Nostalgia
De saída do Grêmio, auxiliar Emerson sonha com amistoso de despedida do futebol
Ex-volante pretende pedir a Fábio Koff para reunir equipe campeã da Libertadores em 95


A história de Emerson da Rosa se confunde com a do Grêmio. Volante multicampeão pelo clube nos anos 90, ele fazia parte da comissão técnica de Vanderlei Luxemburgo há pouco mais de um ano. Entretanto, para se dedicar ao Fragata FC, projeto que mantém em Pelotas, pediu ao executivo Rui Costa para deixar o clube.
Em entrevista a ZH, Emerson conta como tomou a decisão de deixar o clube, fala sobre sua relação com os jogadores, o aprendizado com Luxemburgo e também revela um sonho. Pedirá ao presidente Fábio Koff para fazer um amistoso de encerramento da sua carreira como jogador. E em grande estilo.
- Quem sabe a gente não reúne aquele time que venceu a Libertadores em 1995? - diz, esperançoso.
Confira os principais trechos da entrevista de Emerson:
Zero Hora - Como foi tomar essa decisão de deixar o Grêmio?
Emerson - Eu conversei antes do jogo contra o Santa Fe com o Vanderlei. Essa saída iria ocorrer independentemente de qualquer resultado. Foi uma decisão minha, pessoal. O projeto que tenho em Pelotas (o Fragata) depende da minha presença. O meu envolvimento com o Grêmio era muito grande. Então, tinha que decidir se ficava em um ou em outro. Então, saí do Grêmio. Vou seguir morando em Porto Alegre, mas agora vou ter mais tempo para me dedicar ao Fragata.
ZH - Como foi a despedida do grupo?
Emerson - Essas coisas tu deves fazer rápido. (risos) Não foi fácil. Em pouco mais de um ano, eu criei um vínculo muito grande com o grupo. Até participava de alguns treinamentos, praticamente voltei a ser guri. Me despedi ontem (segunda) de todo o pessoal, alguns receberam a notícia com surpresa. Hoje (terça) fiquei muito feliz: recebi mensagens do Mamute e do Matheus Biteco, que estão na seleção sub-20, e são meninos que, junto com o Fernando e tiveram uma trajetória semelhante a minha no clube. A gente acaba se apegando, é uma coisa legal.
ZH - Tu podes voltar ao Grêmio em algum momento?
Emerson - O Fragata é um projeto muito recente e precisa da minha presença para consolidar. Quando pedi o afastamento do Grêmio, o Sr. Verardi (superintendente de futebol) não acreditou. Ele é uma pessoa pela qual tenho um carinho muito especial. Até brincamos que não é um adeus, é um até breve. Agora no início será complicado me acostumar. Ainda vou seguir tomando um cafezinho, opinando lá. (risos) Nunca se sabe, esse vínculo será eterno com o Grêmio. Até quero me despedir do presidente Koff e pedir para realizar um sonho que eu tenho.
ZH - E que sonho é este?
Emerson - É que eu não fiz um jogo de despedida do futebol. Eu parei de jogar no Santos (em 2009) e as coisas ocorreram muito rápido. É uma coisa com a qual sempre sonhei, até pela carreira que tive e pelo tempo que fiquei na Seleção. Talvez possa convidar alguns colegas que tive o prazer de trabalhar. Quem sabe a gente não reúne aquele time que venceu a Libertadores em 1995?
ZH - Como está o Fragata?
Emerson - O projeto está muito bem. Atualmente, disputamos a copinha juvenil e estamos em segundo lugar, atrás apenas do Inter no nosso grupo. O projeto tem um ano e meio. Estamos com 80 meninos e está crescendo muito.
ZH - Além do Fragata, tens outros projetos?
Emerson - O principal negócio que tenho é o Fragata. Na época, quando parei de jogar, me dediquei muito a isso. Depois, o Vanderlei me chamou para assumir essa função de auxiliar no Grêmio. Foi uma surpresa quando me convidou. E eu também gostei da ideia de voltar ao Grêmio. Penso que essa me experiência vai me ajudar muito nesse projeto. Ali, não estou lidando com atletas profissionais. Mas a formação acaba sendo uma etapa ainda mais importante. E quero ter a chance de utilizar essa experiência que tive na minha carreira para ajudar a formar novos jogadores.
ZH - O Grêmio fez bem em seguir com o Luxemburgo como técnico?
Emerson - Fiquei muito feliz com a permanência dele. Foi uma decisão inteligente do Grêmio mantê-lo.
ZH - O que tu mais aprendeste com o Luxemburgo no Grêmio?
Emerson - No início, foi meio complicada essa transição de ex-jogador para auxiliar técnico. A gente quer que os jogadores pensem como a gente. O Vanderlei sempre tocava nesse assunto. Não se pode querer que o atleta se comporte da mesma forma que tu. Então, essa questão do comportamento foi muito importante, essa vivência dentro de campo. Para ser treinador, tu precisas ampliar tua visão. Essa experiência no Grêmio foi muito gratificante.