recusado propostas até maiores de outros clubes. Mas como eu tinha dado a minha palavra, resolvi renovar com o Inter. Quando falaram que ia renovar e seriam mais três anos, eu comprei um apartamento um pouco maior, para dar uma condição melhor para a minha família. Me planejei e acabei não ficando. Isso abala um pouco.

ZH - Em um dado momento, dirigentes do Inter mencionaram que o seu empresário pediu uma comissão alta demais para renovar o contrato e isso teria brecado a negociação.
Nei -
Para você ter uma ideia, ninguém falou para mim, em nenhum momento, que não iria renovar. Pelo contrário. Em todas as reuniões, diziam que estava tudo certo, que queriam que eu ficasse. Eu fiquei sabendo que eu não ia ficar, que eu estava liberado do Inter, pela imprensa. Meu empresário comentou comigo e eu só disse que não queria brigar. Não queria dar entrevista naquele momento, de cabeça quente. Preferi ficar quieto. As coisas vão aparecendo. Se não aparecem hoje, vão aparecer ali na frente. Meu empresário fez o trabalho dele e pediu uma certa comissão. No começo, eu tinha conversado com a diretoria, antes do meu empresário. Todos sabiam o quanto eu ia pedir e o valor que ele ia pedir. Falei para a diretoria que eu ia fechar no valor que eles estavam pedindo. Eles resolveram que não queriam e a desculpa mais fácil foi falar do empresário. Também ouvi falar do meu joelho, que eu não teria condições. Estou há cinco meses jogando no Vasco e, desde que eu cheguei, tenho jogado como titular. Se fosse falar do meu joelho, teria que pegar o meu histórico. Em três anos, 170 partidas por uma equipe. Você não pode questionar as condições físicas de alguém assim. Tem que questionar o cara que fica parado quatro meses. No Inter, apesar de uma lesão ou outra, estava sempre jogando. Se pegar as decisões do clube, de 2010 até aqui, eu estava sempre jogando. São coisas do futebol. Às vezes, pensam no clube ou no torcedor e acabam mudando tudo que foi combinado.

ZH - Houve algum problema de vestiário no Inter em 2012?
Nei -
Não, pelo contrário. O futebol é feito de altos e baixos. O grupo do Inter tem muita qualidade e jogadores experientes. Não tinha nada disso no vestiário. Eu era um dos líderes, com Bolívar, Kleber, D'Alessandro, Guiñazu. Era súper tranquilo. Um ambiente muito gostoso, de amigos. A gente estava querendo vencer. Por uma infelicidade, por um acaso, nada dava certo. Sempre quando as coisas não andam a gente procura um culpado, isso é normal. Nós simplesmente não conseguimos, mas não tinha nada de errado. Tanto a diretoria quanto os jogadores e os treinadores que passaram queriam muito vencer.

ZH - Como você tem visto o Inter de 2013, comandado por Dunga?
Nei -
Eu tenho acompanhado através do Damião, que é um amigo muito próximo. Eu trabalhei com o Dunga na Seleção, foi ele quem me convocou. É um cara de uma disciplina totalmente diferente, que cobra muito. Acredito que vai fazer muito sucesso no Inter, não é à toa que já conseguiu conquistar um título com quatro, cinco meses de clube. Estou torcendo. Parabéns para o Inter, que conseguiu ser campeão de novo. O grupo tem muita qualidade e jogadores que merecem vencer. Tomara que continuem com a mentalidade que estão tendo, de vencedores.

ZH - Como tem sido esses meses de Vasco?
Nei -
Para mim tem sido muito tranquilo. Fui bem acolhido pelo grupo, pela diretoria e pelo treinador. Tenho jogado, já atuei em 16, 17 partidas.

ZH - Fala-se muito nas dificuldades financeiras do clube. Como isso chega até os jogadores?
Nei -
Dificuldades todo mundo passa, mas com a venda do Dedé eles estão conseguindo equilibrar mais as finanças. Faz parte de um trabalho, com o Cristiano (Koehler, ex-CEO do Grêmio e hoje no clube carioca). São pessoas da diretoria muito competentes que estão tratando de tirar o Vasco dessa crise. O melhor é que a gente faça um bom campeonato, que a gente traga vitórias, dê visibilidade ao clube e consiga trazer patrocínios. Isso já melhoraria a situação.


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